sexta-feira, 26 de agosto de 2016

.BAGAN - VISITAR O ANTIGO REINO DA BIRMÂNIA


Numa altura em que as estrelas ainda povoam o céu, nós já avançamos ao longo das estradas desertas e pouco iluminadas de Bagan. Não queremos deixar passar a oportunidade de assistir ao momento em que o sol acorda para mais um dia e empoleirados na nossa e-bike tentamos encontrar o templo assinalado no g.p.s. que segundo as informações que temos nos permitirá ter uma vista mais ou menos priviligiada sobre uma boa parte da planície. 

De forma a proteger e preservar as milhares de estruturas históricas existentes, o governo de Myanmar decidiu vedar o acesso aos níveis superiores da maioria das stupas e pagodas da região. 
O local que temos assinalado é um dos poucos que ainda se encontra acessível e acaba por não defraudar as expectativas. A ausência de outras pessoas permite-nos escolher a melhor perspectiva e sentados sobre aquela estrutura que tantas estórias terá para revelar esperamos pacientemente que o grande astro faça a sua gloriosa aparição.
A noite recua e de uma forma progressiva a paisagem vai-se tingindo de tons rosa, vermelho, laranja e por fim é o dourado que inunda todo aquele mundo misterioso habitado por centenas de silhuetas pontiagudas.





O antigo reino de Bagan revela-se em todo o seu esplendor e quase em contra luz seduz-nos com as suas linhas exóticas, lançando-nos de imediato o irresistível convite para um dia bem passado na sua companhia. O silêncio absoluto que reinava até então é agora quebrado pelo chilrear dos bandos de pássaros que nesta nova era se apoderaram daquelas incríveis construções religiosas. 
Nós, ainda que ocasionais invasores de um tempo que já não regressa, voltamos a percorrer os caminhos de terra, parando nos locais que nos despertam a atenção.
Neste regresso a Bagan temos planos. Temos sim uma vontade quase incontrolável de cavalgar sobre a nossa mota eléctrica por entre os mais de dois mil corpos de pedra, de nos afogar nas nuvens de poeira que se levantam à nossa passagem ou de pisar aquele chão que nos maltrata os pés descalços. 
A beleza deste local vai muito para além da imponência dos enormes e mais visitados monumentos. Bagan é acima de tudo os pequenos detalhes de um qualquer templo perdido na imensidão da paisagem ou até os arrepios que provoca a todos aqueles que aqui chegam e sentem que estão a pisar algo sagrado. 
Foi por isto que voltámos... e voltaremos uma e outra vez!











Bagan é um local único, que atrai cada vez mais visitantes e que já entrou definitivamente no roteiro de quem viaja pelo Sudeste Asiático. 
Desejamos do fundo do coração que este aumento do turismo não tenha o condão de mudar de forma negativa, tanto as gentes desta terra como a singularidade do local. Noutros países esse crescimento desmesurado, acabou de certa forma por arrasar por completo o lado mais genuíno de uma cultura. Myanmar
Terão esses exemplos servido de lição ao povo de Myanmar?









.INFORMAÇÕES E RECOMENDAÇÕES ÚTEIS
-Trazer um bom guia (livro) com explicações detalhadas sobre os principais pontos de interesse.
-Aconselhamos que venha munido de um mapa, que se arranja facilmente em qualquer hotel.
-A aplicação maps.me é extremamente útil e sugerimos que a descarregue para o seu smart phone antes de visitar Bagan.
-Beber muita água pois com o calor que se faz sentir facilmente podemos desidratar.
-É importante o uso de um chapéu para proteger a cabeça do sol escaldante.
-Proteger igualmente o corpo com uma boa dose de protetor solar.  

.COMO CHEGAR
É possível chegar a Bagan de Comboio, Bus ou até de Avião, sendo esta última opção somente viável para viagens internas, com partida de Mandalay ou Yangon.
Nós utilizámos o comboio para chegar à antiga capital do reino de Bagan. O ponto de partida foi a cidade de Mandalay e a viagem teve uma duração de aproximadamente 8 horas. Apesar deste meio de transporte ser pouco confortável, esta é uma das experiências que não pode ficar de fora do roteiro de quem visita Myanmar. O custo deste serviço varia entre 1,50 USD e 2,00 USD.
Existe igualmente a possibilidade de usar o Bus que é bastante mais cómodo e rápido, contudo a tarifa por ingresso pode variar entre 10 USD e 15 USD.

.TAXA DE ENTRADA
Todos os que chegam a Bagan têm que pagar uma taxa no valor de 25.000 MMK, taxa essa que permite circular livremente na zona arqueológica e áreas circundantes. Desta forma não é necessário adquirir separadamente ingressos de acesso aos templos.
É importante fazer-se sempre acompanhar deste ingresso pois poderá ser-lhe solicitado a qualquer momento.

.COMO SE DESLOCAR
Inicialmente os visitantes estavam limitados ás carroças puxadas por cavalos assim como ás bicicletas que acabámos por usar aquando da nossa primeira passagem por Bagan. Com o aumento do turismo na região surgiram opções mais sofisticada e atualmente são as e-bikes o meio de transporte mais comum nas estradas da planície. Além de serem amigas do ambiente, são também extremamente baratas e podem ser alugadas um pouco por toda a parte.
Para quem procura um pouco mais de conforto, o táxi é sempre uma opção a ter em conta ainda que bastante mais dispendiosa que as outras acima indicadas.

.QUANTOS DIAS FICAR
De ambas as vezes que visitámos Bagan optámos sempre por ficar três dias. Os primeiros dois reservados para a zona arqueológica e no terceiro decidimos realizar uma day trip ao Monte Popa.

.ONDE DORMIR
Mais uma vez privilegiámos a localização na altura de escolhermos o hotel que nos serviria de base durante a nossa passagem por Bagan. Estrategicamente situado entre a zona arqueológica e a cidade de Nyaung U, o Bagan Beauty Land Hotel revelou-se o local perfeito, com as comodidades necessárias para uma estadia envolta em charme e por um preço bastante acessível. Destacamos a bonita decoração dos quartos, o farto pequeno almoço e a simpatia de todo o staff que desde a nossa chegada tudo fez para que nada nos faltasse. Tendo em conta todos estes fatores, o Beauty Land Hotel foi sem sombra de dúvidas o melhor local onde ficámos alojados durante a nossa viagem por Myanmar.

.OUTRAS CRÓNICAS SOBRE MYANMAR:

Podem acompanhar as nossas viagens e ver as fotos deste e de outros destinos na página do Diário das Viagens no Facebook. 

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