quarta-feira, 23 de julho de 2014

HO CHI MINH CITY - VISITAR O ESSENCIAL NUM SÓ DIA


Só tínhamos um dia para conhecer Ho Chi Minh City e isso fez com que resolvêssemos acordar bem cedo de forma a tentar tirar o máximo partido do pouco tempo que dispúnhamos.
Depois de tomar um excelente pequeno almoço, deixamos o nosso hotel e partimos á descoberta da segunda maior metrópole do Vietname. Esta cidade é o coração económico do país, que ao longo dos anos foi adotando uma aparência mais ocidental quando comparada com as restantes áreas do território. Nas ruas de Ho Chi Minh City cruzámo-nos com zonas comerciais nas quais estão presentes diversas lojas das mais famosas e chiques marcas da moda mundial assim como grandes edifícios de escritórios que lhe conferem um ar bastante cosmopolita.
Porém, para os recém chegados, o primeiro grande impacto é o trânsito caótico provocado essencialmente pelos milhares de motas que mais parecem formigas atarefadas com pressa de chegar não sei bem onde. Neste mundo em constante movimento rapidamente constatamos que o simples facto de atravessar uma rua se transforma por vezes numa tarefa difícil de levar a cabo!
Uma vez que ficámos alojados do Distrito 1 conseguimos chegar com alguma facilidade ao local que havíamos fixado como o início deste curto roteiro pela cidade.
A primeira paragem  foi no edifício da câmara municipal (Ho Chi Minh City Hall ou Ho Chi Minh City People's Commitée), que nos limitámos a observar por fora, uma vez que não nos foi permitida a entrada. O espaço foi construído entre 1902 e 1908 e é um dos muitos bonitos exemplos da arquitectura colonial deixada pelos franceses quando estes ocuparam e colonizaram não só o Vietname mas também uma boa parcela da Indochina.

Ainda nesta área cruzámo-nos com uma estátua de Ho Chi Minh que é talvez a personalidade mais marcante da história do país e a quem muitos carinhosamente apelidam de pai da nação. 


Vista geral da câmara municipal e da estátua de Ho Chi Minh
Esta parece ser uma das zonas da cidade com maior concentração de edifícios deixados pelos franceses e a bem conservada Ópera de Saigão insiste em se destacar da malha urbana envolvente. 
O espaço que também é chamado de Teatro municipal, foi construído em 1897 e ainda que aquando da nossa passagem não tenha sido possível visitar o interior, valeu a pena passar por aqui só para observar a sua bonita fachada.

Opera de Saigão
Apesar de nos termos cruzado com uma imensidão de prédios mais antigos e não tão cuidados como deveriam estar, é verdade que grande parte dos edifícios coloniais foram recuperados e atualmente são verdadeiras máquinas do tempo que nos transportam para uma época em que a Indochina foi quase forçada a abdicar da sua identidade.

O calor aperta e obriga-nos a avançar pelas ruas secundárias onde as sombras são mais constantes e nas quais a vida insiste em avançar, aparentemente imune ás altas temperaturas que para já nos vão limitando os movimentos.
A certa altura emergimos num movimentado mercado onde homens e mulheres completamente focados nas suas tarefas quotidianas vão fazendo a sua parte para que a economia do país não pare. À nossa volta temos dezenas de bancas coloridas que subitamente nos raptam o olhar. Há também pequenos restaurantes com os seus banquinhos de plástico de mil cores e nos quais nos sentamos para um almoço já com sabor a lanche. Esta é a Ásia que nos fascina; pura, sem maquilhagem e que sem autorização prévia se apodera de cada um dos nossos sentidos.


Inevitavelmente os nossos passos levam-nos de regresso ás largas avenidas de Ho Chi Minh City que por sua vez nos conduzem até ao incrível edifício do Posto dos Correios.
Este é mais outro bonito exemplo da arquitetura colonial deixada pelos franceses e que para além de ter sido projectado pelo conhecido arquitecto Gustave Eiffel é ainda hoje um dos símbolos do passado glorioso da cidade.
Assim que entramos somos imediatamente convidados a realizar uma viagem no tempo, uma vez que a decoração do espaço se mantém praticamente inalterada desde 1891, data da sua construção.
Durante a visita tivemos a oportunidade de conhecer um escrivão, que segundo ficámos a saber é a única e a última pessoa a exercer este trabalho no Vietname.

   

Deixámos o posto dos correios e só precisámos de atravessar a rua para chegarmos á Catedral de Notre-Dame de Saigão, um verdadeiro testemunho das influências ocidentais.
Mais uma vez a colonização francesa está na origem desta obra erguida em 1863 com materiais trazidos directamente de França. O interior foi decorado de uma forma simples mas dentro do estilo usado nas igrejas da Europa ocidental, e por instantes esquecemo-nos que estávamos algures na Ásia, a quase 10.000kms de casa.

Notre-Dame de Saigão
Interior da Catedral de Notre-Dame de Saigão
            
Nossa Senhora
Sto.António

Segue-se uma visita ao Palácio da Reunificação ou Palácio da Independência que só pelo seu aspeto exterior é até agora o edifício mais espetacular que connosco se cruzou. 
Este local tem um enorme peso na história do país e ainda que inicialmente tenha sido construído para ser a residência oficial do governador francês, o complexo acabou por ser ocupado pelo presidente sul vietnamita até 1975, altura em que as tropas norte-vietnamitas o invadiram, obrigando o chefe do governo do sul a render-se. 
Depois deste acontecimento foi oficialmente declarado o final da guerra do Vietname.



O interior é enorme, com dezenas de divisões espalhadas por quatro pisos e que muito provavelmente não conseguirá ser visitado em menos de um bom par de horas.
O trajeto inicia-se pelo rés-do-chão que é ocupado por uma sala de reuniões, uma sala de recepção e uma sala de conferências. Cada um destes espaços encontram-se decorados com mobiliário original e típico dos anos 60.

           
Sala de reunião
Sala de receção
Nos pisos superiores, para além dos espaços de lazer que englobavam um cinema, um salão de jogos e uma biblioteca, existem também diversas salas de comando que foram usadas durante a guerra. O grande destaque desta área do palácio é sem dúvida o escritório do presidente onde o chefe maior recebia os dignitários do regime e as delegações estrangeiras.




Nas traseiras do edifício foram construídos diversos apartamentos privados que na altura acolheram algumas das mais altas patentes do governo. Cada uma destas habitações estava directamente ligadas com o heliporto, permitindo desta forma uma fuga rápida em caso de emergência. 

Heliporto
Um dos locais que mais interesse desperta nos visitantes é o Bunker construído sob o palácio e que engloba um conjunto de salas altamente equipadas que perante um cenário de conflito, permitia ao presidente continuar a governar o país e a comandar as tropas.

Bunker
Bunker
Voltámos á superfície, abandonámos o palácio e seguimos na direção do Museu das Memórias de Guerra, local que se assumia como um dos principais destaques do nosso roteiro de hoje.
O museu está instalado naquele que durante a guerra foi o centro ou a agência de informações dos Estados Unidos da América. No pátio exterior podemos apreciar uma incrível coleção de máquinas, material e armamento militar que foi deixado para trás pelas tropas norte americanas depois da vergonhosa derrota na Guerra do Vietname. Cada uma destas relíquias é evidentemente exibida com um inesgotável orgulho patriótico por parte dos responsáveis do país.


Maquinas e material de guerra norte americano
Maquinas e material de guerra norte americano
Maquinas e material de guerra norte americano
Maquinas e material de guerra norte americano
Maquinas e material de guerra norte americano
Lá dentro somos confrontados com a dura realidade do que foi a guerra do Vietname. Numa série de salas espalhadas por vários andares estão expostas centenas de fotografias que impressionam até os mais corajosos e que mostram que os norte americanos não olharam a meios para sair por cima uma guerra que haveria de marcar para sempre a historia mundial. Algumas das imagens exibidas ilustram o cruel sofrimento de muitas crianças causado pelos efeitos das bombas de napalm.
Esta exposição foi sem dúvida uma das mais chocantes que já visitámos.

A dura realidade da guerra do Vietname
A dura realidade da guerra do Vietname
Depois desta overdose de violência deixámos o museu e já com o sol a realizar o seu caminho em direção ao horizonte, iniciámos o trajeto de volta ao local onde horas antes havíamos dado início ao nosso passeio. Nessa tarde e antes de chegarmos ao hotel, ainda efectuamos uma curta passagem pelo sempre congestionado Mercado Ben Thanh.


Bén Thành Market
Embora a aparência exterior não nos permita ter a verdadeira noção do que se passa para lá daquelas paredes, a verdade é que este é um dos mais carismáticos mercados da cidade, no qual se aglomeram  milhares de bancas de comida, roupa, bebidas, artesanato, todo o tipo de chás, malas e artigos contrafeitos.
O barulho e a intensa mistura de cheiros aliados à humidade causada pelo calor, fez com que nos sentíssemos um pouco desconfortáveis ao início. Não cedemos ao incómodo e pouco a pouco o corpo acabou por se habituar a este curto mas intenso teste aos nossos sentidos, dando-nos a oportunidade de sentir mais uma vez o ambiente frenético que só parece existir nesta zona do globo.

Interior do mercado
Interior do mercado
Interior do mercado
Depois de tudo o que vimos durante o dia, deu para perceber claramente que a ocupação francesa ainda continua a ter uma grande influência não só na história mas também na cultura do Vietname, e muitos dos pontos de interesse presentes no roteiro que serviu de base ao nosso passeio estão inegavelmente ligados a esse período.
De forma a que a nossa passagem por Ho Chin Minh City se mantivesse dentro do mesmo registo, decidimos aconchegar o estômago com algo que tantas vezes vimos na Europa mas que nunca pensámos poder provar nesta região do globo. Chama-se Bánh mì e é uma típica Baguete francesa recheada com meia dúzia ingredientes locais.

Bánh mì
Ainda que a nossa passagem por Ho Chi Minh City tenha sido curta, conseguimos gerir bem o pouco tempo disponível de forma a conseguir encaixar no nosso roteiro todos os locais que achámos ser importantes. Optámos por andar sempre a pé, uma vez que os principais pontos de interesse se encontram concentrados no distrito 1, numa área que se percorre facilmente.
A  cidade apesar de não ser fantástica, tem o seu charme, muito devido ás influências deixadas pela ocupação francesa que mesmo depois de já terem passado mais de cinquenta anos ainda parece ter um certo peso nesta zona do país.
A próxima paragem leva-nos aos Túneis de Cù Chi.

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