segunda-feira, 13 de julho de 2015

. AÇORES-PICO #1


Podem acompanhar as nossas viagens e ver as fotos deste e de outros destinos na pagina do Diario das Viagens no Facebook.

.Dia #1

A nossa chegada à ilha do Pico foi tudo menos tranquila,porque supostamente aquela hora da manhã,na altura que deveríamos deixar S.Miguel,o tempo ao que parecia estava manhoso no nosso destino.Segundo nos foi transmitido pelo pessoal de terra do aeroporto de Ponta Delgada o nosso voo iria sair com algum atraso e muito provavelmente seguiria para a cidade da Horta na ilha do Faial.
Obviamente criou-se logo ali muita confusão,que foi sanada em poucos minutos pelos  funcionários do aeroporto tentaram explicar aos passageiros de que do Faial seguiríamos de barco para o Pico e a companhia "Sata" assumiria todos os custos desse transporte.
Com todo este "imbróglio" a nossa viagem para a ilha do Pico que deveria levar perto do cinquenta minutos acabou por se tornar numa longa aventura de quase cinco horas o que obviamente acabou por condicionar os planos que tínhamos para o nosso primeiro dia.



Já passava das três da tarde quando o ferry que nos transportou desde a cidade da Horta atracou no porto da cidade da Madalena.
Desembarcámos debaixo de um céu carregado de nuvens escuras e num instante estávamos ao volante do carro que havíamos reservado previamente na Auto Ramalhense que de todas as agências que consultámos foi aquela que melhores tarifas nos apresentou.
Devido ao atraso que tivemos o dia de hoje estava praticamente perdido e pouco ou nada conseguiríamos ver,mesmo assim decidimos que não iríamos ficar parados e dadas as circunstâncias a melhor opção para este final de dia foi dar-mos um "saltinho" à Gruta das Torres,que é o maior e mais longo tubo de lava existente na ilha e em todo o território Português.



Este era um dos locais que mais curiosidade nos despertava e sabíamos de ante mão que seria complicado conseguirmos uma vaga no "tour" de hoje,visto que não tínhamos feito reserva previa.
Assim que chegámos e ao ver a indicação "tour full" as nossas suspeitas ficam claras,e o entusiasmo deu lugar ao desalento.Mesmo assim não baixámos os braços e dirigimo-nos à receção onde fizemos um "choradinho" que acabou por resultar e lá arranjaram duas vagas para nós.Ficámos então a saber que só nos inseriram no tour da tarde porque a gruta iria estar encerrada nos dois dia seguintes.Que sorte!
Depois de pagarmos os sete euros por pessoa,fomos conduzidos para uma sala onde à semelhança do que se tinha passado dias antes na gruta do carvão vimos um curto filme informativo sobre a origem deste e outros tubos de lava existentes no arquipélago. 
Pouco depois e já equipados com capacetes e lanternas chegou a tão aguardada hora de descermos ao interior da terra.A entrada é feita através de um enorme buraco causado pelo abatimento de uma das secções que compõem a gruta que no total tem cinco quilômetros de comprimento.




Já no interior somos literalmente engolidos pela imponência e grandeza do local.A visita é realmente especial visto que ao contrário da gruta do carvão,aqui toda a iluminação existente é fornecida tão e somente pelas lanternas que trazemos connosco,razão pela qual não conseguimos fazer fotos da nossa visita.





Apesar do dia não ter começado da melhor maneira,nesta altura todos os pequenos problemas que tivemos já estavam esquecidos.As primeiras horas na ilha do Pico não podiam ter sido melhores.
Depois destes incríveis momentos deixámos para trás a Gruta das Torres e seguimos na direção de S.Roque do Pico,local onde ficava situado o alojamento que havíamos reservado para a nossa curta estadia na ilha.
Neste dia fomos dormir bem cedo na esperança de que a manhã seguinte nos trouxesse o tão desejado bom tempo que nos permitisse realizar o sonho de subir ao ponto mais alto de Portugal.

.Dia #2

Acordámos de madrugada e ainda com pouca claridade saltámos da cama,corremos para a janela do nosso quarto de onde esperávamos conseguir avistar o Pico.
As nuvem escuras teimavam em cobrir a totalidade da montanha e logo ali percebemos que hoje não conseguiríamos satisfazer os nossos desejos.Assim sendo restava-nos passar ao plano B.Amanhã teremos mais sorte com o tempo!



Depois de um reconfortante pequeno almoço,traçámos no mapa os planos para o dia de hoje e lá partimos nós ao volante do "nosso" Fiat panda à descoberta da segunda maior ilha do arquipélago.
Nas calmas rumámos na direção do centro de S.Roque do Pico onde tínhamos como objectivo visitar o Museu da Industria Baleeira.Pelo caminho cruzámo-nos com um dos vários moinhos típicos espalhados um pouco por toda a costa.Não resistimos e fizemos uma curta pausa para podermos tirar uma fotos.



Chegados a S.Roque seguimos directamente para a zona do porto onde está situado o Museu da Industria Baleeira que por ser domingo tinha entrada gratuita.
Este Museu,extremamente bem cuidado e que é acima de tudo um tributo aos antigos baleeiros,nasceu no local que noutros tempos acolheu uma fábrica onde eram produzidos óleos,fertilizantes,adubos e diversos produtos provenientes da gordura extraída dos cachalotes.



Atualmente encontram-se aqui expostos além das máquinas que faziam parte da fábrica,outros objectos usados pelos pescadores e uma infindável coleção de fotografias que relembram a época áurea da pesca à baleia.
Felizmente o bom senso tomou conta das pessoas e hoje em dia percebeu-se que estes gigantes do mar são muito mais rentáveis vivos uma vez que o lucro é bastante superior com o aumento do turismo e com todas as atividades que giram à sua volta.





De S.Roque seguimos pela estrada que acompanha o litoral norte da ilha até que chegámos à pequena localidade de Lajido,situada não muito longe do aeroporto e onde abundam casas típicas,algumas delas abertas ao público para que os visitantes possam perceber como seria o seu aspecto na altura da sua construção.




Foi neste local situado a dois passos do mar que nos cruzámos com as primeiras paisagens vinícolas tão características desta ilha.
Graças ao solo rico em nutrientes e ao clima extremamente propício a cultura de vinha começou no seculo XV e ainda hoje podemos ver um pouco por toda a ilha estas plantações que se encontram protegidas por muros de pedra vulcânica que se estendem  por encostas e planícies. 



Seguindo pela mesma estrada e somente alguns minutos depois fomos praticamente obrigados a fazer mais uma paragem.Igualmente situada no litoral a vila de Cachorro é ponto de paragem quase obrigatória para quem passa por estas bandas.



Além das habitações típicas e algumas lojas de produtos locais de onde destacamos uma que vende licores  e onde obviamente fizemos uma pausa técnica para molhar a guela,não deixámos passar a oportunidade de caminhar pelos vários passadiços que percorrem os rochedos situados à beira mar e onde se encontra o tal em forma de cão que deu o nome à localidade.


Depois de mais uns quilómetros alcançamos a cidade da Madalena,onde tínhamos chegado no dia anterior e onde hoje optámos por almoçar.
Com a barriga aconchegada ainda demos um pequeno passeio pela cidade e logo depois prosseguimos com o nosso trajecto que nos conduziu à vila da Criação Velha que é talvez a maior área de produção de vinho da ilha.




A extensão das vinhas neste local é realmente assombrosa.São vários quilómetros ocupados pelos pequenos "quintais" feitos de pedra vulcânica de cor negra que contrasta com a terra avermelhada e o verde da plantação.Este é sem duvida um dos mais bonitos cartões postais da ilha.



Numa altura em que o calor já se fazia sentir com alguma intensidade,deixámos o carro na pequena vila e caminhámos tranquilamente pelo meio das vinhas,.Atravessámos toda aquela área e sensivelmente a meio caminho cruzámo-nos com mais um bonito e colorido moinho de vento.




Lá ao fundo ja avistávamos o mar.
"-vamos até lá?" 
"-bora!"
Quando alcançámos a costa,deparámo-nos com uma paisagem surreal.O chão que temos por debaixo dos nossos pés,agora um enorme rochedo preto,foi outrora ocupado por rios de lava incandescentes.Aqui percebe-se claramente a origem vulcânica da ilha.
Bem à nossa frente ergue-se a ilha do Faial para onde iremos nos próximos dias.






Depois de regressarmos ao carro,abandonámos a estrada que percorre o litoral e seguimos pela estrada interior que liga a ilha de uma ponta à outra e que se revelou uma das mais bonitas por onde passámos.
Foi a partir deste momento que entrámos num mundo à parte,.Um mundo de paisagens de sonho pintadas de verde onde a natureza desempenha o papel principal e onde nós somos simples figurantes.




Desde que entrámos nesta estrada tivemos sempre a companhia da grande montanha que "caminhou" ao nosso lado durante vários quilómetros.Pouco a pouco foi perdendo a vergonha e com o passar dos minutos foi saindo debaixo daquele manto de nuvens no  qual se tinha escondido grande parte do dia.
A certa altura conseguimos ter o primeiro vislumbre completo daquele monstro que se erguia aos nossos pés.Tivemos vontade de sair a correr por aqueles campos verdes e subir aquela encosta coberta de cicatrizes deixadas pelas erupções de outros tempos.
Na impossibilidade de o fazer,detivemos-nos ali por por longos minutos em silêncio a contemplar aquela obra prima pintada pela natureza.



Seguimos sempre pelo mesmo caminho no qual nos cruzámos no máximo com dez carros e onde a certa altura perdemos quase um quarto de hora num enorme  engarrafamento de vacas leiteiras até que voltámos a esquerda e entramos numa estrada de terra batida que nos conduziria ao nosso próximo destino e ultimo destino do dia.



Se momentos antes o sol tinha dado ar da sua graça,agora que chegávamos à Lagoa do Capitão o nevoeiro tomara conta da paisagem envolvente.Não sei como será visitar este local com outras condições meteorológicas,mas a verdade é que aquele ambiente acabou por realçar a beleza dando-lhe de certo modo um ar misterioso.





Este foi o sitio ideal para terminar o dia,pois à semelhança do que se tinha passado praticamente em todos os locais onde havíamos estado nas ultimas horas,também aqui estivemos sempre sozinhos o que fez com que mais uma vez pudéssemos desfrutar de toda aquela paz.
A Ilha do Pico estava a ser uma agradável surpresa.
Amanhã há mais...

.Em baixo podem consultar todas as nossas crónicas sobre os Açores:
S.Miguel Dia 1
S.Miguel Dia 2
S.Miguel Dia 3
S.Miguel Dia 4
Ponta Delgada
Pico Dia 1
Pico Dia 2
Faial

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3 comentários:

  1. Amei as fotos, ainda não tive tempo para ler tudo, mas bate certo, o que li, com o que o meu filho me contou (esteve no Pico 10, 11, 12, 13 de Julho!Obrigada pela partilha e pelo bom gosto.
    P.S. Estive em P. Delgada de 4/7 a 9/7. adorei tudo)Maria Clara

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  2. Muito bom.............. Xico Fininho. ahahahah e não sou um Robot...........rssssssssss

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