segunda-feira, 10 de agosto de 2015

.SINGAPURA-UMA ÁSIA DIFERENTE


Singapura é seguramente uma das mais incríveis cidades que já visitámos. Apesar de estarmos na Ásia a verdade é que esta é uma Ásia diferente, completamente virada para o ocidente e onde abundam edifícios altos, modernos de arquitetura arrojada. Em suma aqui respira-se modernidade e pode-se mesmo dizer que este era um local ao qual nos adaptaríamos facilmente e para onde nos mudaríamos de bom grado. Contudo e por se tratar de uma cidade bastante organizada os habitantes locais e estrangeiros estão sujeitos a regras e leis que à primeira vista, e para os padrões ocidentais, podem parecer ridículas mas que só servem para melhorar o nível de vida de quem aqui vive.

Convêm saber que em Singapura é proibido fumar, assim como mastigar pastilhas elásticas (chiclete) quer seja na rua ou em qualquer outro espaço publico. É igualmente interdito comer ou beber nos transportes públicos  e quem atravessar uma estrada fora da passadeira ou com o sinal de peões vermelho sujeita-se a apanhar uma multa mínima de 500 dólares de Singapura.
Para quem pensa que a fraca presença de policia na rua poderá incentivar o crime ou as transgressões isso é pura utopia pois por todo lado existem câmaras de segurança e qualquer comportamento ou atitude menos própria será facilmente detetado, por isso o melhor mesmo é não facilitar! 
Sendo esta uma cidade-estado a verdade é que inicialmente foi para nós um pouco estranho pois não sabíamos se estávamos num país que é uma cidade ou uma cidade que é um país.



.DIA 1

A nossa chegada a Singapura foi um misto de emoções, pois apesar de este ser um local que nos despertava alguma curiosidade e que há muito desejávamos visitar, acabou por ser também aqui que terminávamos a viagem pelo sudeste asiático que iniciáramos duas semanas antes em Hong Kong
Nós e à semelhança de muitos outros viajantes entrámos no país vindos da Malásia, mais concretamente de Malaca , onde por 15 MYR apanhámos um bus direto que só pára na fronteira para que possamos tratar das formalidades obrigatórias.
Perto das onze da manhã quando alcançamos a última paragem do dito autocarro. Completamente perdidos e sem dinheiro do país a nossa prioridade foi como é óbvio trocar os poucos  Ringgits malaios que trazíamos no bolso por dinheiro local. 

Tratámos do assunto num dos centros comerciais ali existentes, onde pela primeira vez testemunhámos a simpatia do povo de Singapura. Foi o prestável empregado da casa de câmbio que nos explicou que estávamos bastante longe da chamada Little India, local onde se situava o HOTEL que havíamos reservado na véspera. 
-"O melhor mesmo é apanharem o bus que passa em frente ao centro comercial e pedirem ao motorista para vos deixar o mais perto possível do vosso destino"-Assim fizemos!
Depois de uma meia hora dentro do autocarro a percorrer as ruas de uma Singapura que que nunca imaginamos que existisse (com casas velhas, muitas delas em condições pouco condignas) o motorista convidou-nos a sair indicando-nos a direção a seguir.
Achei que estávamos um pouco longe do ponto que pretendíamos e hesitei em seguir o seu conselho. Ainda assim o homem insistiu que esta seria a paragem mais perto.
Embora pouco convencidos seguimos caminho e com as pesadas mochilas ás costas iniciamos a longa caminhada que se prolongou por talvez trinta minutos.

À nossa passagem pela zona de China Town, cruzamo-nos com um bonito e elegante templo budista que segundo percebemos se chama Buddha Tooth Relik Temple e que é um dos mais famosos da cidade. Limitamo-nos a observar o exterior pois como estávamos carregados com as mochilas não nos foi permitida a entrada.



Se ao inicio além do peso das mochilas o sol escaldante dificultou em muito a tarefa, a verdade é que de repente e sem que nada o fizesse prever fomos massacrados com uma chuvada que nos obrigou a fazer uma pausa.
Que tempo estranho este o de Singapura!
Pouco depois e com a chuva a terminar tao rápido como começou, chegámos ao hotel onde depois de um rápido check in , deixámos a bagagem, saindo quase de imediato.
Agora sim vamos conhecer Singapura!



Como já referi, ficámos instalados na área de Little India que tal como o nome diz, é a zona onde está concentrada a comunidade indiana que se estabeleceu na cidade. Foi aqui que iniciámos oficialmente a visita a Singapura e onde pela primeira vez sacámos da máquina fotográfica. Destaque para um quarteirão composto por dezenas de casas coloridas e onde perdemos literalmente a noção do tempo que por ali gastámos.




Para além dos diversos templos que se situam ao longo da rua principal e onde acabámos por presenciar o que pareceu ser uma cerimonia importante. Apesar de não termos conseguido inquirir se se tratava de um ritual diário ou ocasional, tentámos desfrutar e absorver a intensidade vivida em cada um daqueles momentos.





A cerimónia terminou e ligo ali, num pequeno e barato restaurante indiano reconfortámos o estômago que por esta altura já reclamava. Só mais tarde é que viríamos a perceber que esta foi a melhor decisão que tomámos, pois os preços das refeições nos restaurantes situados no "centro" são provavelmente os mais altos que alguma vez encontrámos nas nossas viagens pela Ásia.



Comprámos um Cartão Recarregável, apanhámos o Metro e seguimos em direção à famosa zona da Marina onde nos iríamos manter até ao anoitecer.
O dia já ia longo e decidimos que as horas seguintes seriam basicamente para "apalpar" terreno e apreciar as vistas. E que vistas! 
Esta área ribeirinha, foi literalmente conquistada ao mar tornando-se um dos pontos mais badalados e modernos da cidade. O terreno encontra-se repleto de arranha-céus que acolhem os escritórios de grandes multinacionais. Diante nós temos a visão perfeita do capitalismo que reina por estas bandas.



Andámos por ali sem pressas, sem destino. Passámos pelo famoso Merlion e lá ao fundo já vemos o edifício que marca a identidade de Singapura. Marina Bay Sands é uma autêntica obra prima da engenharia que atrai todas as atenções de quem se encontra nesta zona. 




Quando anoitece a baía ganha vida. Cada canto, cada edifício, cada ponte... todo se ilumina  a cidade transforma-se num local mágico, totalmente diferente daquele que vimos um par de horas antes. 
A cereja no topo do bolo é o Show de Luzes que tem lugar diariamente ás 20:00 e 21:30 (de domingo a quinta) e 20:00,21:30 e 23:00 (sextas e sábados).







Nessa noite ainda deambulámos pelo Clark Quay, que é um dos principais pontos de encontro noturnos e onde funcionam alguns dos mais dispendiosos restaurantes da cidade.
Com um orçamento que não não permitia cometer loucuras acabámos por jantar num restaurante de fast-food não muito longe dali. 





.DIA 2

Depois de um ótimo pequeno almoço, abandonámos o hotel e já de mochila ás costas, passámos pelo Arab Quarter. Percorremos aquelas ruas que nos iam mostrando mais uma vertente desta incrível cidade e parece fazer questão de nos surpreender a cada novo passo dado. 



Apanhámos o metro e regressámos à Zona da Marina.  
O tempo está ótimo e o objetivo agora é ver-nos livres das mochilas grandes de forma a libertarmo-nos do peso de forma a termos mais liberdade de movimentos. 
Optámos por deixa-las nos cacifos que se situam junto ás bilheteiras dos pavilhões Flower Dome e Cloud Forest que tencionávamos visitar mais tarde.
Por agora e já mais à vontade queríamos subir ao topo do fantástico Hotel Marina Bay Sands.



-AS TRÊS FORMAS PARA VISITAR A PLATAFORMA PANORÂMICA DO MARINA BAY SANDS


  • A primeira e a mais dispendiosa é ficar alojado no hotel. Desta forma é possível aceder ao espaço sempre que vos apetecer e até desfrutar da fantástica piscina panorâmica reservada somente aos clientes.
  • A segunda é menos dispendiosa. Basta pagarem 23 SGD para poderem visitar e permanecer por tempo ilimitado nObservation Deck de onde terão uma vista incrível sobre toda a cidade. 
  • A terceira é seguramente a mais económica e obviamente aquela que escolhemos. E se vos dissermos que subimos ao topo e não pagámos um cêntimo?  Foi exatamente isso que aconteceu e passamos a explicar como fizemos. O método é simples. Em vez de apanhar o elevador para o deck de observação, subimos no que dá acesso ao bar que se situa lá no cimo e se chama KU DÊ TA BAR/LOUNGE.
  • Uma vez lá em cima só consomem se quiserem e podem desfrutar da excelente panorâmica que o terraço oferece.Nós não consumimos porque nesta altura da viagem o orçamento já estava apertado,mas vimos o menu e reparámos que um Ice Tea custa pouco mais de 8 SGD.


Ficámos por ali talvez uns quinze minutos e durante esse período ninguém nos veio "chatear" ou obrigar a consumir. 





Ainda na zona da Marina é impossível não reparar na extravagante construção em forma de flor de lotus onde funciona o Museu de Arte e Ciência, inaugurado em 2011 e que em conjunto com as três torres do hotel é dos locais mais fotografados da cidade. 



Para os amantes de compras sugerimos uma visita ao enorme e moderno Centro Comercial situado nos pisos interiores do Marina Bay Sands. Além das lojas das grandes marcas mundiais destacamos o rio interior onde quem quiser pode dar uma voltinha de gôndola. 
Ainda nesta zona e com entrada a partir do centro comercial não podemos deixar de visitar os fantásticos Gardens by the Bay



Este local inaugurado em 2012, rapidamente se converteu numa das principais atrações turísticas da cidade. 
O espaço encontra-se dividido em vários áreas de onde se destacam os jardins indiano, malaio, colonial ou chinês, mas o principal foco é sem dúvidas o Supertree Groove composto por um conjunto de gigantescas árvores artificiais criadas de forma a fazer um uso sustentável dos recursos naturais existentes. Estas estruturas recolhem água da chuva e através de painéis fotovoltaicos acumulam a luz do sol que depois é convertida na eletricidade usada todas as noites na a sua própria iluminação.
Este gigantesco espaço verde foi um dos locais que mais gostámos de conhecer em Singapura.




Depois destes momentos onde caminhámos de forma tranquila, voltámos à baía. Pelo caminho entrámos num supermercado e além de uma garrafa de água também comprámos umas sandwishes, que comemos sentados à beira rio enquanto contemplávamos a paisagem.
Pouco a pouco íamos ficando cada vez mais perto do fim da nossa viagem. Nesta altura os minutos pareciam correr a uma velocidade desconcertante e nem queríamos acreditar que amanhã por esta altura já estaríamos em casa, longe deste paraíso. Agora mais que nunca queríamos desfrutar de cada instante e saborear cada segundo. 
Pusemos os pés ao caminho e não foi preciso andarmos muito para estarmos frente a frente com o luxuoso Hotel Fullerton, um edifício construído em 1928 durante a ocupação britânica, servindo nessa época como local estratégico de alguns dos serviços administrativos do governo Inglês.
Depois da independência o espaço foi adquirido por um grupo de investidores que o transformou num dos mais exclusivos hotéis da cidade. 
Aqui e ali ainda nos fomos cruzando com várias Estátuas de Bronze que retratam momentos da Singapura de outros tempos.





Fomos avançando e  atravessámos a "velhinha" Cavenagh Bridge , onde atualmente só é permitida a passagem de peões. Logo ali ao lado fica o bonito Victoria Theatre



Fomo-nos afastando da zona mais "central" até que chegámos ao mítico Raffles Hotel fizemos questão de visitar. 
Algumas das zonas interiores deste lindíssimo edifício de estilo colonial, encontram-se abertas ao público e muito do que hoje vemos continua muito próximo do que existia em 1887, ano em que foi inaugurado.







Pouco depois estávamos naquele que é por muitos considerado o paraíso das compras da cidade. É aqui na Orchard Road, que podemos ver claramente o verdadeiro significado de consumismo. Lojas, lojas e mais lojas. Algumas pertencentes a grandes marcas mundiais e que movimentam milhares de dólares todos os dias, contribuindo para o estrondoso crescimento que a economia do país tem registado nos últimos anos. 
Mesmo não tendo a intenção de fazer compras este é um local que merece ser visitado.



Foi já bem ao final da tarde, quando o sol já começava a esconder-se por detrás da malha urbana, que demos início ao caminho que nos levaria de regresso à zona da marina. Passámos junto aos pavilhões que acolhem o Theatre on the Bay e Esplanade, construídos sob a estranha forma de dois duriões e que são ótimos exemplos da linha arquitetónica extravagante presente nesta zona da cidade. Muitas vezes durante as últimas vinte e quatro horas quase inconscientemente, comparámos Singapura ao Dubai. Com tantos edifícios altos, que nascem quase de dia para dia era inevitável não fazermos essa ligação, que de certo modo até nos parece legitima.





Como o nosso voo só saía perto da uma da manhã, aproveitámos o tempo que nos restava para visitar a Cloud Forest, que é nada mais nada menos uma imensa estufa construída com o intuito de recriar o clima tropical presente nas grandes florestas do planeta. 
O espetáculo começa logo mal entramos e as boas vindas ao espaço são-nos dadas por uma gigantesca cascata que tomba do alto da estrutura central, de onde pendem diversos patamares cobertos de plantas, flores e árvores.



O percurso dentro da estufa convida os visitantes a percorrer cada um desses níveis divididos por temas e experiências distintas. A última delas ,já no topo, leva-nos a caminhar sobre uma incrível ponte suspensa com chão de vidro, pouco aconselhável a quem sofre de vertigens
De hora a hora o espaço enche-se de nuvens criadas de forma artificial e que transformam  totalmente este jardim numa autêntica floresta tropical.
Este é sem dúvida um espetáculo digno de ser visto.




A nossa passagem por Singapura não podia ficar completa sem que assistíssemos a mais um incrível espetáculo noturno. Já com o céu pintado de negro, regressámos aos Gardens by the Bay que a cada final de dia se enchem de luz, musica e cor. 
O espetáculo tem lugar ás 19:45 e ás 20:45




Foi ali sentados na relva e com um brilho nos olhos que demos por terminada a nossa passagem por Singapura.


Podem acompanhar as nossas viagens e ver as fotos deste e de outros destinos na pagina do Diário das Viagens no Facebook.

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