sexta-feira, 15 de julho de 2016

MOSTAR - UM DIA NA CIDADE QUE RENACEU DAS CINZAS


Era ainda noite cerrada quando cruzámos a fronteira. Depois de um par de horas pelas estradas da Croácia entravamos agora na Bósnia e Herzegovina, que dada a proximidade, achámos que fazia todo o sentido realizar este pequeno desvio de forma a podermos conhecer um pouco deste país. 
O objetivo era chegar a Mostar que apesar da cidade ser relativamente grande (é a quinta maior cidade do país) o centro histórico restringe-se a uma área de tamanho reduzido que como viríamos a constatar se percorre facilmente. 



Chegámos bem cedo, numa altura em que as ruas ainda se encontravam completamente desertas. Estacionámos o carro à entrada do centro histórico e partimos à descoberta deste deste aglomerado de casas simples, onde as cicatrizes da maldita guerra (1992-1995) ainda se mantêm bem visíveis. Pelo caminho avistam-se alguns prédios destruídos assim como diversas fachadas cravejadas de buracos de balas.
Atualmente e depois de já terem passado mais de vinte anos, ainda há por aqui lembranças e momentos que com certeza vão demorar a serem esquecidos. Aliás, por várias vezes nos cruzámos com a inscrição "Don't Forget 93" pintada nas paredes. 





Seguimos diretamente para a Ponte Velha (Stari Most) que é um dos grandes símbolos, não só do país mas também da antiga Jugoslávia, e que atualmente se encontra listada como património da UNESCO. 



A grande ponte de pedra de origem turca que hoje liga as duas margens, foi durante o período de guerra arrasada pelas tropas Croatas. Em 2004 depois de reconstruída foi reaberta ao público e atualmente, além de ser o principal ponto turístico de Mostar, é acima de tudo um dos grandes símbolos da união nacional. União essa que aparentemente é gerida com pinças, uma vez que a cidade se encontra dividida entre Muçulmanos Bósnios/Sérvios do lado direito e Croatas do lado oposto. O Rio Neretva funciona literalmente como fronteira natural entre ambas as comunidades. 


Há uma tradição local, realizada principalmente por jovens da cidade, que saltam do ponto mais alto da ponte. Nós, talvez por ser bastante cedo, não tivemos a oportunidade de assistir e ficámos sem saber se se realiza diariamente ou só em certas ocasiões.

Toda esta zona é preenchida por casas e ruas de arquitetura típica, onde imperam as fachadas de pedra que lhe conferem um aspeto de certa forma rural. A influência turca ainda é bem visível, sobretudo na margem esquerda do rio, onde despontam uns quantos minaretes pertencentes as várias mesquitas. 


Uma delas é a Mesquita Koski Mehmed Pasha que ainda se encontrava encerrada quando chegámos, mas que depois de falar com um simpático senhor que se preparava para iniciar as vendas na sua pequena banca, ficámos a saber que para realizar a visita teríamos de desembolsar dois euros e se tivéssemos a intenção de subir ao minarete o preço aumentava para cinco.
Uma vez que naquele momento não havia ninguém a controlar as entradas ainda conseguimos aceder a uma área exterior, situada do lado direito da mesquita de onde conseguimos ter uma vista fantástica da Ponte Velha. 


Pouco a pouco e à medida que os turistas iam começando a chegar, as bancas de lembranças começaram também a abrir as suas portas. Para além da arquitetura, a influência islâmica encontra-se igualmente presente nos souvenirs que praticamente todas as lojas tentam vender aos visitantes. Tapetes, candeeiros coloridos e objetos em cobre podem ser comprados nas lojas situadas ao longo da rua principal.  

Optámos por nos manter sempre na margem esquerda, sem nunca nos afastarmos muito do rio. Caminhámos calmamente, fomos parando aqui e ali, até que chegámos à chamada Casa Turca, que atualmente acolhe um museu bastante interessante.
Esta antiga habitação de origem Otomana com mais de 350 anos mantém uma decoração não muito distinta daquela que originalmente existia, com algumas bonitas peças do período Otomano.



Ao fim de pouco mais de duas horas, a margem esquerda estava praticamente vista e no regresso à zona mais central passámos por um dos vários cemitérios existentes e no qual constatámos que a data 1993 se encontrava inscrita na maioria das lapides.

Regressámos à margem oposta numa altura em que a área já registava um acréscimo significativo de visitantes. Fizemos o caminho de volta ao carro em ritmo de passeio e quase por acaso crurámo-nos com o Robeira Rabobolja que é atravessada pela Ponte Cuprija originalmente datada de 1558 mas reconstruída em 2000 depois de ter sofrido graves danos causados por uma enchente.


A moeda local é o Marco Bósnio (BAM) contudo é possível pagar em euros em praticamente todas as lojas,cafés e restaurantes. 
Apesar de Mostar ser a cidade mais visitada do país, os preços não são nada exagerados.

Nesta nossa curta incursão pela Bósnia e Herzegovina, além de Mostar tínhamos também o objetivo de conhecer mais um par de locais.

As Cascatas de Kravice, situadas a cerca de 40 Km's de Mostar, são um verdadeiro tesouro escondido que desde a primeira hora fizemos mesmo questão de incluir no nosso roteiro. 

Este é sem dúvida um local fantástico e mesmo tendo estado no Parque Nacional dos Lagos Plitvice há pouco mais de 72 horas, esta lagoa rodeada de quedas de água poderiam parecer à primeira vista um tanto ou quanto fraquinho. Mas não! O local é lindíssimo e ao contrário do que acontecera na Croácia, aqui os visitantes podem entrar na água. 





Antes de voltar a percorrer a estrada que nos levaria de volta à Croácia ainda tivemos tempo de realizar uma curta paragem em Pocitelj.
Foi nesta pequena cidade situada nas margens do Rio Neretva e que mistura uma arquitetura Medieval e Otomana, que tivemos a oportunidade de conhecer um dos mais importantes conjuntos arquitetónicos do país. 
Trepámos a escadaria de pedra e lá no topo esperavam-nos as ruínas de uma antiga fortaleza de onde se têm vistas fabulosas.






Não podíamos ter escolhido melhor local para nos despedirmos da Bósnia e Herzegovina.
Voltámos a entrar na Croácia e ao final da tarde chegámos a Dubrovnik.


PARA SABER MAIS SOBRE AS NOSSAS VIAGENS E VER AS FOTOS DESTE E DE OUTROS DESTINOS ACOMPANHE O DIÁRIO DAS VIAGENS NAS REDES SOCIAIS:

1 comentário:

  1. Adorei as imagens.Parabens por elas e pela propria descriçao.Fiquei com vontade de la ir.Obrigada.

    ResponderEliminar