quarta-feira, 25 de março de 2020

.RONDA - A MAIS VALIOSA PÉROLA DA ANDALUZIA

Ronda - O que visitar, O que visitar em Ronda, Espanha

Sabem aqueles sítios que conhecemos uma vez e aos quais sabemos que um dia mais tarde vamos inevitavelmente regressar? Pois bem, Ronda enquadra-se na perfeição nessa lista de locais mais ou menos marcantes e que por esta ou aquela razão nos atraem de uma forma especial. 
Estamos nas derradeiras semanas de um verão que trouxe à Andaluzia uma sequência anormal de dias com temperaturas a roçar os quarenta graus centígrados e que neste início de tarde parecem não dar tréguas a quem por ali passeia. 
Durante a organização da viagem não hesitámos em incluir Ronda no nosso roteiro, uma vez que muito tínhamos ouvido falar da beleza desta pequena cidade que nos últimos tempos se tem revelado um destino de eleição para todos os que tal como nós se lançam à descoberta desta área situada no sul de Espanha.
Chegámos numa sufocante tarde de Setembro e neste primeiro contacto com a cidade acorremos de imediato para a icónica ponte de pedra que se ergue sobre o desfiladeiro de El Tajo e que vaidosamente se assume como a principal imagem de marca desta pérola Andaluza. Sobre ela, um enorme vazio, ladeado por escarpas rochosas que parecem prolongar-se até ao infinito, desafiando dezenas de casas que se equilibram perigosamente no limite daquela espécie de abismo. Diante nós desenha-se um cenário de uma beleza rara criado pelo poder artístico da natureza que neste pedaço de terra parece ter-se recusado a fazê-lo com meia dúzia de linhas banais.


Queremos ver tudo isto mais de perto, mas esse desejo de aventura é agora adiado por um agradável passeio por entre o bem cuidado casario que preenche a zona mais antiga da cidade e que surpreendentemente parece manter-se imune à exagerada densidade populacional presente tanto na grande ponte como nas imediações da Plaza España.
Uma após outra percorremos as estreitas ruas onde sobressai o branco tão típico da Andaluzia e pelas quais não cansa caminhar. Passamos por alguns locais, daqueles emblemáticos e que fazem parte dos roteiros turísticos mas que hoje não fazemos questão de visitar, até porque o sol continua a não dar tréguas e o que apetece mesmo é uma cerveja fresca. 
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O ambiente descontraído que se vive na Plaza Duquesa de Parcent convidam-nos para a merecida pausa que acontece numa das várias esplanadas ali existentes de onde conseguimos ter uma vista privilegiada para uma mão cheia de bonitos edifícios históricos de aspeto rústico. Se a tudo isto juntarmos as palmeiras que povoam uma boa parte da praça e os pombos que sem vergonha se aproximam em busca de alguma migalha perdida por entre as pedras da calçada, percebemos claramente que estamos relativamente longe dos grandes centros urbanos do país. 
Ainda que nos saiba bem estar neste bonito espaço, voltamos aos doces recantos quase esquecidos pelos turistas onde o tempo avança sem pressas, como se alguma força superior tivesse disposta a ajudar-nos a prolongar ao máximo a nossa passagem pela cidade. 
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Quando chegamos ao Mirador de Maria Auxiliadora somos recebidos por uma multidão que se acotovela encostada ao gradeamento, tentando desesperadamente guardar nos seus telemóveis aquela tela de uma beleza rara. Há quem insista em repetir poses que lhe tragam "likes" nas redes sociais, há namorados que se beijam como se não houvesse amanhã, há grupos de pessoas que se apertam para que ninguém fique fora do retrato ou quem simplesmente tente apreciar a paisagem. Nós, optamos por descer os degraus que nos conduzem a um nível inferior onde o campo de visão é igualmente vasto mas que nos dá uma liberdade de movimentos bastante mais desafogada.


Passo a passo vamos penetrando nas entranhas do desfiladeiro que ainda há pouco contemplámos a partir da grande ponte mas que agora, desta perspectiva, tem uma aparência ainda mais dramática. Como se uma faca bem afiada rasgasse aquele corpo rochoso que nos abraça e nos aperta com violência. Os duzentos metros que nos separam do ponto que assinalámos no gps são realizados em pouco mais de cinco minutos e à nossa chegada tento abstrair-me da agitação ali presente, fixando a atenção na beleza natural que gradualmente vai sendo devorada pelos meus olhos. O desfiladeiro, o Rio Guadalevin, a vegetação e o casario parecem competir entre si em busca de um protagonismo difícil de eleger. Entretanto e meio a medo encontro um local mais ou menos seguro que me permite uma arrojada aproximação ao limite do penhasco que surpreendentemente parece não causar vertigens a alguns jovens mais audazes que numa atitude quase provocatória arriscam demasiado para conseguir a tal foto perfeita. 




Quanto a nós, e sem mais motivos que justifiquem a nossa permanência neste local, optamos por regressar ao topo, porque sabemos que Ronda ainda terá certamente outros tesouros que merecem ser desbravados. 
Naquele final de tarde temos Ronda quase só para nós. 
O sol ganha lentamente tons de ouro, as ruas despem-se de grande parte dos visitantes e de forma gradual a cidade mergulha numa serenidade que só voltará a ser quebrada no dia seguinte. 


Pode acompanhar as nossas viagens e ver as fotos deste e de outros destinos na pagina do Diário das Viagens no Facebook.

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