Baghdad apresentou-se sem vergonhas, expondo-se de forma crua, despojada de qualquer maquilhagem que eventualmente pudesse disfarçar o seu ar pouco cuidado. A realidade que abraça a capital do Iraque é incrivelmente intensa e nem o ambiente de aparente normalidade que testemunhei enquanto percorria as suas ruas parece fazer esquecer os anos em que este território se viu consumido pelo espectro constante da guerra, com as marcas do conflito armado a permanecerem talhadas no betão e na memória coletiva de quem ali vive. Estas são cicatrizes que não se apagam facilmente, até porque, por toda a parte, o meu olhar se cruza com fachadas mal amanhadas de edifícios que morrem lentamente, onde a nobreza de outros tempos talvez sobreviva, hoje, em estado de decadência.
