sábado, 28 de julho de 2018

.MINA DE SÃO DOMINGOS-A BELEZA IMPROVÁVEL DE UM LUGAR ESQUECIDO


Ainda estão bem presentes os traços de minério espalhados pelo caminho que vamos percorrendo. Os carris que outrora transportaram a pirite desapareceram e hoje nada mais resta que uma estrada de terra avermelhada salpicada de nódoas que o tempo não conseguiu apagar. 
O valioso tesouro retirado do subsolo conseguiu trazer durante mais de cem anos o progresso até ás planicies alentejanas, criou empregos, fez nascer uma aldeia e pôs diariamente pão na mesa das gentes locais.
Foram anos áureos que se prolongaram durante várias gerações e onde o trabalho apesar de exigente, chamava a São Domingos gentes de Portugal e Espanha.
Numa altura em que a electricidade ainda era uma palavra desconhecida para a maior parte da população, este lugar perdido no interior Alentejano viu nascer a primeira linha férrea de Portugal.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

.DRAVE-CAMINHANDO ATÉ À ALDEIA MÁGICA


Chegámos bem cedo a Regoufe e na pequena aldeia já se nota alguma movimentação. Por aqui a vida é dura e não há lugar a preguiças. Nos meses de verão há que madrugar e aproveitar para realizar as tarefas mais exigentes enquanto o sol não fere o corpo.
É perto da capela que se inicia o trilho que vamos realizar. Nesta primeira fase o caminho é sempre a descer e à medida que avançamos por entre as casas de pedra, cruzamo-nos com um grupo de senhoras que de enxada ao ombro seguem na direção dos campos prontos a serem amanhados. Se fosse à meia dúzia de anos atrás seria estranho ver turistas por estes lados, mas hoje a presença de visitante é normal e quase ninguém liga à nossa passagem. Cumprimentam-nos, sorriem e seguem o seu caminho.
Já perto do limite da aldeia os nossos passos são atrasados por um súbito congestionamento matinal que entope as ruas estreitas daquela metrópole rural. Num ritual diário, centenas de cabras deixam os seus currais e guiadas pelo experiente pastor trepam a encosta rochosa em busca de pasto.