quarta-feira, 28 de março de 2018

.JERASH-UMA PÉROLA ROMANA POR TERRAS JORDANAS


O relógio ainda não marca oito da manhã quando chegamos ao portão da zona arqueológica de Jerash.Já para lá da barreira que delimita o parque de estacionamento ainda deserto,interpelamos um guarda que aproveita aquela calma matutina para aquecer o corpo com os primeiros raios de sol enquanto vai folheando as páginas de um jornal.Completamente concentrado na sua leitura e sem levantar a cabeça,o homem faz-nos sinal para avançar indicando-nos com um gesto firme o caminho que devemos seguir.

Passamos por um detector de metais que apita uma e outra vez sem que ninguém faça caso,e logo depois desembucamos num corredor preenchido por meia dúzia de lojas que de forma preguiçosa vão sendo preparadas para mais uma jornada.
Como seria de esperar,nos escassos metros que percorremos por entre aqueles modestos estabelecimentos,somos repetidamente convidados a comprar isto ou aquilo.
As abordagens são tranquilas,sem pressões,culminando quase sempre com um "welcome to Jordan",uma frase que tantas vezes iríamos ouvir durante esta viagem.

As boas vindas ao parque são-nos dadas pelo enorme Arco de Adriano que já havíamos avistado para lá do gradeamento,quando o bus nos deixou na estrada principal,mas que agora diante dos nossos olhos parece ainda maior.
É uma obra incrível que desde logo atrai as nossas atenções.
Detemo-nos por breves momentos de forma a apreciar a beleza dos muitos detalhes esculpidos no corpo daquele majestoso portal,erguido em honra do imperador que a certa altura visitou a antiga cidade.




Passamos pela porta central e agora sim,estamos oficialmente no interior daquela que é considerada uma das mais importantes e mais bem preservadas cidades greco-romanas existentes em todo o mundo.
Do lado esquerdo ergue-se o Hipódromo,hoje reduzido a uma pequena amostra daquilo que em tempos deverá ter sido.

O caminho até à Porta Sul,onde se encontra o Visitor Center é feito em menos de nada.Aí mostrámos o Jordan Pass ao simpático funcionário que por entre sorrisos e uma rápida análise do documento nos dá ordem de entrada.
Os primeiros passos por entre estas ruínas milenares levam-nos numa viagem no tempo.
Logo ali o Anfiteatro Romano construído na encosta de uma colina faz-nos hesitar sobre uma visita imediata ou uma passagem mais tardia em jeito de despedida.A segunda opção parece-nos mais viável,uma vez que não tarda nada irão começar a chegar os autocarros carregados de visitantes,que num ápice entupirão as ruas agora desertas da antiga cidade,deitando por terra os planos que temos de fotografar este local histórico sem a presença de outras pessoas.
Entramos então na impressionante Praça Oval,composta por quase sessenta colunas e onde no chão ainda permanecem as pedras originais que nesta manhã de março se transformaram num improvisado campo de futebol onde alguns miúdos correm atrás de uma bola.
O espaço também apelidado de Fórum desemboca mais à frente no Cardo Maximus,uma longa rua colunada que percorre a cidade de uma ponta à outra.
É para lá que seguimos,e já com o sol bem alto e estranhamente quente para esta altura do ano vamos avançamos e pisando aquele chão tantas vezes calcado ao longo dos séculos. 






Logo após a Ágora,numa das intersecções que surgem no nosso caminho,viramos à esquerda e entramos numa área mais remota que nos conduz até a um ponto mais elevado,onde além das ruínas de duas ou três igrejas que visitamos sem grande demora,também se encontra o ainda bem conservado Templo de Artemis.
Já passou uma hora desde que chegámos a Jerash.Aproveitamos para fazer uma pausa e sentamo-nos à sombra de uma das onze colunas que compõem aquele edifício dedicado à deusa da caça,que agora serve de banca de venda improvisada a dois jovens que ao som de ritmos e melodias locais aguardam pacientemente pela chegada dos grupos de turistas que por esta altura já deverão andar pela praça principal.






Quanto a nós,é hora de prosseguir com a visita.O Teatro Norte é a próxima paragem e onde chegamos depois de uma rápida passagem por mais uma antiga igreja bizantina onde o principal ponto de interesse é o incrível painel de mosaicos que cobre grande parte do chão.
O tempo vai passando e para nosso gaudio continuamos a ser só nós e tudo o que resta de uma cidade que apesar de ter tombado se recusa a morrer.É incrível caminhar num silêncio quase total por entre tantos pedaços de história e um desafio á nossa imaginação. 

Degrau após degrau galgamos as bancadas do teatro que apesar de visivelmente mais pequeno que aquele que avistámos mal iniciámos a visita,não deixa de ser impressionante.Sentamo-nos mais uma vez,agora só por meia dúzia de minutos que servem sobretudo para uma consulta rápida do mapa que nos foi facultado à entrada.
Os principais pontos de interesse estão vistos.




Regressamos à avenida principal com o objectivo de fazer o caminho de regresso ao ponto de partida,realizando um pequeno desvio para percorrer a secção que se estende entre o Tetrapylon e a Porta Norte,famosa por ser aquela em que as colunas se encontram em melhores condições.
À medida que avançamos no sentido contrário vão passando por nós diversos grupos de visitantes que tal como seria expectável se vão apoderando dos terrenos da antiga cidade.





Ainda na grande avenida e apesar da confusão consigo fazer algumas fotos da gigantesca fonte,que na época seria chamada de Nymphaenum.
Sem mais pontos de interesse que justifiquem o prolongar da visita,damos por concluída a nossa passagem por Jerash no ponto mais elevado do Teatro Sul.





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