quinta-feira, 21 de setembro de 2017

.O QUE COMER NA GRÉCIA


Viajar não é só conhecer novos mundos e culturas.Viajar é também ter a oportunidade de se lançar à descoberta da gastronomia de um local.
Sentir os cheiros e sabores dos pratos típicos de um país ou região é um ritual que na nossa opinião deve ser adotado por todos os viajantes de forma a enriquecer a experiência e criar laços com o destino que visitamos.

Na nossa viagem pelas ilhas gregas do Dodecaneso apaixonámo-nos pelas pessoas com quem nos cruzámos,pelas paisagens que o nosso olhar contemplou e claro...pela deliciosa comida grega que a cada nova refeição se revelava uma das suas maiores riquezas. 

Nos dez dias que por lá permanecemos,tentámos sempre que possível,desvendar os sabores locais,uns mais conhecidos e com os quais já estávamos familiarizados,outros totalmente novos,mas como seria de esperar,todos eles baseados na cozinha mediterrânea que em muitos dos casos se assemelha à praticada em Portugal.

Eis alguns dos pratos que fizeram parte da nossa ementa diária durante o breve período que permanecemos por terras gregas.

.Gyros
Trata-se de uma espécie de sandwich feita com pão pita,recheada com carne,salada,batata frita e o famoso molho típico de iogurte (tzatziki). 



.Salada Grega
Provavelmente o prato mais famoso na Grécia e ideal para ser comido numa esplanada à beira mar num dia de praia.
Existem várias opções mas a mais comum é servida com pepino,tomate,cebola,pimento,azeitonas e o famoso queijo feta.Pode ser regada com um fio de azeite.



.Moussaka
É semelhante à lasanha,contudo a massa é substituída por camadas de berinjela cortadas ás rodelas e intercaladas com carne de cordeiro,temperada com canela e molho branco.



.Stifado
Um dos pratos mais delicioso que provámos.É um tipo de ensopado de carne,temperado com vinho tinto,molho de tomate,alho e louro.É servido em conjunto com pequenas cebolas cozidas.



.Kebab
Carne picada e temperada com várias especiarias que posteriormente é grelhada.Embora possa ser comida no pão pita,é normalmente servida no prato e acompanhada por batata frita,salada e iogurte grego.



.Camarões 
Ora aqui está outro delicioso petisco para comer à beira mar.Na Grécia,especialmente nas regiões costeiras podemos encontrar uns camarões bebés que são servidos cozidos e temperados com alho,coentros e sumo de limão. 



.Pastitsio
Mais uma espécie de lasanha,contudo esta receita é confeccionada com massa penne intercalada com carne picada e o inevitável molho branco.



.Polvo
Um dos pratos mais típicos do país.Há até quem diga que o melhor polvo do mundo se come na Grécia e como seria de esperar nós provámos e comprovámos que é realmente divinal.



.Souvlaki
Pequenas espetadas de carne grelhada,normalmente acompanhadas por batata frita salada,pão pita e molho de iogurte (tzatziki).



.Sardinhas
O modo de preparação deste prato é bastante idêntico ao que conhecemos em Portugal.As sardinhas são grelhadas na brasa e servidas com azeite,vinagre,muito alho e sumo de limão.



Em suma...a culinária grega é quase tão rica e interessante quanto a cultura do próprio país.Graças ao seu clima temperado e proximidade com o mediterrâneo,os ingredientes produzidos são incríveis e com uma qualidade única,facto que na nossa opinião contribui bastante para os sabores intensos,presentes em grande parte dos pratos que tivemos a oportunidade de provar.


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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

.LINDOS-A GRÉCIA EM TONS AZUL E BRANCO


Os quilómetros que antecedem a nossa chegada a Lindos são espetaculares.
Ao longe já se avista o Castelo,empoleirado no topo de uma colina na qual se aconchegam ruas e casinhas pintadas de branco que a esta distância mais parecem um gigantesco bolo de noiva que aumenta de tamanho a cada metro que avançamos.Lá em baixo e para completar esta espécie de cartão postal,um mar tão azul que no horizonte se funde na perfeição com o céu,onde dezenas de gaivotas dançam ao ritmo da leve brisa que se faz sentir.



Deixamos a scooter num dos vários parques de estacionamento existentes e sem tempo a perder iniciamos a caminhada pelas estreitas ruas que galgam a encosta na direção da fortaleza.
Pelo caminho testemunhamos a azafama diária de algumas habitantes locais que preparam as suas bancas improvisadas,onde mais tarde tentarão vender os seus bordados aos muitos visitantes que por aqui passarão durante as próximas horas.
A subida maltrata-nos as pernas mas a vista fantástica sobre aquele manto branco que se estende cada vez lá mais em baixo,vai-nos distraindo os sentidos,e as muitas paragens fotográficas que vamos fazendo acabam por ser uma benção para os músculos.



Ainda é cedo e o interior das muralhas permanece envolto numa estranha calma que seguramente terminará não tarda nada com a chegada dos autocarros carregados de visitantes trazidos das muitas estâncias turísticas existentes na ilha.
Sobre um chão irregular de onde brotam rochas que nos dificultam a caminhada,erguem-se os vestígios da antiga Acrópole que foi durante um largo período o principal centro religioso e político de Rhodes.




As colunas existentes em grande número marcam os locais exactos onde em tempos existiram templos,palácios e edifícios públicos que atualmente não passam de pedaços de história onde milhares de pessoas se acotovelam diariamente em busca da selfie perfeita. 
Tal como no passado o mar continua presente e num movimento subtil vai massajando os pés daquela colina de onde se avistam duas bonitas praias onde certamente nos banharemos mais tarde.





O regresso à aldeia é feito numa espécie de viagem em contra-mão no meio de um carreiro ininterrupto de pessoas que por esta altura preenche toda a extensão do trilho que ainda há um par de horas percorremos de forma tranquila.

O casario assemelha-se agora a um gigantesco formigueiro.Ao longo daquela que parece ser a rua principal sucedem-se lojas,restaurantes,cafés e até uma espécie de curral onde se amontoam dezenas de burros que na sua vida inglória,têm como única missão transportar os turistas mais preguiçosos até ás portas da fortaleza.

Para lá desta confusão superficial,existe uma aldeia genuína,pronta a ser descoberta.Uma aldeia sem algazarras e onde caminhamos por ruas e ruelas calcetadas com pequenos seixos pretos e brancos que nos conduzem por entre casas senhoriais onde um brasão esculpido sobre a entrada assinala que naquele local viveu em tempos uma família abastada.
Uma aldeia onde aqui e ali nos cruzamos com portões abertos que de forma indiscreta nos revelam um pouco da intimidade de quem ali vive.Uma aldeia onde velhotas sentadas à sombra conversam no seu dialeto irracional,mas que à nossa passagem sorriem e nos cumprimentam com o já familiar Kaliméra.
É esta face de Lindos que amamos e na qual sabe bem passear.





Quase sem darmos por isso chegamos ao antigo anfiteatro que no passado foi palco de grandes representações e de onde já se avista o mar.Lá em baixo avista-se a fantástica St.Paul's Bay,com o seu pequeno areal branco repleto de guarda-sóis e as suas água azuis turquesa que convidam a um refrescante mergulho.
Entre banhos de mar e sol ficamos por ali um par de horas até o estomago nos lembrar que tem de ser reabastecido.





Inevitavelmente voltamos a pisar as artérias da aldeia branca onde o ambiente ainda se mantêm bastante agitado com aquela multidão que parece recusar-se a dispersar.
A pausa que fazemos num pequeno restaurante situado numa das ruas secundarias serve de pretexto para matarmos a fome com umas deliciosas saladas Gregas regadas com uma cerveja local bem fresca.



O calor não dá tréguas e um mergulho nas águas cristalinas da Praia Megálos Gialós acaba por fechar com chave de ouro a nossa passagem por Lindos.


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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

.VALE DAS BORBOLETAS-RHODES


A beleza das ilhas gregas vai muito para além das praias de sonho banhadas por águas translúcidas que preenchem o imaginário de muitos viajantes.
Existem outros locais igualmente especiais,onde o azul do mar é substituído pelo verde das árvores e onde a natureza nos surpreende com alguns dos seus mais belos caprichos.São locais onde o silêncio é palavra de ordem e que a cada novo passo nos deparamos com cenários que nos deixam sem palavras.
São banhos de floresta...como lhe chamam!

Na ilha de Rhodes,existe uma bonita floresta que ainda se mantém em estado bruto e no interior da qual temos o privilégio de assistir a um dos mais incríveis espetáculos que a natureza tem para nos oferecer.
Todos os anos milhões de pequenas borboletas viajam até ao Vale de Petaloudes,com o intuito de se reproduzirem,permanecendo na área por longos períodos,transformando numa tela viva os troncos e folhas das árvores existentes ao longo do riacho que por ali corre.








O clima fresco e húmido são o habitat perfeito para estes pequenos seres que surpreendemente não se alimentam durante a sua curta existência,sobrevivendo somente com as energias acumuladas ao longo do período em que foram uma lagarta.
É por estas razões que logo à chegada e ao longo do percurso nos são relembradas por diversas vezes algumas regras.Regras essas que devemos seguir religiosamente para que de uma vez por todas se tente inverter a diminuição da população de borboletas muitas vezes vitimas da ignorância de alguns visitantes menos conscientes.

O trilho que serpenteia sob a sombra fornecida pelas copas das árvores,sobe e desce o vale ultrapassando cascatas e pontes de madeira,e é realizado sempre na companhia destes seres graciosos que ora esvoaçam ora se mantêm imóveis,concentrados em grandes grupos.

É caso para dizer....silêncio que as borboletas estão a descansar!







-Informações Praticas
.O Valley of the Butterflies fica situado a cerca de 30 Km's da cidade de Rhodes e pode ser visitado de forma independente para quem alugou um carro ou mota.Existe também a possibilidade de chegar ao local através de uma dos muitos tour's diários com inicio em várias zonas da ilha.
.Cinco euros acesso a este parque natural que se encontra aberto das 8:00 ás 20:00.
.Caso haja interesse,os visitantes podem almoçar nos vários restaurantes existentes junto das entradas. 

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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

.RHODES OLD TOWN-A CIDADE DOS CAVELEIROS


O dia inicia-se cedo...muito cedo!
Ainda não são sete da manhã e já caminhamos junto à muralha exterior da zona antiga da cidade de Rhodes.
Os primeiros raios de sol surgem para lá das torres de pedra gastas pelo tempo e que anunciam a nossa chegada à imponente Porta de St.Athanasios por onde penetramos num mundo que outrora pertenceu a cavaleiros,cruzados e destemidos marinheiros.
As ruas empedradas que tantos passos testemunharam,encontram-se a esta hora desertas e envoltas numa penumbra silenciosa que lhe confere um ambiente um tanto ou quanto sinistro.





De súbito,um saboroso cheiro a pão fresco invade o ar e abre-nos o apetite que é saciado com umas empadas de queijo e fiambre compradas numa pastelaria acabada de abrir.
Continuamos o nosso caminho em silêncio,tentando manter o rumo naquela espécie de labirinto que só os seus habitantes e os muitos gatos vadios existentes conhecem de cor. 
No horizonte,sobre os telhados das casas já se avista a cúpula da Mesquita Mostafa que nos serve de ponto de referência e nos indica a direção a seguir.
Cruzamos pequenas praças ocupadas por esplanadas desertas que mais tarde se encontrarão repletas de turistas,e entramos em becos fotogénicos,decorados com flores coloridas que pendem dos vasos de barro alinhados cuidadosamente por quem ali vive.
Rhodes revela-se a cada passo que damos...



Ao lado da mesquita encontra-se o típico lava pés que no passado tantas vezes foi usado mas que por estes dias já não funciona.Uns metros mais à frente,estão situados os antigos Banhos Turcos,que embora ainda em uso parecem-nos um pouco deixados ao abandono.

As lojas vão abrindo portas e pouco a pouco as ruas ganham vida e vão acordando para mais um dia que se espera de muito movimento.As bancas são preparadas,os restaurantes aprumados e as esplanadas ficam prontas para receber os milhares de turistas que seguramente já vêm a caminho.
Por agora ainda são poucos.Só talvez os mais corajosos se aventuram a estas horas vespertinas para de forma tranquila sentirem o pulso da cidade.





Ao fundo num dos pontos altos da cidade,surge o minarete da bonita Mesquita Suleiman que pintada num vermelho pálido contrasta com o intenso azul que a esta hora já cobre todo o céu.Logo ao lado,num edifício bem cuidado visitamos a bonita Biblioteca Muçulmana e quando passamos pela Torre do Relógio os ponteiros aproximam-se das oito horas. 

Dalí até à mítica Rua dos Cavaleiros é um saltinho.Aquela que é considerada uma das mais bonitas artérias da cidade,ainda se encontra praticamente despida de gente e facilmente consigo fazer algumas fotos do local num estado raro de se ver.




À chegada ao Palácio do Grão Mestre é-nos impossível não ficar por momentos ali imóveis a desfrutar da beleza daquele imponente edifício.Lá dentro o espetáculo continua e mais uma vez damos connosco a viver estórias de cavaleiros,reis e rainhas que com toda a certeza se passearam por aqueles corredores e salas frias hoje ocupadas por uma rica coleção de peças que testemunham a sua presença na ilha.

Para nossa surpresa,quando regressamos ao exterior,o cenário alterou-se por completo.Muitas pessoas,uma autêntica multidão parece agora asfixiar as ruas daquela cidade onde até há pouco se respirava tranquilidade.A Rua dos Cavaleiros,outrora repleta de estalagens e mais tarde palco do centro do poder Otomano na ilha,assemelha-se agora a um mar de gente que sobe e desce a calçada de pedra ao longo da qual vários artistas de rua mostram as suas artes em busca de uma eventual moeda dada por um turista mais generoso.




Já perto da muralha e sem dificuldade damos com a Igreja Our Lady of the Castle,o Museu Arqueológico e o Museu de Artes Decorativas que visitamos com o bilhete combinado que havíamos comprado no Palácio do Grão Mestre.

O movimento intensifica-se a cada minuto que passa e de forma consensual resolvemos abandonar as ruas principais e rumamos a uma área mais interior em busca de alguma calma.Afastamo-nos não mais de trinta metros e subitamente tudo muda.De repente o silêncio volta a pairar no ar,quebrado aqui e ali pelo cantar dos canários prisioneiros das várias gaiolas penduradas nos alpendres.A calçada é agora mais grosseira e as lojas e restaurantes de aspecto imaculado que preenchem a zona turística,dão por aqui lugar a habitações modestas repletas de estórias e que seguramente já acolheram um sem número de gerações.
Passamos sob arcos de pedra que ligam as casas de ambos os lados da rua,por mercearias que abastecem quem por ali vive,por pequenas tascas pouco iluminadas onde meia dúzia de velhos cumprem um ritual quotidiano,e logo depois,sem que nada o fizesse prever,os nossos passos terminam numa bonita Sinagoga onde à entrada se presta homenagem aos judeus que daqui foram levados pelos nazis e nunca mais regressaram.



Como vem sendo hábito,o almoço acaba por chegar para lá da hora.Um acolhedor restaurante de onde se destaca a magnífica esplanada é o palco escolhido para a refeição,e mais uma vez nos deliciamos com os típicos Giros Pita,regados com uma cerveja local que tem o condão de nos refrescar os corpos maçados pelos vários quilómetros já percorridos.



Para lá das muralhas,numa minúscula praia,meia dúzia de veraneantes banham-se nas águas calmas daquele mar que parece extinguir-se nos dois enormes navios de cruzeiro que ali permanecem imóveis,esperando o regresso dos passageiros que a esta hora gastam os últimos cartuxos daquela breve passagem pela cidade. 




O tempo está excelente e a leve brisa que agora sopra seria seguramente suficiente para fazer girar as pás dos diversos moinhos de vento que se alinham ao longo do paredão que nos conduz até ao Forte de S.Nicolau,ocupado atualmente por um farol que quando a noite chegar guiará as embarcações até ás aguas calmas da marina.
O famoso Colosso de Rhodes foi-se,mas nunca foi esquecido e o local onde em tempos se ergueu uma gigantesca estátua de Hélios é agora assinalado por duas colunas de pedra que servem de ponto de encontro de pescadores que lançam as suas linhas enquanto ao longe os sinos de uma qualquer igreja anunciam a chegada das cinco da tarde.

Para nós este é o local que assinala o fim de mais um dia...

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