Malta é um pequeno país perdido nas águas temperadas do Mar Mediterrâneo,algures entre a Sicilia e a costa norte do continente Africano.
Para ser honesto,nunca me tinha passado pela cabeça visitar este arquipélago composto por três ilhas e sobre o qual pouco ou nada sabia,até que uma promoção de uma companhia low cost acabou por ser o ponto de viragem nas minhas aspirações e o início daquela que se viria a revelar uma viagem fantástica.
Do lado de lá do vidro da carrinha que nos transportou desde Cracóvia,surge a placa que anuncia a nossa chegada aos campos de concentração de Auschwitz-Birkeanau.
De subito o ambiente descontraído que se vivia até então, dá lugar a um silêncio incomodativo, e as expressões faciais de quem nos acompanha naquela viagem alteram-se numa ação de auto defesa, como se antevissem as sensações que estão prestes a viver.
O tempo está fantástico e agora os museus têm entrada gratuita no primeiro domingo de cada mês.
Há já algum tempo que tenho vontade de conhecer o Museu Nacional dos Coches...o novo, aquele que tanta polémica causou antes e após a sua recente inauguração.
Lembro-me de em miúdo, num qualquer passeio de escola ter visitado o antigo edifício que por ordem da Rainha D.Amélia,acolheu durante mais de um século alguns dos veículos que nos tempos de glória do nosso país transportaram reis e rainhas, príncipes e princesas.
Os anos passaram e o Picadeiro Real foi-se degradando,deixando de ter condições para albergar tamanho tesouro.
Após alguns avanços e recuos a decisão estava tomada...Está na altura de construir um novo museu capaz de acolher um dos espólios mais valiosos da história de Portugal.
Quem nunca sonhou com uma viagem ás ilhas gregas?
O clima ameno todo o ano, as aldeias típicas repletas de pequenas casas pintadas de branco, os sabores e cheiros do mediterrâneo, os momentos românticos enquanto assistes a um fantástico por do sol na companhia da tua cara metade e claro....as bonitas praias de águas cristalinas que fazem parte da imaginação de muitos viajantes.
Deixámos Symi aos primeiros raios de sol. Enquanto o ferry boat rasga as águas tranquilas do mar Egeu, aproveitamos as quase três horas de viagem para descansar o corpo e repor os níveis energéticos seriamente afetados pelos sucessivos despertares prematuros dos dias anteriores.
À hora marcada os altifalantes do convés anunciam a nossa chegada ao porto de Leros e o grande navio atraca sem dificuldades por entre os pequenos barcos de pesca coloridos que alinham ao longo do paredão. Pela primeira vez nesta viagem desembarcamos sem a confusão e o ambiente é visivelmente diferente...mais calmo!
Viajar não é só conhecer novos mundos e culturas. Viajar é também ter a oportunidade de se lançar à descoberta da gastronomia de um local.
Sentir os cheiros e sabores dos pratos típicos de um país ou região é um ritual que na nossa opinião deve ser adotado por todos os viajantes de forma a enriquecer a experiência e criar laços com o destino que visitamos.
Na nossa viagem pelas ilhas gregas do Dodecaneso apaixonámo-nos pelas pessoas com quem nos cruzámos, pelas paisagens que o nosso olhar contemplou e claro...pela deliciosa comida grega que a cada nova refeição se revelava uma das suas maiores riquezas.
Os quilómetros que antecedem a nossa chegada a Lindos são espetaculares.
Ao longe já se avista o Castelo, empoleirado no topo de uma colina na qual se aconchegam ruas e casinhas pintadas de branco que a esta distância mais parecem um gigantesco bolo de noiva que aumenta de tamanho a cada metro que avançamos. Lá em baixo e para completar esta espécie de cartão postal, um mar tão azul que no horizonte se funde na perfeição com o céu, onde dezenas de gaivotas dançam ao ritmo da leve brisa que se faz sentir.
A beleza das ilhas gregas vai muito para além das praias de sonho banhadas por águas translúcidas que preenchem o imaginário de muitos viajantes.
Existem outros locais igualmente especiais, onde o azul do mar é substituído pelo verde das árvores e nos quais a natureza nos surpreende com alguns dos seus mais belos caprichos. São locais onde o silêncio é palavra de ordem e que a cada novo passo nos deparamos com cenários que nos deixam sem palavras.
O dia inicia-se cedo...muito cedo!
Ainda não são sete da manhã e já caminhamos junto à muralha exterior da zona antiga da cidade de Rhodes.
Os primeiros raios de sol surgem para lá das torres de pedra gastas pelo tempo e que anunciam a nossa chegada à imponente Porta de St.Athanasios, por onde penetramos num mundo que outrora pertenceu a cavaleiros, cruzados e destemidos marinheiros.
As ruas empedradas que tantos passos testemunharam, encontram-se a esta hora desertas e envoltas numa penumbra silenciosa que lhe confere um ambiente um tanto ou quanto sinistro.
Debruçado sobre um varandim daquele grande ferry boat que navega há mais de três horas pelas águas azuis turquesa do Mar Egeu, vejo surgir ao longe o Porto de Gialos onde atracaremos não tarda nada.
A aproximação é lenta e o panorama faz-me seguir em silêncio. De ambos os lados surgem casas pintadas de tons vivos que de forma quase irracional se equilibram nas vertentes íngremes daquela lindíssima garganta natural.
O Palácio dos Marqueses de Fronteira é atualmente um dos tesouros mais bem guardados da capital.Um tesouro que não faz parte dos roteiros turísticos e do qual pouco ou nada se fala.São escassos os turistas que sabem da sua existência e até os próprios lisboetas,muitos deles,desconhecem por completo este pedaço de história situado na freguesia de S.Domingos de Benfica,a dois passos da mata do Monsanto.
Este é sem dúvida um edifício marcante,que de forma quase heróica resistiu ao avançar dos anos e que ainda hoje,passados mais de três séculos desde a sua construção,mantém intactos o charme e o brilho dos seus tempos de glória.
Ás cinco da manhã quando deixamos o hotel, as ruas da pequena cidade de Aguas Calientes ainda se encontram envoltas na escuridão de uma noite que só se renderá daqui a um par de horas.
Ainda assim o rebuliço é grande. Tal como nós, centenas de outros turistas já guardam lugar na longa fila para os autocarros que de forma confortável nos transportarão até ás portas da mais famosa antiga cidade Inca do mundo.
Compramos o bilhete num escritório improvisado e pouco depois, já na presença de meia dúzia de autocarros, é-nos dada a ordem para o embarque que decorre de forma ordeira e sem problemas de maior.
Enquanto percorria as páginas de uma revista,dei de caras com um interessante artigo que falava de um palácio situado a dois passos de Belém e que de imediato despertou a minha atenção.
Aquelas linhas bem escritas,falam de um tal Palácio Nacional da Ajuda,que após uma leitura mais aprofundada percebi ser um dos locais que frequentemente aparece nos noticiários,quando o governo Português recebe visitas de estado.
Podia ler-se num dos parágrafos daquele texto que me cativava cada vez mais:
A pequena aldeia do Casmilo vai ficando para trás e o carro avança agora por uma estrada de terra batida que à nossa passagem levanta uma enorme nuvem de poeira que de forma teimosa nos segue durante os poucos quilómetros que nos separam do nosso objectivo.
Seguimos os dois na companhia da simpática Beatriz que após a nossa chegada ás Casas do Adro se ofereceu prontamente para nos fazer uma visita guiada ao Vale do Sicó,onde se situam as famosas Buracas.
Perdida no meio do maciço do Sicó,fica uma pequena aldeia de seu nome Tapéus.
Foi nesta espécie de Portugal esquecido que fomos encontrar as extraordinárias Casas do Adro que nos acolheram durante o tempo que nos lançámos na exploração das Buracas do Casmilo.
A aldeia é fascinante,repleta de pequenas casinhas típicas bem cuidadas com flores coloridas nos beirais e rodeadas de encostas rochosas onde os pinheiros crescem sem pressas,pintando de verde a paisagem envolvente.
Praia Fluvial do Alamal,pode ler-se numa placa com uma inscrição quase sumida e que anuncia a nossa chegada ao local que procurávamos.
O tempo está ótimo.No ar sopra uma agradável brisa que atenua o calor,que sem exageros já aquece este final de manhã do mês de Junho.
Estacionamos o carro sob uma árvore que por agora ainda lhe confere alguma proteção.Avançamos meia dúzia de passos e sem surpresa já se avistam as águas azuis do Rio Tejo onde um pequeno grupo de jovens se refresca.
Coimbra despertava em nós um desejo quase incontrolável de regresso.Escolhemos datas,planeámos a viagem e traçámos um roteiro que nos permitisse revisitar e reviver momentos vividos há mais de vinte anos.
Com tudo pronto,faltava-nos escolher o alojamento.Depois de alguma pesquisa descobrimos o Hotel Ibis que se revelou a opção certa para a nossa curta mas proveitosa estadia na cidade de Coimbra.
Numa conversa de café,um senhor de bigode farto e patilhas a condizer,expressa-nos o seu orgulho de ter nascido nesta cidade e com ela ter crescido e aprendido a viver com as mudanças e com o aumento dos turistas.
A certa altura e já com visível confiança,aquele homem de discurso fácil acaba por soltar algumas inconfidências.
"Alguns têm um aspecto esquisito,outros parecem baratas tontas...perdidas com tanta beleza".
...e continuando:
"Primeiro eram os estudantes que davam vida à cidade,mas agora esses já não têm força para fazer frente aos estrangeiros que chegam todos os dias.Isto no verão enche-se de gente...é uma alegria!".
Este é um daqueles projectos que louvamos e que gostaríamos ver mais presente em Portugal.
As Casas da Ladeira situadas na Pacata aldeia de Matagosa,algures entre Abrantes e Vila de Rei,são na nossa opinião um exemplo a seguir no que ao turismo rural diz respeito.
O espaço,completamente renovado,encontra-se dividido em quatro casas familiares totalmente equipadas (ideais para quem quer passar vários dias e preparar as suas próprias refeições) e ainda três quartos duplos onde tal como nas casas o conforto e o bom gosto na decoração são uma das imagens de marca deste autêntico paraíso pronto a ser descoberto.
Estamos no início do verão e o tempo abafado dos dias anteriores faz-nos antever que a tarefa que delineámos para o dia de hoje não será fácil.
Mesmo assim,aos primeiros raios de sol já avançamos em direção à Vila de Rei.A viagem por estradas envoltas em verdejantes pinhais é rápida e à nossa chegada,aquela pequena povoação de casas pintadas de branco ainda se encontra completamente despida de gente.Somente alguns cães se passeiam pelas ruas ainda adormecidas.