segunda-feira, 9 de maio de 2016

.PERSÉPOLIS-UMA VIAGEM AO CORAÇÃO DA ANTIGA PERSIA


Acordei com fome.
São sete horas e ainda não tenho planos para hoje.Só sei que tenho de entregar o quarto daqui a nada.
Visto-me em meia dúzia de minutos,pego na mochila e vou directamente à receção.Se ainda der tempo talvez vá a Persépolis.
Falo com a mesma menina que me atendeu na noite anterior e por cinquenta euros reservo uma day trip à antiga capital Persa.A saída é ás oito,tenho de me despachar!
Sigo a passo apressado para o pátio central,onde é servido o pequeno almoço que só agora fiquei a saber estar incluido no preço do quarto.
Sobre a mesa vejo pão,fruta,queijo tipo feta,chá e compotas.Tenho direito a tudo.Um verdadeiro banquete logo pela manhã!

Já passa das oito,tenho de me apressar.Meto umas bolachas no bolso e corro para o local combinado onde já se encontram alguns daqueles que serão os meus companheiros de viagem.Ao que parece ainda falta pessoal.Pelo menos não sou o último.
guia e a camionete que nos vai levar já lá estão.Questiono-me a mim mesmo se aquele "chavéco" do século passado vai aguentar fazer quase duzentos quilómetros.
Aparentemente o guia também não está muito convencido das capacidades daquela peça de museu.Vejo que está ao telefone a disparatar com alguém e ao que parece falam da camioneta.



Entretanto chega o pessoal que faltava.Somos 18 no total.
Suiços,Holandeses,Franceses,Alemães,Russos,Japoneses e um Português.Tudo malta simpática!
Rapidamente travo conhecimento com o Holandês que vive em Roterdão e com um grupo de cinco Franceses.A conversa flui naturalmente.
Já estamos visivelmente atrasados.O guia apressa-se a pedir desculpas e a explicar que estamos à espera de outra carrinha,porque não cabemos todos naquela.
Com o problema de espaço resolvido e com quase uma hora de atraso,fazemo-nos à estrada.Pela frente temos cerca de setenta quilómetros até chegarmos ás ruínas da antiga capital do império Persa.
A viagem corre de forma tranquila.Pouco depois o burburinho deu lugar a um silêncio quase absoluto.Praticamente todos adormeceram.Se fosse à dois dias atrás talvez tivesse feito o mesmo,mas hoje não tenho sono.Pelo menos por agora.
Aproveito para ouvir musica e para atualizar o meu diário.De vez em quando olho pela janela.Há muito que os prédios desapareceram,a paisagem é agora dominada por campos agricultas.

Assim que chegamos e quando ainda mal tínhamos posto os pés fora da carrinha,somos presenteados com as primeiras gotas de chuva.Além disso está frio.Que pouca sorte!
O guia fica para trás,ao que parece foi comprar os bilhetes.Eu e o resto do grupo percorremos a passo apressado os cerca de cem metros que nos separam da entrada.Lá ao longe já consigo avistar algumas das colunas que compõem o complexo.




As pingas são agora maiores e caem com mais intensidade.Vejo-me obrigado a guardar a maquina fotográfica na mochila.Gostava tanto de registar em imagens o que estou a ver.Maldita chuva!

O guia é um tipo porreiro,tem pinta de professor.Apesar do tempo não estar a cooperar ninguém lhe pode tirar o mérito de conseguir manter todo o grupo focado na visita.



Persepolis (Pérsa na língua local,foi em tempos o centro de um vasto império que dominou toda a região da Asia central).Este foi o cenário durante vários séculos,até que o declínio chegou pela mão de Alexandre o Grande da Macedónia (que por aqui e por razões óbvias não é assim tão grande) que em 330 a.C. invadiu a cidade,pilhou e roubou tudo o que conseguiu.Conta a história que para transportar o tesouro real foram necessário trezentos camelos.
Levado pela sede de vingança ordenou que toda a cidade fosse incendiada.
O que hoje vemos é tudo o que restou de uma das mais importantes cidades daquela época.





A chuva abranda um pouco,tenho agora quarenta e cinco minutos livres para andar à vontade.É porreiro andar por entre aquelas ruínas e tentar imaginar como seria a sua aparência nos seus tempos de glória.
Decido que vou ocupar o tempo que me resta para caminhar até aos dois túmulos escavados na encosta da montanha.
No caminho de regresso não posso deixar de passar pelo imponente portal que assinala o a entrada principal do complexo.Não tenho tempo a perder...








Á hora marcada o grupo volta a reunir-se no local combinado.Desta vez sem atrasos.Estamos prontos para seguir para o segundo destino do dia. 
Naqsh-e Rostam é a próxima paragem.

.Aqui ficam todas as crónicas da nossa viagem pelo Irão
Primeiras horas de uma viagem memorável
Esfahan
Persépolis
Shiraz
Yazd
Naqsh-e Rostam
Kashan
Kharanaq,Chak Ckak e Meybod
Deserto de Maranjab

Abyaneh

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