sexta-feira, 21 de abril de 2017

. VERONA-MUITO MAIS QUE UMA HISTÓRIA DE AMOR


Naquela manhã de domingo,sabe-nos bem caminhar pelas ruas de Verona,na companhia daquele ventinho fresco que nos afaga o cabelo e nos arrepia a pele.
Na Piazza Brá,com a grande Arena Romana a servir de pano de fundo,o mercado de flores que ali se realiza por aqueles dias,começa pouco a pouco a ganhar forma.
Em conjunto com os feirantes que afincadamente montam as suas barracas,alguns cães vadios passeiam-se sem destino fixo e comem os restos de comida que por ali ficaram na noite anterior.
Ao redor,as esplanadas dos restaurantes ainda despidas de gente,são preparadas de forma a estarem impecáveis para receber turistas e locais que naquela manhã dominical,ali chegarão não tarda nada para tomar o pequeno almoço.






Ainda que de forma tenue,já se sente o palpitar desta cidade que lentamente vai despertando.Pelas ruas até ainda há pouco despidas de gente,vão agora circulando algumas pessoas que com rostos visivelmente ensonados,avançam de olhos postos nos telemóveis,em busca das novidades do dia. 
No final do que parece ser um beco escuro e sem interesse,surge a famosa Casa di Giulietta,que à nossa chegada se encontra estranhamente deserta.Não há mais ninguém naquele pátio interior a não ser um guarda que sentado num degrau,pouco ou nada tem que fazer.
Nas paredes escritas com marcadores de mil e uma cores,podem ler-se outras tantas mensagens de amor eterno,ali deixadas por visitantes apaixonados.A um canto e sob a famosa varanda que serviu de cenário imaginário de uma das cenas mais faladas da literatura romântica,ergue-se a estátua de Julieta,uma das personagens principais da história imortalizada por William Shakespeare.




A visita não demora muito tempo e saímos de cena com a chegada do primeiro grupo de turistas barulhentos.
Damos dois passos...três,entramos numa rua mais estreita e quase de imediato somos impedidos de continuar por um delicioso aroma a café que literalmente nos arrasta para o interior de um estabelecimento,onde um homem atrás do balcão aproveita aqueles momentos de calmaria para ler o jornal diário.Bebemos um expresso que nos aquece o corpo e seguimos o nosso caminho até à Piazza del Erbe.

Um pequeno mercado preenche grande parte daquele bonito espaço repleto de edifícios de arquitectura refinada,construídos muito provavelmente antes de Romeu e Julieta se conhecerem.
O tempo está cade vez melhor e ficamos por ali alguns momentos a observar toda aquela actividade. 
Por nós vão passando pessoas que pouco compram,aproveitam isso sim,aquela bela manhã de domingo para passear em familia.A uma ponta,à sombra de umas arcadas,um velhote vende os desenhos que provavelmente faz para passar o tempo e com os quais ganha uns cobres.A um par de metros um jovem usa o seu violino para entreter os clientes que ocupam as várias esplanadas existentes,com melodias boas de se ouvirem.




Ao lado a,Piazza dei Signori parece um mundo à parte.Deserta,sem viva alma,até a música parece não ter força para chegar ali.Além de nós só ali se encontra uma rapariga sentada nos degraus e a estátua de Dante que se ergue no centro daquele cenário medieval,onde aos poucos o sol vai entrando e realçando os detalhes que até agora se mantinham escondidos na sombra.
Não vamos longe.Para lá de um arco que dá início a uma pequena via,fazemos nova pausa,desta vez para admirar dois túmulos monumentais,entalados no meio de meia dúzia de outras construções.
No mapa que temos connosco,uma indicação assinala que a Casa do Romeu também fica algures nesta zona.
Trata-se de um edificio onde o acesso é,ao que parece interdito,e no qual se encontra afixada uma placa que assinala o local.Nada de especial...podia ter-se poupado a caminhada!





Ainda é de certa forma um pouco longe até ao próximo ponto assinalado no nosso mapa,talvez um quilómetro,que se faz de forma descontraída em cerca de meia hora. 
Vamos parando para admirar alguns detalhes que ocasionalmente nos chamam a atenção,e é quase sem darmos por isso,que chegamos ás margens do Rio Ádige,de onde já se avista o Castel San Pietro.
Atravessamos a Ponte Pietra que por aquela altura se encontra pouco congestionada e já para lá do antigo tabuleiro romano,fazemos uma curta paragem que nos permite observar toda a beleza daquele cenário tipicamente Italiano.





Uma escadaria que serpenteia através do corpo da pequena colina que ali se ergue,é o obstáculo que se segue.Degrau após degrau,avançamos pelas estreitas ruelas empedradas,que nos vão acompanhando naquele trajecto ascendente até ao Castel San Pietro.
A recompensa é-nos dada pela vista fantástica que se tem daquele ponto altaneiro.
Sentados num muro e ao mesmo tempo que recuperamos o fôlego,aproveitamos para comer umas bolachas que enganam a fome e têm o condão de atrair meia dúzia de pombos que de forma descarada insistem em manter-se por ali.
Lá em baixo é como se Verona se estendesse aos nossos pés.Linda,com as casas pintadas de cor pastel e aqui e ali as torres das igrejas que se erguem sobre o tapete vermelho criado pelos telhados da cidade .




Inevitavelmente regressamos ao ponto de partida.À beira da estrada uma placa indica a direção a seguir até ás ruínas do antigo Teatro Romano,onde acabamos por chegar num piscar de olhos.
O espaço é bonito de se ver.Depois de uma passagem pelo organizado museu,que acolhe peças de importância relevante do período da ocupação romana,a visita prossegue no antigo Teatro. 
Em conjunto com uma mão cheia de outros turistas,percorremos a grande bancada de pedra que em tempos certamente testemunhou um sem número de momentos da vida social daqueles tempos. 




O tempo avança e a fome que há pouco não passava de uma ameaça,começa agora a fazer-se sentir de forma permanente e quase incontrolável.Impõe-se que façamos nova pausa para aconchegar o estômago e aquela pequena pizzaria situada paredes meias com a Catedral de Verona,surge no horizonte como um oásis no deserto.
Duas fatias de pizza para cada um e uma cerveja servem de almoço improvisado que comemos sob as arcadas de um antigo palácio,num ritual que se tornou comum durante esta nossa viagem.




A tarde chega e com ela vem também aquele tom dourado que vai cobrindo a cidade e lhe dá um brilho especial.
Estamos de regresso ao centro,passamos sem parar pelo imponente Arco dei Gavi,sobre o qual se acumula um mar de gente.Mais à frente a muralha de tijolo do Castelvecchio anuncia a nossa chegada àquele que será um dos últimos locais que visitaremos na cidade. 
Acedemos ao espaço que durante séculos serviu de barreira aos ataques inimigos e que atualmente alberga um museu que acabámos por não visitar.
Voltamos a atravessar o rio,desta feita pela bonita ponte que liga o castelo à margem oposta e partilhamos aquele corredor em forma de fortaleza com várias dezenas de pessoas que aproveitam o bom tempo daquela tarde de domingo.





Este momento soube-nos a despedida.
Restava-nos recuperar as mochilas que haviam ficado guardadas no hotel e seguir viagem em direção a Bolonha.

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terça-feira, 18 de abril de 2017

.PÁDUA-ITÁLIA


É sábado e as ruas de Pádua naquele início de dia encontram-se despidas de gente.Tal como vem sendo hábito o tempo está fantástico e pouco a pouco o sol vai enchendo de luz a cidade e fazendo subir a temperatura que a esta hora já deve rondar os 12°C. 
No caminho para o chamado centro histórico,passamos pela estação ferroviária,onde na véspera tivemos o primeiro contacto com a cidade e que agora serve de tecto a alguns sem abrigo que se preparam para mais um dia...provavelmente igual a tantos outros!
A primeira ideia que salta à vista é que esta é uma cidade completamente diferente de Veneza,menos vistosa,com um ambiente mais metropolitano e onde qualquer visitante se confunde facilmente com alguém que por ali vive.



Cruzamos uma ponte e quase de imediato chegamos ao Giardini dell'Arena que naquela manhã recebe sobretudo a visita de alguns moradores que passeiam os seus animais de estimação e uma mão cheia de corajosos que ali vêm realizar o seu jogging matinal.
Do lado de lá da vedação que delimita o espaço,jazem os vestígios silenciosos de uma antiga arena romana e um pouco mais à frente já se avista a Cappella deli Scrovegi que temos esperança de conseguir visitar,mesmo sabendo que seria necessário realizar uma pré-reserva on-line,que por negligência nunca chegámos a fazer.
No anexo onde está instalada a bilheteira o movimento é grande.Serpenteamos por entre os vários grupos de pessoas que aguardam a sua vez de entrar e já no balcão somos informados que as visitas estão completas até ao final do dia.Insistimos uma e outra vez,mas não há volta a dar.



Após aquela desilusão inicial,retomamos o caminho e entramos numa zona da cidade que nos agrada bastante.Vários edifícios,talvez centenários embelezam as largas avenidas que com a abertura de algumas lojas,começam lentamente a palpitar de energia.
Passamos pelo mítico Caffé Pedrocchi que em tempos passados foi palco de importantes acontecimentos políticos e sociais da história do país e onde também em 1848 teve início a rebelião estudantil italiana contra a ocupação austríaca.




Compramos uma garrafa de água num supermercado ali próximo e seguimos o nosso caminho cada vez mais embrenhados pelo ambiente boémio do centro histórico que seguramente na noite anterior presenciou os excessos dos estudantes que frequentam aquela que é considerada a mais antiga universidade do país.
É através de uma rua ladeada de arcadas que se alongam por várias dezenas de metros,que acedemos à Piazza della Frutta,que naquela manhã vive momentos de grande agitação muito por culpa do mercado que se estende igualmente à Piazza delle Erbe.Aqui,e por breves momentos ,temos a oportunidade de conhecer e vivenciar um pouco do quotidiano das gentes de Pádua.
No meio e completamente abafado por estes dois espaços públicos animados pelos pregões dos vendedores,ergue-se o Palazzo della Ragione que apesar da sua incrível beleza exterior,passa completamente despercebido face ao aparato e rebuliço que por ali se vivem.






Mais à frente,outra praça e outro mercado.A Piazza dei Signori que habitualmente se encontra preenchida por esplanadas,está hoje coberta de pequenas tendas sob as quais se compram e vendem todo o tipo de produtos.
É de certa forma interessante sentir o ambiente que se vive nos mercados,mas todo aquele aparato insiste em não me deixar fotografar e acabamos por abandonar o espaço sem o registo que pretendia.
Num dos extremos da praça,uma espécie de túnel atravessa o Palazzo del Capitanio e faz-nos passar sob o Relógio Astronómico.



Estamos de regresso à calma das ruas secundarias da cidade,onde antigos palácios se misturam com habitações mais recentes,num equilibro arquitectónico pouco comum.
As arcadas sucedem-se e é sobre elas que caminhamos até perto do Duomo di Padova que se encontra estranhamente deserto.Na praça em frente,uma velhota alimenta os pombos que lhe pousam nas mãos,revelando a confiança adquirida ao longo de vários anos de convivência.
A entrada na Catedral é gratuita e fazemos questão de visitar o interior do imponente edifício religioso do qual esperávamos um pouco mais.
Numa construção anexa,situa-se o Batistério,uma autêntica obra de arte à qual se pode aceder através de uma porta exterior e mediante o pagamento de três euros.





À saída e ainda nas imediações da catedral,questionamos um senhor sobre qual a direção a seguir,e tal como suspeitávamos o caminho é sempre junto ao canal.
As ruas são bonitas,mas falta-lhes algo e não nos causam empatia.Esta é a sensação que transportamos connosco desde o início do dia.
Mais um canal,mais uma ponte e chegamos ao local pretendido.A Torre do Observatório rasga a linha do horizonte e destaca-se de todos os edifícios que preenchem o nosso campo de visão.Sabemos de ante mão que não é possível entrar,mas é sem dúvida uma obra marcante que merece ser apreciada,mais que não seja pelo bonito enquadramento que a envolve.
Sentamo-nos por ali,bebemos água,comem-se umas bolachas e dá-se um pouco de descanso ás pernas que já se ressentem dos esforços a que têm sido sujeitas.




Estamos de volta à estrada.Entretanto começa a soprar um ventinho agradável que transporta para nós o burburinho que vem da principal praça da cidade.
A poucos metros de chegarmos,o ruído aumenta de tom e as nossas suspeitas confirmam-se...mais um mercado.
O Prato della Valle que é considerada a maior praça de Italia é de facto um espaço incrível,que impressiona desde o primeiro momento.Na zona mais perto do centro um canal circunda uma pequena ilha à qual se acede através de quatro pontes de pedra.
O local é o ponto de encontro de eleição dos habitantes da cidade que aqui se juntam para conversar,estudar e é ocasionalmente o refúgio de alguns casais de namorados que sem pudor,trocam mimos sob o olhar atento das 78 estátuas de ilustres filhos da cidade. 
Damos uma volta,absorvemos os detalhes e saboreamos o ambiente descontraído que parece pairar no ar.






Inevitavelmente acabamos aquele passeio a olhar para a fachada da Basílica de Santa Giustina,situada no lado mais estreito da praça.
As portas estão fechadas.Aproximamo-nos para perceber o que se passa e constatamos que não vamos conseguir visitar este local que só volta a abrir por volta das três da tarde.
Este impedimento acaba por não alterar os nossos planos e a partir deste momento iniciamos o caminho de volta ao ponto de partida,ainda com uma ou duas paragens previstas no roteiro.

A Via Beato Luca Belludi leva-nos em menos de dez minutos até aquela que parece ser o mais importante espaço religioso da cidade.
A Basilica di Santo António foi aqui erguida para receber os restos mortais do santo,que segundo rezam as crónicas passou os seus últimos dias de vida em Pádua. 
Ao redor a confusão é grande,mostrando que este é um autêntico local de preguiçando diária.À nossa volta temos grupos de pessoas,carros,autocarros,lojas e bancas de rua que ocupam todos os espaços daquela praça que se estende em frente do grandioso edifício.





Sentamo-nos num muro a observar tudo o que por ali se passa,com a secreta esperança que por momentos toda aquela agitação acalme.Esperamos cinco...dez minutos e nada se altera.
Entramos e faltam-nos as palavras para descrever o que vemos.As paredes e tectos de todo o espaço encontam-se preenchidos de pinturas e imagens de cariz religioso.À nossa esquerda,uma fila que se estende por talvez uma dezena de metros revela que é ali que assenta o famoso Túmulo de Santo António que se encontra protegido por uma espécie de claustro interior. 
Por detrás do altar principal,numa pequena capela estão expostas uma serie de relíquias pertencentes ao santo e às quais,fieis e visitantes vêm prestar a sua homenagem.







A visita acaba por se prolongar por mais tempo que o previsto e quando abandonamos o local os estômagos começam a reclamar.Paramos numa pizzaria onde compramos duas calzones e uma cerveja,que levamos e comemos pouco depois sentados na Piazza dei Signori que continua repleta de tendas.
Pádua estava vista e este almoço já perto da hora do lanche soube-nos a despedida.
Nessa tarde recuperámos as mochilas que haviam ficado no alojamento e seguimos de comboio rumo a Verona.
A viagem continua....




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