sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

.DORMIR NUMA ILHA FLUTUANTE DO LAGO TITICACA-PERÚ


Já é noite cerrada quando deixamos Puno.
As luzes daquela cidade que não tivemos tempo de conhecer vão ficando para trás até se transformarem em minúsculos pontos luminosos que parecem flutuar sobre as águas do Lago Titicaca.
Diante nós uma parede de escuridão vai sendo rasgada pelo potente feixe de luz que sai da lanterna da pequena lancha que nos carrega.Chega a ser assustador.Temos literalmente as nossas vidas nas mãos de um desconhecido que de forma hábil vai desbravando aquelas águas,confiando somente na sabedoria adquirida ao longo dos anos.

Depois de talvez uns vinte minutos em que várias coisas nos passaram pela cabeça,a  embarcação abranda e no horizonte já se avista o que parece ser uma das cinquenta ilhas flutuantes existentes no lago.
Estamos a salvo e afinal não havia motivos para alarme!

Um vulto feminino surge no local onde a lancha se prepara para atracar e aos poucos vai-se revelando o rosto afável da simpática Cristina,uma das mentoras deste projecto de turismo rural e com quem havíamos trocado diversos mails.

"Bienvenidos à la Isla Uros Khantati".
As calorosas palavras de boas vindas são acompanhadas por um delicioso e quente chá de coca que nos ajuda a repor a temperatura do corpo gelado pela aragem desagradável que se faz sentir.
No ar paira um silêncio quase incomodativo que vai sendo somente quebrado pelo ruído daquela espécie de palha (totora) que estala a cada passo que damos na direção da confortável cabana que esta noite nos servirá de lar.
Aproveitamos para reforçar os agasalhos,para logo depois percorremos os escassos metros que nos separam do local onde o jantar está quase a ser servido e no qual os nossos anfitriões já nos aguardam na companhia de alguns convidados.

Quando chegamos percebemos que os convidados são na realidade outros turistas que tal como nós decidiram enriquecer as sua viagem pelo peru com a experiência de dormir numa das ilhas flutuantes do Lago Titicaca. 
As apresentações são facilitadas pela atmosfera familiar que ali se vive,e o que começou por ser uma simples refeição rapidamente se transformou num serão memorável,regado com risadas,estórias,danças tradicionais e uma mão cheia de novos amigos.

A noite passou demasiado rápido!
Foram poucas as horas que correram até que por volta das cinco da manhã o despertador quase nos faz saltar da cama.
Lá fora o dia ainda não acordou e ainda de pijama ali ficamos com a porta da cabana entreaberta a admirar aquele infindável mar de estrelas que sobre as nossas cabeças salpicam o céu ainda negro.
O frio que se mantêm faz o meu corpo tremer de forma quase descontrolada,e numa tentativa de auto protecção regressamos ao aconchego dos lençóis para mais uns momentos de pura preguiça.



Entretanto há mais um espetáculo prestes a começar.Vestimo-nos meio à pressa e já com a paisagem pintada de tons laranja,trepamos até a um ponto mais elevado onde na companhia de um simpático gato assistimos ao aparecimento do grande astro.
Estranhamente somos os únicos espectadores de um show que mistura luzes,sombras e sons e que de forma gloriosa nos é servido pela mãe natureza.É uma visão avassaladora aquela que temos diante dos nossos olhos e que põe a descoberto toda a beleza daquela pequena ilha artificial,que flutua nas águas espelhadas do mais elevado lago navegável do planeta.
Eis o Lago Titicaca em todo o seu esplendor!




À medida que o sol ganha altitude,o movimento sobre as águas do lago vai-se intensificando com a presença de pequenas embarcações que no seu vai e vem rasgam as águas até agora imóveis daquele pequeno paraíso.
Na ilha também já se nota uma certa agitação.Na altura em que regressarmos à cabana,cruzamo-nos com alguns residentes que iniciam neste momento as suas tarefas matinais.






A manhã está ótima e já não vale a pena voltar a dormir.Damos uma arrumação geral nas mochilas,tomamos o pequeno almoço e logo de seguida somos desafiados para acompanhar o Wilber que no seu barco típico se prepara para ir recolher o pescado aprisionado nas redes colocadas ao redor da ilha.Estamos todos a bordo,e manobrada pelas mãos experientes daquele capitão ocasional a embarcação avança lentamente por estreitos canais onde a totora cresce de forma abundante.
A pescaria acaba por não ser muito produtiva,mas o passeio,esse é quase tão magnifico como o lindíssimo céu azul que entretanto se estendeu sobre nós.






A navegação acaba por se estender para lá do previsto e no regresso à ilha ainda há tempo para mais umas gargalhadas,quando meio à pressa experimentamos alguns trajes típicos. 


   

Temos mesmo que nos apressar.
Ao longe já se avista a lancha que diariamente passa na direção da Ilha Taquille.
Por entre palavras de agradecimento e promessas de que um dia regressaremos,voltamos a pegar na bagagem agora carregada com mais um punhado de momentos únicos.
A viagem continua...

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