quarta-feira, 27 de abril de 2016

.ESFAHAN-O IRÃO EM TONS AZUL


Acordei cedo e fiquei na cama a preguiçar por mais uns minutos.Enquanto ali estava dei uma rápida vista de olhos no guia Lonely Planet de forma a tentar organizar minimamente a minha curta estadia em Esfahan,e como só tinha um dia,marquei no mapa os locais que queria mesmo visitar.
Levantei-me e foi à janela do quarto de onde avistava um pequeno pátio.Já havia luz,mas o sol ainda não aparecia no horizonte.
Tomei um duche que durou mais do que é habitual e logo depois vesti-me.
Apesar do colchão ser um pouco duro a noite tinha sido reconfortante.Sentia-me bem e cheio de energia para dar inicio a mais uma jornada.
Como não sei se me despeço de Esfahan ao final da tarde ou só na manhã seguinte,decido fazer já o check-out.Pago e peço para deixar a mochila grande na recepção.
Quando saí dei de caras com uma cidade totalmente diferente daquela que tinha visto na véspera.Havia pouca gente na rua e somente alguns carros circulavam nas estradas.
No dia anterior tinha conhecido os cantos à casa,como tal já estava minimamente familiarizado com a localização dos principais "points" e facilmente me orientei pelas ruas.




Cheguei á praça Nash-e Jahan que se encontrava praticamente deserta.Aquele enorme espaço parecia agora ainda maior.
Reparei em algumas pessoas deitadas na relva tapadas com cobertores.Dormiram ali com certeza!
As lojas e as mesquitas ainda se encontravam encerradas.Até o bazar nem parece o mesmo!É estranho.





O dia está ótimo e aproveito a fraca presença de pessoas,para fazer umas fotos.Ando de um lado para o outro de máquina na mão e vou "disparando" na esperaça de conseguir umas boas imagens.
Sento-me de frente para a Mesquita Sheikh Lotfollah,como o resto do pão que sobrou do dia anterior e constato que pouco a pouco algumas pessoas vão invadindo a praça,mas nenhum deles é turista.São todos locais.Provavelmente são os donos das lojas que se aprontam para iniciar mais um dia de trabalho.



Um rapaz passa por mim de bicicleta,cumprimenta-me e regressa pouco depois.Num inglês fraquinho tenta meter conversa.Pergunta-me coisas banais do gênero de onde sou,o que estou a achar do Irão ou porque estou ali tão cedo.
Respondo e quando estava convencido que iria ter uma conversa agradável percebo que toda aquela simpatia tinha somente como objectivo,tentar levar-me a conhecer a loja de tapetes do pai situada no bazar.Recusei o convite e expliquei que quando viajo não gasto dinheiro com prendas ou lembranças. 
Agradeceu,despediu-se e desapareceu por um dos túneis que existem ao redor da praça. 

Já são quase nove da manhã,hora a que abrem os locais que quero visitar.Caminho calmamente até ás imediações da Grande Mesquita Iman que ainda se encontra encerrada,tal como a bilheteira.Enquanto aguardo pacientemente chega um grupo de Franceses barulhentos que rapidamente se dispersam.Ainda bem,não estava mesmo com vontade de levar com eles no interior da mesquita.
Entretanto abrem-se as portas e posso finalmente entrar.Sou o primeiro.Estou prestes a conhecer uma das mesquitas mais bonitas do Irão.
Atravesso o grande portal com mais de trinta metros de altura e chego ao pátio interior onde normalmente decorrem as orações e que se encontra coberto com um enorme toldo suportado por um sem número de tubos de ferro.
A desilusão toma conta de mim.Decididamente não era isto que estava à espera de encontrar.Tenho vontade de ir embora e pedir os meus 200.000 IR de volta.Não,vou ficar e visitar as várias alas com paredes e tectos repletos de azulejos com motivos florais de tons azul.






Encontro-me agora sob a gigantesca cúpula.Ao que parece são 51 metros desde o chão até ao topo.É sem dúvida um local grandioso.
No chão uma laje negra assinala o sítio exacto onde os visitantes podem bater com o pé e ouvir o eco propagar-se por mais de dez vezes.Como tenho o espaço só para mim não resisto.Tenho de experimentar.
Que efeito espetacular!
Ao que parece tudo se deve ao facto de o tecto da cúpula ter uma cobertura dupla.




A visita demora talvez uma hora.Quando volto à praça o calor é abrasador.
Atravesso-a de um lado ao outro,entro pela Porta Qeysarie e abrigo-me no interior do Bazar.Algumas das lojas e bancas estão agora a abrir.
Ando por ali um pouco ao acaso e vou tirando mais umas fotos.






Como estou em contenção de custos tenho agora de decidir se visito o Palácio Qapo ou a Mesquita Sheikh Lotfollah.É que atualmente o preço de cada bilhete é de 200.000 IR (cerca de 5 euros) muito diferente dos 20.000 IR indicados no guia Lonely Planet.Grande falha!



Sinto uma certa frustração por ter de escolher entre dois locais que me parecem bastante interessantes e que me despertam alguma curiosidade.
"-Está decidido,vou visitar o palácio! Acabei de sair de uma mesquita,não me vou enfiar noutra.Além disso vou certamente ter oportunidade de ver dezenas de outras durante esta viagem."
Pago 200.000 IR pelo bilhete e lá vou eu esperançado que a visita me leve a conhecer um verdadeiro palácio,mas a realidade é bem diferente da expectativa.
Subi seis lances de escadas e passei por outras tantas salas.Todas elas vazias.Somente quatro paredes.
Nada.Nem uma cadeira.Um autêntico balde de água fria!
Na verdade paguei quase cinco euros só para ir ao terraço situado no último andar de onde consigo ter uma vista desafogada sobre a praça.Estou furioso,sinto-me enganado!




Dos cinquenta euros que troquei em Teerão já pouco resta.Tenho de trocar mais.
Regresso à avenida principal em busca de uma casa de câmbio e rapidamente encontro uma que até tem uma boa taxa.Faço contas e decido que desta vez troco 250 euros.
Recebo 8.500.000 IR que segundo os meus cálculos serão mais que suficientes para os próximos 10/11 dias.
Decido que me vou manter por aquela zona.Compro uma garrafa de água,um pacote de bolachas e umas bananas numa pequena loja onde mal cabiam duas pessoas.
Caminho calmamente avenida acima quando o meu estômago me relembra que está na hora de almoço.
Entro num restaurante de aparência duvidosa mas que se encontra cheio.Deve ser bom.
Dou uma vista de olhos no menu.Como não conheço minimamente a cozinha Iraniana vou optar por algo simples.
Peço um Kebab de Frango que me é servido rapidamente acompanhado de arroz e pão tradicional.Gostei!



De barriga cheia volto à rua.Já só tenho mais um local que quero visitar.
A Mesquita Jemeh fica situada na zona norte e ao que parece é uma das mais antigas da cidade.Segundo rezam as crónicas tem mais de 800 anos.
Sigo o trajecto marcado no Google maps offline e facilmente lá chego.
À entrada e em conjunto com o bilhete que custou 150.000 IR é-me dado um panfleto que de forma clara,conta toda a história da Mesquita assim como algumas explicações bastante úteis sobre as várias secções existentes.Cada uma diferente da outra devido ás várias reconstruções e transformações realizadas ao longo dos séculos.Este local é um verdadeiro museu.






Há pouca gente aquela hora o que mais uma vez ajuda a absorver o que estou a ver.
Apesar de uma das alas se encontrar em obras,não me sinto incomodado.
Finalmente pago para ver algo que me satisfaz.
Esta mesquita em conjunto com as pontes que atravessam o Rio Zayandeh que visitei no dia anterior,foram os locais que mais prazer me deram conhecer.





Regresso ao hotel pelo mesmo caminho e decido que está na altura de me despedir de Esfahan.Tinham passado somente 24 horas desde a minha chegada e já estava a ir embora.Gostei da cidade mas não me encantou.Para falar verdade esperava mais!
Pego na minha mochila e questiono o homem que estava na recepção se havia alguma maneira de chegar ao terminal rodoviário sem ser de taxi.
Explicou-me que podia apanhar um autocarro não muito longe dali. 
Agradeci a simpatia e fiz-me à vida.

Quando chego a Shiraz já passa das dez da noite.Entro num taxi que me cobra 70.000 IR para me levar ao Hotel Niaysh e onde chego em pouco mais de cinco minutos.
De mochila ás costas entro na recepção,que se encontra deserta.Espero um pouco até que aparece uma menina de ar simpático que me dá as boas vindas e me pergunta se tenho reserva.
Respondo que não e explico que acabei de chegar de Esfahan.Preciso de um quarto "single" para duas noites.
Ela consulta uns papeis que tinha em cima da secretaria e diz que para duas noites só tem alojamento no dormitório.
Dormitorio,não.Queria mesmo um "single".
Volta a olhar para a papelada e diz:
"-Tenho um quarto single,mas tem de ser entregue amanhã antes das nove"
"-Ok,sem problemas!" Amanhã tenho o dia inteiro para encontrar outro local.
"-Quanto cobra pelo quarto?"
"-900.000 IR"
Pego no telemóvel para ver quanto dá em euros.Quase 27,é um pouco mais do que tinha previsto pagar e ainda por cima é só para meia dúzia de horas.
Tenho vontade de sair e ir procurar outro local,mas são quase onze da noite,estou a morrer de fome e não conheço minimamente a cidade.
Enquanto reflito se fico ou vou procurar outro lugar,reparo num cartaz por detrás do balcão que propõe excursões a Persépolis e que poderá ser a chave que preciso para tentar baixar o preço.
"-Se fizer a 750.000 IR,também reservo a day trip a Persépolis.Posso pagar já!"
Ela fez um telefonema rápido e com um sorriso maroto atira:
"-Ok,mas o quarto tem mesmo de estar livre antes das nove."
"-Sem stress,pode contar comigo."
Antes de ir dormir ainda comi qualquer coisa no restaurante do hotel onde me cruzei com o Pedro,um Português super boa onda que acompanhava um grupo que se encontrava numa viagem fotográfica pelo país.
Ficamos ali na conversa um bom bocado.
O segundo dia no Irão estava terminado. 

.Aqui ficam todas as crónicas da nossa viagem pelo Irão
Primeiras horas de uma viagem memorável
Esfahan
Persépolis
Shiraz
Yazd
Naqsh-e Rostam
Kashan
Kharanaq,Chak Ckak e Meybod
Deserto de Maranjab

Abyaneh

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