Passam meia dúzia de minutos das sete da manhã e já nos encontramos à porta do parque de estacionamento da famosa zona arqueológica de Chichén Itza, que tal como as "ruinas" só abre daqui a uma hora.
Aproveitamos para aconchegar o estômago. Umas sandes, umas bolachas e uns iogurtes são a primeira refeição de 2017, e logo ás portas de uma das sete maravilhas do Mundo.
Há nossa frente só temos um carro, mas à medida que os minutos passam ,a fila que entretanto se formou atrás de nós vai ficando cada vez maior.
À hora marcada temos autorização para entrar, contudo o processo é lento, parecendo haver por parte dos trabalhadores uma certa dificuldade em dar início a mais um dia de trabalho. Provavelmente alguns deles ainda se encontrem sob os efeitos dos festejos da noite anterior.
Hoje é igualmente o aniversário da Paula e na altura de adquirir o bilhetes tentamos que nos façam um desconto. Nada disso, não há descontos para ninguém!
Somos quase os primeiros e as boas vindas a esta antiga cidade Maia são nos dadas pela magnífica Pirâmide de Kukulkan que se ergue logo ali a dois passos.
Não há ninguém e a luz está ótima para fotografar,este é um cenário raro que temos de aproveitar.
Damos uma, duas voltas ao el Castilo e sob um sol que já queima a pele desfrutamos destes momentos de calma rara.
Em cada uma das quatro faces da pirâmide, uma escadaria composta por 91 degraus, ergue-se quase na vertical até a um templo situado no topo, ao qual se acede subindo mais um último degrau. A conjugação destes números (91x4+1) resulta no algarismo 365, o total de dias que compõem o calendário Maia.
Passaram sete anos desde a nossa última visita mas as sensações, o cheiro e a humidade que deixa os nossos corpos a colar são as mesmas. Parece que nada mudou. Só nós estamos mais velhos, contudo a idade não nos tirou a vontade de explorar cada canto e recanto daquele que é considerado o mais bem conservado conjunto arqueológico de origem Maia da Península de Yucatan.
O espaço começa agora a ficar mais concorrido e é para nós um claro sinal de que está na altura de nos afastarmos desta área mais central.
Embrenhamo-nos no interior da selva, onde alguns vendedores num ritual diário, preparam as suas bancas na esperança de que os turistas lhes comprem alguns recuerdos .
O ambiente é agora mais calmo e de certa forma envolto num certo mistério. As árvores e a vegetação que envolvem este grupo de ruínas fazem-me pensar na minha passagem pelos templos de Templos de Angkor no Camboja.
De mapa na mão tentamos explorar cada canto daquele mundo de outros tempos.
Os minutos passam mais rápido do que desejamos e quando damos por isso já aqui andamos há quase três horas.
Regressamos ao ponto de partida e a área que rodeia a pirâmide parece agora um centro comercial ao domingo. São centenas, talvez milhares de pessoas, na sua maioria em grupos que aqui chegam vindos de Playa del Carmen, Cancun ou Tulum. Uma peregrinação diária que aumentou substancialmente depois de o local ter sido eleito uma das sete maravilhas do mundo moderno.
A beleza de Chichén Itzá é inegável, mas depois de visitarmos outros locais idênticos como Uxmal, percebemos que a escolha provavelmente só aconteceu por se situar relativamente perto de um dos maiores pontos turísticos do país. Cancun fica a somente três horas de distância.
Chichén Itzá é um pedaço de história que nos transporta e nos leva a conhecer um pouco de uma das mais incríveis e misteriosas civilizações que habitaram esta zona do planeta.
Agora que todos chegam é para nós o momento perfeito para nos despedirmos.
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