segunda-feira, 29 de outubro de 2018

.PONTE DE LIMA - AMOR À PRIMEIRA VISTA


Dizem que os amores que surgem de forma inesperada são aqueles que nos marcam de forma mais intensa. Ponte de Lima foi o exemplo que confirma a regra. A mais antiga vila de Portugal cruzou-se quase por acaso no nosso caminho e sem sabermos muito bem como nem porquê, acabámos rendidos à sua beleza. 
Sem surpresas o nosso amor acolhe-nos de braços abertos e com a cumplicidade das suas gentes, pisca-nos o olho e lança-nos o irresistível convite para a conhecermos melhor.

Estamos no início de outubro e o verão parece não ter vontade de ceder o seu lugar ao outono. As temperaturas acima da média enchem as ruas de gente e convidam ao convívio nas várias esplanadas que povoam o bonito Largo de Camões.
De onde nos encontramos já se avista a Ponte Medieval que se estende sobre o Rio Lima e que nos conta memórias de quando Reis e Rainhas pisaram aquele chão. 

O tempo disponível é escasso e os conselhos dados pelo pessoal do Posto de Turismo ajudam-nos a clarificar ideias e a traçar um roteiro que se adapte de forma perfeita ás poucas horas que pretendemos ficar. É numa das torres ainda existentes e onde no passado funcionou a Prisão dos Homens que se encontra instalado este bem organizado espaço, onde para além das inevitáveis brochuras sobre a região é igualmente possível solicitar todas as informações necessárias para organizar toda e qualquer estadia em Ponte de Lima.



Depois de uma curta passagem pela Capela das Pereiras, embrenhamo-nos nas ruas do Centro Histórico e de forma natural vamos entrando no compasso das gentes locais, sentido o palpitar da vila que insiste em enfeitiçar-nos com o seu charme.
Subimos e descemos o que resta da Antiga Muralha, caminhamos sem pressas, e enquanto percorremos a Rua do Souto somos convidados a respirar os perfumes que emanam de uma antiga mercearia situada a dois passos da Igreja Matriz.

Avançamos agora ao longo da Rua Cardeal Saraiva e por entre os chapéus de sol das esplanadas ali existentes já conseguimos avistar a Estátua da Rainha D.Teresa, que no ano de 1125 emitiu o foral que concedeu o titulo de vila a Ponte de Lima. Dali até ao Centro de Interpretação de História Militar não levamos mais de um minuto. 
Mais um espaço bastante interessante, dividido em três pisos e onde o visitante é levado numa viagem através da evolução que tanto o armamento como a indumentária militar foram sofrendo ao longo dos tempos.







Deixamo-nos levar pelo chão empedrado que cobre as ruas da zona antiga e quase sem darmos por isso voltamos a encontrar a margem do rio. Resistimos mais uma vez em atravessar a Ponte Medieval. Contemplamo-la por breves momentos mas decidimos caminhar no sentido oposto, avançando de olhos postos nas copas das várias dezenas de Plátanos Centenários que se alinham ao longo da Avenida 5 de Outubro

O Museu dos Terceiros é daqueles locais onde a visita se impõe. 
Este conjunto museológico partilha as áreas de dois antigos edifícios religiosos ambos ligados à Ordem Franciscana. Ao longo da visita é possível passar pelas diversas capelas, igrejas e claustros que compõem o atual complexo, assim como admirar o valioso espólio presente em cada uma das divisões.






Agora sim. Parece impossível adiar a vontade que temos de caminhar sobre aquele corredor de pedra que se estende sobre as águas do Rio Lima. Após percorrer uma boa parte do centro histórico, atravessamos finalmente a Ponte Medieval que nos conduz até à margem direita, onde nos cruzamos com um grupo de caminhantes que seguramente passarão a noite no Albergue do Peregrino, antes de continuarem a sua marcha em direção a Santiago de Compostela.
Quanto a nós, é para o Museu do Brinquedo Português que nos dirigimos e onde de uma forma quase mágica nos perdemos em lembranças que nos levam a reviver momentos da nossa infância. 

A viagem ao passado termina. Voltamos à realidade e já na rua, encostados ao muro que delimita a ponte, deliciamo-nos com aquela que será a mais bonita vista sobre a vila, que pouco a pouco se veste com os tons dourados trazidos pelo final da tarde. 
Ao longe ouvem-se as badaladas dos sinos da Igreja Matriz que nos fazem situar no tempo e nos obrigam a apressar o passo na direção do Parque do Arnado que encerra não tarda nada.










A noite cai e como seria de esperar a vila enche-se de brilho. 
Sem rodeios nem vergonhas o nosso amor mostra-nos o seu lado mais romântico, fazendo-nos querer guardar em nós aquela última imagem.
Despedimo-nos em silêncio com a certeza que voltaremos em breve.

Podem acompanhar as nossas viagens e ver todas fotos deste e de outros destinos na página do Diário das Viagens no Facebook. 

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