sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

.VISITAR OS TEMPLOS DE ABU SIMBEL


Foi uma noite estranha, dividida entre um quarto de hotel e o banco traseiro do carro que nos transporta neste momento ao longo de uma estrada sem iluminação e que atravessa parte do deserto. 
A escuridão e a falta de paisagens, fazem-me perder completamente a noção dos quilómetros já percorridos, fazendo com que a distância seja agora calculada pelo número de músicas que se sucedem na playlist que escolhi e que funciona como uma espécie de banda sonora.
Desde que deixámos a cidade de Assuão ainda não consegui dormir mais de quinze minutos seguidos e agora que os primeiros raios de luz despontam para lá das montanhas revelando os contornos da paisagem, os olhos parecem ainda mais relutantes em fechar-se perante tamanha beleza.

O sol está prestes a nascer e Abu Simbel parece também estar cada vez mais perto. Na berma da estrada vão surgindo algumas placas que anunciam a nossa chegada ao incrível Templo mandado construir por Ramsés II.


Pouco depois da abertura das portas já nos encontramos no interior do complexo que por agora se mantém quase deserto, permitindo-nos ter o espaço praticamente só para nós. Envoltos num agradável silêncio e com o sol a refletir na enorme fachada esculpida na montanha, fazemos os possíveis para aproveitar ao máximo cada um daqueles minutos de calma. Valeu a pena acordar cedo e por agora, talvez estimulados pelo facto de estar perante uma obra tão fantástica, esquecemos a noite mal dormida e o sono que nos atormentava até à pouco. 
Fotografamos, rimos, saltamos e logo depois, sob o olhar atento das quatro estátuas do grande faraó avançamos ao longo da paliçada de madeira que nos conduz ao interior do templo. A primeira galeria é enorme, sustentada por oito grandes estátuas de Ramsés II que hoje, tal como no passado parecem dar as boas vindas a todos os que penetram naquele mundo obscuro. 





Ainda se contam pelos dedos das mãos os visitantes que connosco vão dividindo aquelas salas de paredes brutas preenchidas na sua grande parte com elaborados relevos representando, na sua maioria, acontecimentos que marcaram a vida do faraó.
A partir do grande hall temos acesso a diversas câmaras de menor dimensão. Em cada uma delas e devido à escassa presença de visitantes vão ecoando os tímidos sussurros dos poucos que tal como nós se esforçam para tirar o máximo proveito daquele momento único.




A primeira hora acaba por passar quase sem darmos por isso e parece restar-nos pouco tempo até que a confusão tome conta de todo o espaço. Já se avistam alguns grupos e não tarda nada serão milhares os visitantes a ocupar de uma maneira quase caótica cada um dos metros quadrados do complexo. 
Para a nossa passagem por Abu Simbel ficar completa, resta-nos o Templo de Nefertari, que apesar de ter uma arquitetura similar, se distingue do seu vizinho por se erguer numa escala bastante mais modesta. 
Se na área circundante ao grande templo a confusão é cada vez mais visível, por aqui ainda se circula com extremo à-vontade. É como se por agora esta zona permanecesse de certa forma esquecida. 
Segue-se mais uma sessão de fotos, mais uma visita em silêncio e mais um punhado de momentos ímpares que acabam por fazer ainda mais sentido quando temos a consciência do quão único é este lugar. 






Abu Simbel nasceu da quase incontrolável ambição de um dos mais importantes Faraós do Egito e sobreviveu graças à persistência de um grupo de homens que com numa operação épica o desmontou peça por peça, recolocando-o num ponto mais elevado, evitando dessa forma que a maravilha que hoje temos diante nós se perdesse para sempre nas águas do Lago Nasser.


-COMO CHEGAR
Abu Simbel situa-se a uma curta distância da fronteira entre o Egito e o Sudão. Esta zona é por norma palco de alguma instabilidade e na qual em anos anteriores já tiveram lugar alguns acontecimentos menos felizes com turistas. Atualmente a situação encontra-se mais calma, contudo as autoridades locais continuam a não descurar a segurança de todos aqueles que tencionam lançar-se à descoberta da região.
O convoi de segurança que no passado acompanhava os veículos que realizavam este trajeto é neste momento substituído por uma série de check-points situados ao longo de grande parte do percurso.
Ainda assim e sendo este um dos locais mais visitados no país, existem naturalmente uma panóplia de opções que permitem ali chegar com maior ou menor dificuldade. 

AVIÃO: Esta será com toda a certeza a forma mais rápida e prática de chegar a Abu Simbel. Segundo ficámos a saber, é possível realizar esta viagem desde a cidade de Assuão, existindo para esse efeito um voo diário que a troco de uma quantia significativa nos leva em menos de uma hora até ao aeroporto de Abu Simbel. À saída do terminal será necessário recorrer aos serviços de um táxi para poder alcançar o complexo.
O único contra desta opção é que devido ao horário do voo de regresso a permanência em Abu Simbel está limitada a cerca de 90 minutos.

MINI VAN: Para quem pretende visitar Abu Simbel, nada melhor que ter como ponto de partida a cidade de Assuão. Sem surpresa são muitas as agências e hotéis da região que organizam day trip's até aos incríveis templos situados a cerca de 280 Km's de distância.
A viagem tem uma duração que pode variar entre as três e as quatro horas, limitando de certa forma o tempo disponível para visitar os templos. 
Esta é uma das opções mais procuradas, uma vez que é relativamente económica e fácil de contratar.

BUS: O autocarro público é sem sombra de dúvidas a forma mais económica para chegar a Abu Simbel, desde a cidade de Assuão. Este serviço de transporte sai diariamente ás 8:00 da manhã da estação rodoviária, chegando ao seu destino por volta das 11:30.
Na nossa opinião o principal ponto negativo deve-se ao facto da viagem de regresso ao ponto de partida acontecer ás 13:00, deixando a quem opta por esta opção, não mais de uma hora para explorar o complexo.

TÁXI PRIVADO: De todas as opções disponíveis esta foi aquela que escolhemos, uma vez que nos iria garantir a chegada a Abu Simbel pouco depois da abertura das portas e cerca de uma hora antes da chegada de grande parte dos visitantes. Estes táxis são na sua maioria veículos modernos, proporcionando aos ocupantes o conforto necessário.
O serviço teve um custo total de 80 euros e foi contratado através de uma agência local, ainda antes da nossa chegada ao país.
A Aswan Individual foi a agência escolhida e cumpriu com todos os compromissos a que se propôs, fazendo com que possamos recomendar os seus serviços a todos os interessados.

-QUANTO CUSTA
O acesso ao complexo de Abu Simbel tem um custo de 215 EGP, fazendo deste o mais dispendioso local que visitámos durante as duas semanas que passámos no Egito.
Para todos aqueles que pretendam tirar fotos dentro dos templos, há que acrescentar a este montante um ingresso suplementar no valor de 300 EGP. Ainda assim e na nossa opinião, este bilhete extra acaba por ser desnecessário, uma vez que é perfeitamente possível tirar, de forma discreta, meia dúzia de fotos no interior de ambos os templos.


-OUTRAS CRÓNICAS SOBRE O EGITO:


Podem acompanhar as nossas viagens e ver as fotos deste e de outros destinos na página do Diário das Viagens no Facebook. 

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