quinta-feira, 30 de julho de 2015

VISITAR A ILHA DO FAIAL - AÇORES

O que visitar nos Açores, Roteiro completo para visitar a Ilha do Faial, Açores

Foi na Ilha do Faial que iniciámos a terceira e última etapa da nossa viagem.
O Faial fica somente a trinta minutos de distância (barco) da ilha do Pico e visto que estávamos tão perto esta foi a oportunidade perfeita para conhecer esta ilha.
Depois de termos chegado na noite anterior e logo no porto da cidade da Horta termos alugado um carro para as nossas deslocações, dirigimo-nos para o alojamento que havíamos reservado na véspera. Pelo caminho ainda passámos por um hipermercado onde comprámos comida para os dias seguintes.
Nesta primeira noite optámos por ir dormir cedo de forma a estarmos fresquinhos na manhã seguinte.

O MELHOR DA ILHA DO FAIAL EM DOIS DIAS:

.DIA 1
Com o pequeno almoço tomado agarrámos no carro para partirmos à descoberta da ilha azul, assim apelidada devido ás muitas "sebes" de hortênsias azuis presentes um pouco por toda a parte. 
Das três ilhas que visitámos, esta é sem dúvida a mais pequena, e como tínhamos reservado dois dias por aqui, conseguimos andar tranquilamente. 


Resolvemos que por agora aproveitaríamos para ficar a conhecer a Horta, que é a maior e mais importante cidade do Faial. Além disso ainda tínhamos de arranjar alojamento para a noite seguinte, pois o local onde estávamos hospedados só nos podia acolher por mais uma noite.
Assim que chegámos ao centro da cidade e depois de estacionar o carro fomos directamente a um dos mais conhecidos cafés da zona e ponto de encontro de muitos dos "marinheiros" que aqui fazem escala nas suas viagem transatlânticas.

O Peter Café, que ficou conhecido do público geral desde o período da expo 98, é quase uma instituição local e ponto de passagem obrigatória para quem visita a ilha.
Contudo, este local tem uma história muito mais antiga, uma vez que ao longo dos anos tem servido de ponto de encontro de navegadores que escolhem o Faial para fazer uma escala.

Entrámos, pedimos um café e como o estabelecimento tem free wifi aproveitámos para enviar alguns pedidos de alojamento no site Couchsurfing, na esperança de que alguma alma caridosa nos pudesse receber.


Tratado que estava este pequeno problema partimos à descoberta da cidade que não é muito grande. Visto que estávamos mesmo ali ao lado aproveitámos para dar um passeio pela marina que seguramente é uma, se não a mais colorida do mundo.


A tradição manda que todos os marinheiros que aqui atracam, devem fazer uma pintura no chão ou nas paredes deste local onde identificam o seu barco, os tripulantes e por vezes o trajecto das suas viagens. Estes desenhos estão espalhados por toda a parte e já se tornaram numa das principais imagens da ilha.



Sempre a pé andámos ao acaso pelas ruas da cidade, parando em alguns dos locais assinalados no mapa. Para falar verdade não achámos o centro histórico muito diferente de todos os outros que já havíamos visitado.




Depois de talvez umas duas horas a passear resolvemos pegar no carro e tomámos a direção da Baía de Porto Pim onde nos deparámos com a fantástica Praia de Porto Pim.



Foi aqui que acabámos por visitar uma série de locais que gostámos bastante e que aconselhamos a todos os que se desloquem ao Faial.
Antiga Fábrica Baleeira homenageia a arte da caça ao cachalote, e como havíamos testemunhado na Ilha do Pico já teve os seus tempos de glória, sendo hoje somente relembrada em locais como este.
Com o declínio da arte, a fábrica acabou por ser desativada, tendo sido o espaço transformado num museu que dá a conhecer aos visitantes os tempos em que a caça à baleia era uma das principais atividades piscatórias da região.


Logo ali ao lado fica mais um local bastante interessante. O Aquário de Porto Pim não é igual aos aquários onde existem um infindável número de tanques povoados por algumas espécies de peixes coloridos e de formas exóticas. Aqui existem quatro tanques que servem somente para um período de quarentena das várias espécies de peixes residentes nas águas dos Açores que mais tarde serão enviados para aquários de todo o mundo.
Gostámos bastante deste local pois também foi possível ver animais (neste caso uma tartaruga) encontrados com ferimentos graves e que aqui recebem 'cuidados médicos" de forma a serem libertados depois de estarem aptos.


O bilhete que dá acesso ao aquário engloba também a visita à chamada Casa dos Dabney situada entre a antiga fábrica da baleia e o aquário.
Esta casa foi uma das residências do antigo cônsul dos Estados Unidos da América que viveu no Faial no século XIX. Apesar de ter passado bastante tempo ainda continua a ser relembrado como uma pessoa que muito contribuiu para o desenvolvimento da ilha.


Ainda tivemos tempo de passar pelo Forte de Porto Pim, uma antiga fortaleza defensiva também conhecida por bombardeira ou reduto da patrulha.
A estrutura que hoje vemos é relativamente recente mas as bases sobre a qual foi erguida datam dos meados do século XVII.



Com a visita praticamente concluída nesta zona, pegámos no carro e subimos ao topo do Monte da Guia onde aproveitámos o magnífico cenário para fazer um pequeno pic-nic. 
Lá do alto temos uma vista espetacular sobre toda a Baía de Porto Pim e também de grande parte da cidade da Horta.


Por esta altura o tempo dava mostras de querer melhorar e achámos que seria o momento indicado para seguirmos para um dos locais que mais desejávamos conhecer.
Depois de uma viagem de aproximadamente quarenta e cinco minutos, chegámos a um dos locais mais fantásticos que os nosso olhos tiveram o privilégio de ver.


Contra todas as expectativas o tempo alterou-se para pior, mas a visão que tínhamos diante nós era brutal. A Caldeira é uma gigantesca cratera de um vulcão extinto com cerca de 2000 metro da diâmetro e 400 de profundidade, totalmente coberta de vegetação.
Este é o vulcão que há milhares de anos atrás foi responsável pela criação da ilha que hoje vemos.
Tivemos sorte pois enquanto ali permanecemos nunca nos cruzámos com mais ninguém o que acabou por transformar a nossa visita numa experiência fantástica.


Estes foram sem dúvida os melhores momentos que vivemos durante a nossa estadia no Faial. Apesar do mau tempo e da chuva miudinha que teimava em cair, ficámos ali sentados literalmente hipnotizados por aquele silêncio quase constrangedor.
Que paisagem e que sensação incrível!


Nesse final de tarde ainda recebemos resposta ao nosso pedido de couchsurfing. A Susana morava na Praia do Almoxarife e poderia acolher-nos na nossa derradeira noite na ilha. Trocámos uns mails e rapidamente combinámos hora e local para nos encontrarmos no dia seguinte.
Perfeito! Sentados junto ao mar com a ilha do Pico no horizonte, terminámos mais um excelente dia nos Açores com uma ótima notícia.




.DIA 2
Ultimo dia por terras Açoreanas, e por muito que não quiséssemos pensar nisso a verdade é que inconscientemente essa ideia acabava por estar presente em cada uma das nossas ações.
Ainda assim, tentámos fazer as coisas tranquilamente para que pudéssemos aproveitar ao máximo cada um dos minutos que disponhamos.


Se no dia anterior visitámos a caldeira que, com toda a justiça é um dos grandes ícones da ilha, hoje ocuparíamos a manhã com outro dos locais que não pode ficar de fora dos planos de quem viaja até ao Faial.
A zona dos Capelinhos tinha que obrigatoriamente fazer parte do nosso roteiro, desde logo, devido à inquestionável beleza natural existente mas também pela história e o simbolismo que o vulcão representa para as gentes da ilha.


O Vulcão dos Capelinhos foi o último vulcão português a entrar em erupção. Foi no longínquo dia 27 de setembro da 1957 que este monstro acordou e mudou para sempre a paisagem e também a vida de muitos dos habitantes do Faial.
Durante os treze meses que o vulcão esteve ativo não houveram perdas humanas mas nesse período foram libertadas para a atmosfera grandes quantidades de gazes e cinzas vulcânicas que se espalharam por toda a ilha destruindo pastagens, campos agricultas e casas. Motivos pelos quais muitos Faialenses abandonassem a ilha. Grande parte destas pessoas partiram em direção aos Estados Unidos.


O Farol que se ergue à beira mar já existia na altura da erupção e durante o fenómeno sofreu grandes danos na sua estrutura, chegando mesmo a ficar coberto até mais de metade por detritos libertados pelo vulcão. Hoje em dia está praticamente recuperado e pode mesmo subir-se ao último piso de onde seguramente teremos uma vista incrível de todo o local.


A erupção também fez com que a ilha crescesse cerca de 2,5 quilómetros quadrados. Contudo com o passar dos anos e devido à influência do mar uma das vertentes do vulcão colapsou, tornando impossível o acesso à cratera .


Atualmente todos os visitantes, caso queiram, podem percorrer a pé grande parte da área envolvente.
Esta era uma das atividades que pretendíamos realizar e depois de visitarmos o bem organizado Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, demos corda aos sapatos e lá fomos nós pelo trilho que percorre aquela espécie de paisagem lunar coberta de cinzas e pedras vulcânicas. Mesmo depois de terem passado quase setenta anos desde a erupção o solo continua praticamente estéril.
Subimos e descemos encostas e fomos a cada canto onde nos foi possível ir.





Depois de mais de duas horas no local, achámos que já era altura de nos despedirmos dos Capelinhos.
Quando nos dirigíamos para o carro reparámos que perto do mar existiam diversas piscinas naturais e como 
durante a nossa passagem pelas ilhas de São Miguel e do Pico já tínhamos visitado algumas bastante bonitas, achámos que valia a pena despender aqui mais alguns minutos.
Apesar da tentação ser grande e termos os fatos de banho à mão, optámos por não ir a banhos. Mesmo assim enquanto ali andámos ainda tivemos o privilégio de ver uma famosa Caravela Portuguesa.


Regressámos ao carro, fizemos alguns quilómetros até que chegámos ao Parque Florestal do Capelo onde visitámos um pequeno Museu Etnográfico. O espaço é composto por várias habitações de outros tempos que foram totalmente renovadas para que os visitantes fiquem com uma ideia de como viviam os faialenses há pouco mais de 20 anos trás. Para além do museu a área possui também um bem tratado parque de merendas onde aproveitámos para fazer um pic-nic.


Tínhamos a informação de que não muito longe do Parque existia um trilho de curta duração que, segundo nos foi dito, terminava no interior da cratera de um antigo vulcão.
A caminhada é extremamente fácil e durante aproximadamente duas horas conduz-nos através da densa floresta. Como não tínhamos tempo para fazer todo o percurso optámos por realizar só uma pequena secção que nos levou a um túnel com cerca de cinquenta metros de comprimento que termina no interior do tal vulcão já extinto.


Ainda bem que decidimos vir até aqui porque, apesar da cratera não ser muito grande, foi uma experiência incrível e como não tivemos a oportunidade de descer à grande caldeira, a visita a este local acabou por atenuar de certa forma esse sentimento de perda.


Tínhamos mesmo de nos despachar pois estava previsto chegarmos à cidade da Horta ao final da tarde. 
O caminho de regresso à principal cidade da ilha foi feito pela mesma estrada que havíamos percorrido nessa manhã, mas desta feita no sentido inverso. A certa altura, já perto da costa sul, ainda fizemos um pequeno desvio e entrámos por um caminho secundário que nos levou à Ponta de Castelo Branco.


Agora sim com o dia praticamente a chegar ao fim queimávamos os derradeiros cartuxos da nossa viagem pelos Açores.
Perto das seis da tarde estávamos de volta à cidade da Horta. Aproveitámos para fazer umas compras e logo depois rumámos à Praia do Almoxarife, onde tínhamos encontro marcado com a Susana que nos iria acolher nessa noite.
Como chegámos um pouco mais cedo ainda demos um agradável passeio pela bonita vila situada à beira mar.



À hora marcada a nossa simpática anfitriã chegou, apresentámo-nos e seguimos para a sua casa onde jantámos na companhia da Caroline, uma rapariga francesa que apesar de viver e estudar em Lisboa estava naquela altura a passar uma temporada nos Açores.
Nessa noite comemos, falámos, rimos, partilhamos ideias, opiniões e estórias de viagens.
A Susana recebeu-nos de braços abertos e acabou por transformar as nossas últimas horas de férias num momento incrivelmente agradável. Gostaríamos deste modo, e mais uma vez, agradecer-lhe a disponibilidade.


Foram duas semanas brutais, cheias de experiências incríveis e paisagens quee dificilmente esqueceremos.
O arquipélago dos Açores é um destino cada vez mais na moda e pelo que vimos e vivemos, podemos garantir que este é o momento certo para visitar e conhecer este pequeno paraíso situado algures no meio do Oceano Atlântico.
Não sei se conseguimos, mas temos a esperança de que com estas crónicas possamos ter convencido os mais indecisos.
Nós vamos com toda a certeza regressar!
E vocês vêm connosco, certo?



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2 comentários:

  1. O Café Peter não ficou conhecido desde a Expo. Existe à mais de 60 anos e muito popular na comunidade marinheira - a nivel mundial.
    Quanto às pinturas no porto, não é uma 'tradição'. Tem que ver com a superstição. Se não deixarem a sua marca, poderão ter a viagem amaldiçoada.

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    Respostas
    1. Caro leitor.
      Agradecemos as informações prestadas que nos irão com certeza ajudar a melhorar o conteúdo.
      Cumprimentos.

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