terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

.TRINDADE


Ás oito horas acordámos com o estridente alarme dos nossos telemóveis.
Hoje a alvorada foi cedo.Queríamos aproveitar ao máximo este último dia em Paraty.
Contra todas as expectativas estava a chover,aliás tinha chovido praticamente toda a noite, e se o tempo continuasse assim arruinaria por completo os nossos planos para o dia de hoje.
Apesar da aplicação do nosso smartphone insistir em dar-nos uma previsão bastante animadora para as próximas horas,a verdade é que a visão que tínhamos a partir da janela do quarto não nos enchia de esperança.A chuva teimava em cair e o céu carregado de nuvem negras parecia estar para durar.
Talvez não devêssemos confiar tanto nas tecnologias!
Hoje sería o unico dia desta viagem que havíamos reservado para fazer praia mas com estas condições invernais,estávamos bastante renitentes em fazer a trouxa e seguir viagem. 





Devidamente equipados,saímos à rua e foi sob uma chuva miudinha que caminhámos até ao café (que também fazias as vezes de padaria e mercearia) onde já na véspera tínhamos tomado o pequeno almoço.
Assim que entrámos no pequeno espaço fomos de imediato recebidos com um contagiante sorriso e uma das simpáticas senhoras que se encontravam atrás do balcão preveniu-nos quase de imediato:"Hoje vieram mais cedo e ainda não tenho pasteis de nata".
À falta de pasteis de nata,aconchegámos o estomago com umas sandes de queijo e um  café de cafeteira cujo o cheiro nos fazia lembrar aqueles que as nossas avós faziam.



Para nosso gáudio,pouco a pouco o tempo dava mostras de querer melhorar,até a chuva já nem era constante.Parecia que a sorte estava a mudar e pela primeira vez começámos a acreditar nas previsões dadas pelo telemóvel.
Estava decidido íamos arriscar e apanhar o bus para Trindade.
Fomos ao hostel,posemos as toalhas de praia na mochila e seguimos de imediato para o terminal rodoviário onde ainda tivemos de aguardar cerca de trinta minutos.
A estrada até Trindade é das mais perigosas da zona (com muitas subidas e descidas,todas elas bastante acentuadas) onde há alguns anos se deu um grave acidente que resultou na morte de várias pessoas.
Atualmente por questoes de segurança a lotação dos autocarros é limitada aos lugares sentados.Não viaja ninguém em pé!



Uma hora mais tarde e depois de muitos altos e baixos num bus de qualidade duvidosa chegámos à pequena Vila de Trindade.A última paragem fica mesmo ás portas da Praia do Meio.


O cenário convidava a um mergulho e apesar de termos ficado tentados a fazer-lo,decidimos manter os planos originais,pois uma vez que o tempo ainda estava instável queríamos chegar à Piscina Natural do Cachadaço o quanto antes.



O trajecto desde a Praia do Meio até à piscina fez-nos atravessar toda a extensão da Praia do Cachadaço e mesmo no fim quando pensávamos que já estávamos perto,fomos enviados para um trilho que entrava mata a dentro.Como tinha chovido,o caminho encontrava-se transformado num autêntico lamaçal que dificultava um pouco os movimentos.Fomos também obrigados a atravessar pequenos riachos que escorriam encosta abaixo,que provavelmente só se formaram devido à intensa chuva.Ainda bem que tínhamos trazido os ténis,porque de chinelos nunca mais nos safávamos.






Devemos ter demorado uns 30 minutos até chegar à famosa piscina natural.
Apesar das muitas pessoas que povoam o espaço,a beleza do local é inquestionável.É importante lembrar que não existe qualquer areal.Os visitantes têm que literalmente trepar para cima dos muitos rochedos que formam a piscina e somente aí podem pousar os pertences enquanto se refrescam naquelas águas cristalinas.





Para regressar ao ponto de partida,tínhamos duas hipóteses.Ou fazíamos o trilho no sentido contrário,ou então apanhávamos um dos barcos que por R$15 nos transportaria em menos de cinco minutos até à Praia do Meio.Optámos pela segunda opção.



Foi já quando nos encontrávamos na Praia do Meio que o sol resolveu aparecer o que realçou ainda mais o aquele cenário.Esta é considerada uma das mais bonitas praias do Brasil.




Depois de um mergulho e como já estava na hora,aconchegámos o estômago com uns deliciosos pasteis na banca da simpática Tia Preta.




Ficámos ali na praia até ao final da tarde.Bebemos uma cervejas,fomos ao banho e aproveitámos o sol sentados à beira mar.
Dentro de dois dias estariamos de regresso a casa e agora,numa altura em que praticamente já avistávamos a meta,só queríamos aproveitar cada segundo.



À noite já no nosso hotel e enquanto preparávamos as mochilas,percebemos que tínhamos tomado a decisão mais acertada.As praias de Trindade foram o local perfeito para nos despedirmos de Paraty.
Foram dois dias num local fantástico,onde passámos momentos inesquecíveis.
Paraty foi amor à primeira vista!
Gostaríamos de ter ficado mais tempo (pelo menos mais um dia) para ter a oportunidade de  fazer um passeio de barco por algumas das mais belas praias e baias da zona.Este tour,segundo ficámos a saber é bastante famoso por estas bandas.
Pelo menos esta forma já temos um ótimo pretexto para voltar.

Outras crónicas sobre o Brasil:
-Rio de Janeiro Dia#1
-Rio de Janeiro Dia#2
-Rio de Janeiro Dia#3
-Paraty
-Trindade
-Petrópolis

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