quarta-feira, 1 de junho de 2016

.À DESCOBERTA DE ABYANEH - IRÃO


Antes de seguir para Teerão não posso deixar de visitar esta pequena aldeia com mais de 1500 anos, situada numa área montanhosa a sul de Kashan.
Ás nove horas, como combinado, encontro-me com o taxista que me pergunta se não me importo de partilhar o táxi com um casal de Suíços.
Não me oponho desde que os vinte euros que havíamos combinado sejam divididos pelos três, e além disso até é melhor ter mais alguém com quem conversar.
O "driver" faz um telefonema e logo depois arrancamos na direção de um hotel ali perto onde ao que parece iremos recolher os novos passageiros.
O Thomas e a Rachel juntam-se a nós e contrariamente ás expectativas iniciais constato que são pessoas de poucas palavras. Afinal, ter companhia pouco alterou a viagem.

Vou tentando quebrar aquele gelo com algumas perguntas de circunstância mas as respostas saem quase sempre de forma forçada. Desisto e vou falando com o taxista que esse sim, parece não poupar no discurso.
O tempo foi piorando à medida que nos aproximávamos do nosso destino e lá fora  percebe-se que a temperatura baixou e o céu carregado de nuvens cinzentas diz-me que pode começar a chover a qualquer momento. 
Depois de muitas curvas, subidas e descidas feitas a uma velocidade pouco aconselhável para o tipo de estrada que percorremos, tenho o primeiro vislumbre de Abyaneh. Do outro lado do vale lá está aquela pequena aldeia de casas de adobe pintadas em tons vermelhos que mais parecem equilibrar-se na vertente da montanha.


O carro encosta na berma e somos de imediato abordados por um homem que solta umas palavras em farsi. O driver apressa-se a explicar que temos de pagar uma taxa de 50.000 IR para entrar na aldeia.
-"Desde quando é que é preciso pagar bilhete para visitar uma aldeia? " - reclamo mas de nada serve.
Este é daqueles momentos em que nos sentimos impotentes perante o avanço descontrolado do turismo.
Se estivesse sozinho era capaz de ter ficado ali por mais uns minutos a argumentar, mas como tenho a companhia de outras pessoas que por sinal não se importaram muito com a situação, rendo-me ás evidencias, até porque não tenho o direito de os atrasar.
Ainda assim penso que o driver percebeu a minha indignação, pois naqueles poucos metros que percorremos até chegarmos, explicou-me que a taxa de entrada é cobrada desde o inicio do ano e que outros "clientes" já tinham também reclamado, embora o resultado acabe por ser sempre o mesmo.

O carro estaciona perto do que parece ser uma praça e combinamos que será neste mesmo local que nos voltamos a encontrar dentro de uma hora e meia.
À medida que vou caminhando reparo na fraca presença de pessoas, talvez por ainda ser cedo e a chuva miudinha que vai caindo provavelmente também não ajuda. Tenho curiosidade em ver as mulheres que aqui se vestem com trajes de padrões coloridos e enquanto caminho tento que nada me escape, sempre esperançado de que o meu olhar se cruze com uma destas senhoras.



Como o taxista me deixou numa das zonas mais altas da aldeia, o meu trajeto é sempre a realizado no sentido descendente, levando-me ao longo daquela que penso ser a rua principal e onde algumas lojas de souvenirs começam agora a abrir as portas. 
Os habitantes locais que comigo cruzando comigo são maioritariamente pessoas com uma certa idade, uma vez que uma grande fatia da população jovem partiu provavelmente em direção ás grandes cidades.
Uns metro mais à frente avisto a primeira mulher trajada a rigor. Reconheço imediatamente pelo lenço que traz na cabeça e que tantas vezes vi durante as pesquisas que fiz na internet. Passo por ela ali e com um olhar terno aquela senhora num pequeno banco de madeira cumprimenta-me e tenta vender-me um saquinho de pevides.



Abandono a rua principal e aventuro-me por alguns dos recantos mais interiores, onde a presença de pessoas será certamente menor e nas quais o silêncio se faz ouvir com mais intensidade. De imediato me apercebo que muitas das casas estão desabitadas, ainda que na sua maioria se encontrem bem conservadas. Se assim for, é bom sinal. Pelo menos utilizam o dinheiro do bilhete que os turistas pagam para preservar as infra-estruturas. 




Foi já perto dá hora de almoço que regressei a Kashan. Nessa tarde apanhei um táxi até ao terminal rodoviário e pouco depois um autocarro para Teerão. Nove dias depois voltava ao ponto de partida.




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