sexta-feira, 1 de maio de 2020

WATERLOO - A DERRADEIRA BATALHA DE NAPOLEÃO

Waterloo Bélgica o que visitar

A pequena cidade belga de Waterloo situada a aproximadamente 20 km's de Bruxelas, marcou de forma inequívoca a história do continente europeu. Foi nos campos que rodeiam a cidade que no dia 18 de junho de 1815 se desenrolou uma das mais sangrentas batalhas travadas em solo europeu e que haveria de alterar por completo o futuro da Europa. Este acontecimento histórico acabaria por marcar também o destino de Napoleão Bonaparte que ali comandou as suas tropas pela última vez. 



UM POUCO DE HISTÓRIA:

Em 1814 e depois de ter conquistado praticamente toda a Europa ocidental e quando já se preparava para expandir o império francês em direção à Rússia, Napoleão I é capturado pelas tropas aliadas. O grande estratega militar que tivera a Europa a seus pés é levado para Elba, uma pequena ilha situada no Mediterrâneo e na qual permanece exilado durante quase um ano. A monarquia em França é restabelecida e a paz volta a reinar.

Quando as tropas aliadas julgavam que Napoleão deixara de ser uma ameaça o impensável aconteceu. Em abril de 1815 uma carta chega a Paris e a mensagem é bem clara: "Napoleão escapou!"
O homem mais procurado do momento regressa a França e com toda a perseverança que lhe é reconhecida consegue em pouco mais de três semanas reconquistar as suas tropas que acabam por dominar primeiro Paris e logo depois o que resta do país.

A Europa volta a sentir-se ameaçada e o sinal de alarme toca novamente, levando a que os exércitos de Inglaterra, Áustria, Prússia e Rússia se unam contra Napoleão e todos aqueles que o acompanham.




Duque de Wellington, um dos grandes mestres da estratégia militar defensiva da época, é o homem escolhido para comandar as tropas britânicas que numa primeira fase iram fazer frente a Napoleão, sendo reforçadas mais tarde pelos homens de General Von Blücher.
Por seu lado, Napoleão acompanhado por mais de 120.000 soldados caminham em direção à Bélgica, destruindo e pilhando tudo o que se cruza no seu caminho

Confiante, o Imperador Francês vai ganhando terreno e o seu próximo objetivo é a conquista da tão ambicionada cidade de Bruxelas
Ainda assim Arthur Wellesley (Duque de Wellington) está em vantagem, uma vez que conhece o terreno, dando-lhe desta forma a oportunidade de escolher o local onde se baterá com os franceses. As planícies a sul de Waterloo são o sítio perfeito para impor a sua estratégia e onde esperará pelo inimigo. A meteorologia também ajuda o Duque britânico, pois a chuva que tem caído acaba por transformar os solos num autêntico lamaçal que certamente dificultará a mobilidade tanto da cavalaria como dos canhões franceses. O cenário está montado e os dados foram lançados.




Napoleão que se encontra instalado numa propriedade situada a poucos quilómetros a sul de Waterloo, retarda o quanto pode o início da batalha na esperança de que as condições meteorológicas se alterem. Depois de uma noite mal dormida e com o passar das horas, tanto as suas tropas como os seus generais estão impacientes e não compreendem o porquê de tamanha espera. 
Este atraso também interessa de certa forma aos britânicos que aguardam a chegada dos Prussianos que virão reforçar as tropas aliadas.



Ás primeiras horas da manhã e sem ordens expressas do Imperador Bonaparte, o General Ney decide ele mesmo reunir quatro regimentos de infantaria, avançando por sua conta e risco na direção de Waterloo com o primeiro  objetivo de conquistar as Quintas de Hougoumont e La Haye Sainte, dois pontos fulcrais da defesa Inglesa. 
Os Franceses embora em maior número não conseguem os seus intentos e perante o fortíssimo poder de fogo das tropas de Wellington são obrigados a retirar. A primeira derrota francesa acontece. A Batalha de Waterloo havia começado!




Perante este primeiro revés, Napoleão decide que é altura de mostrar todo o seu poder, ordenando que todos os seus canhões disparem contra as linhas Inglesas, tentando desta forma causar o máximo de baixas possível nas tropas adversárias. Contrariamente ao que seria de esperar Wellington não autoriza a resposta por parte da sua artilharia, preferindo poupar munições para quando estiver frente a frente com o inimigo. 

Após terem sido derrotados na véspera, as tropas Prussianas já tiveram tempo de se recompor, e sabendo dos intentos de Napoleão, caminham agora para norte na direção de Bruxelas de forma a juntarem-se aos aliados Ingleses.

A Batalha transforma-se rapidamente num enorme banho de sangue e assim vai prosseguindo com avanços e recuos de ambas as partes, sem que ninguém pense em desistir. O tempo passa, socorrem-se os feridos, afinam-se estratégias, estudam-se posições e reagrupam-se as tropas.




Depois de cerca de sete horas de conflito é mais uma vez Napoleão que assume a responsabilidade e ordena que a sua cavalaria composta por mais de 12.000 homens e cavalos se lance num gigantesco ataque sobre as linhas comandadas por Wellington. Os aliados resistem e defendem-se  de forma eficaz, fazendo com que aquela ousadia francesas não tenha causado o impacto desejado. Napoleão acaba mesmo por perder um número significativo dos seus membros da cavalaria. Pouco a pouco Bonaparte começava a cair aos pés do bem organizado exército Britânico.


Com a consciência de que era importante ganhar terreno e motivar as tropas, o Imperador lança nova ofensiva à quinta La Haye Sainte que depois do derradeiro ataque havia ficado enfraquecida e com uma visível escassez de munições. Desta vez é bem sucedido e pela primeira vez Napoleão tem o controle de um importante ponto estratégico. 

No campo de batalha a elite das tropas francesas avançam de forma decidida, deitando por terra centenas de soldados ingleses. Wellington sente-se impotente e percebe que corre o risco de perder a batalha. Neste momento a única esperança é a ajuda das tropas Prussianas, que segundo as informações estariam prestes a chegar.
65.000 homens juntam-se então aos ingleses e pela primeira vez todas as forças aliadas combatem em conjunto, o que resulta num autêntico volte-face nos acontecimentos. Os franceses não têm hipótese e sob o olhar atónito de Napoleão recuam de uma forma que nunca pensaram fazer.
Numa ação desesperada o Imperador ordena a que a sua artilharia pesada dispare de forma indiscriminada, acabando ironicamente por atingir muitos dos seus soldados que batiam em retirada. A guerra estava ganha e a Europa podia finalmente respirar de alivio.




Waterloo tornava-se assim num importante marco na história europeia. Nas planícies ao seu redor bateram-se de forma heroica quase 200.000 homens de sete nações diferentes.

Para Napoleão era o fim. Humilhado e sem glória, regressa a Paris onde acaba "capturado" e enviado para a remota ilha de Sta.Helena na qual permanece exilado até ao fim dos seus dias. 
O Imperador francês combateu e venceu mais batalhas que qualquer outro grande líder, mas ironicamente, acabou por ficar conhecido pela última, a única em que foi derrotado.
Waterloo foi a derradeira batalha de Napoleão. 


A VISITA:
Os terrenos onde se desenrolou a Batalha encontram-se preenchidos por infindáveis campos agricultas pertencentes a algumas quintas que em junho de 1815 foram disputadas pelas tropas Inglesas e Francesas.  
Ao longo dos anos foram erguidos vários monumentos de forma a homenagear os que lutaram e os que morreram em nome da liberdade. Não admira que praticamente todos os pontos de interesse ali existentes estejam de alguma forma ligados com a batalha.


COMO CHEGAR:
Waterloo é uma excelente opção para ocupar um dia para quem está de visita à Bélgica. 
É possível chegar a esta cidade situada a pouco mais de 20 km's da capital, usando quer o comboio quer o autocarro. 
Apesar do trajeto de comboio ser mais rápido, aconselhamos a utilização do bus, uma vez que uma das paragens se situa mesmo no centro, a dois passos do Museu Wellington. 
O Posto de Turismo encontra-se igualmente nesta área e é o local indicado para recolher toda a informação necessária sobre a cidade e a sua história.
.BUS: Bruxelas-Waterloo-Bruxelas - 365A e W
Para as deslocações no interior de Waterloo o bus 365A é a melhor opção, uma vez que atravessa a cidade de uma ponta a outra, passando por todos os pontos de interesse.
.COMBOIO: Desde Bruxelas basta apanhar o comboio que segue na direção de Niveles. A estação ferroviária de Waterloo fica situada a aproximadamente um quilómetro do centro.



O QUE VISITAR:

.MUSEU WELLINGTON 
Situado em pleno coração de Waterloo, este museu encontra-se instalado no que outrora foi um albergue real. Foi neste edifício datado do século XVIII que o Duque de Wellington ficou instalado e onde delineou a estratégia que o conduziria á maior e mais marcante vitória da sua carreia militar. 
No final do dia da batalha o duque acabaria por regressar e é neste local que redige o comunicado de vitória endereçado ao governo Britânico.


.BUTTE DU LION
Este monte artificial foi erguido em 1824 no local onde se crê que o Príncipe d'Orange (herdeiro ao trono da Holanda e um dos generais de Wellington) foi ferido no dia 18 de Junho de 1815. Após a subida dos 226 degraus os visitantes têm uma visão excecional sobre grande parte dos campos onde se desenrolou a batalha.




.PANORAMA
Trata-se de um grande edifício circular onde estão representadas diferentes cenas dos combates que decorreram nos campos em redor de Waterloo e onde as tropas aliadas derrotaram o poderoso exército de Napoleão. 
Esta fantástica experiência complementada com efeitos 3D permite aos visitantes um entendimento claro dos momentos chaves da batalha.





.MEMORIAL 1815
Este foi um dos locais que mais gostámos de conhecer. O memorial convida os visitantes a viverem de forma intensa um dos dias mais marcantes de história da Europa.
O longo percurso repleto de documentos, fotos, pinturas e experiências 4D encontra-se incrivelmente bem planeado, transformando a visita numa experiência fantástica onde a aprendizagem é constante. 





.FÉRME HOUGOUMONT
Apesar de parcialmente destruído, este local é um dos principais vestígios históricos da batalha. O espaço que hoje se encontra aberto ao público dá a oportunidade aos visitantes de travem conhecimento com um dos pontos estratégicos da batalha de Waterloo. 
As tropas aliadas defenderam estes terrenos até à ultima gota de sangue, e a coragem desses homens foi sem dúvida o primeiro passo para a vitória final.
Além de várias placas de homenagem, também podemos ver uma fantástica projeção onde são relatados de forma original alguns momentos chave ali vividos no dia 18 de junho de 1815.





.DERNIER QUARTIER GÉNERAL DE NAPOLÉON
Foi neste edifício que o Imperador Napoleão Bonaparte traçou os planos que segundo ele, o levariam ao triunfo. Foi também a partir deste local que em conjunto com os seus generais foram lançadas as primeiras ordens. 
O espaço foi transformado num museu onde estão expostos diversos objetos da armada francesa assim com a cama onde o Imperador dormiu durante a sua curta estadia. 



-VISITÁMOS A CIDADE DE WATERLOO COM O APOIO DO TURISMO DE WATERLOO. 

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