domingo, 29 de maio de 2016

.CAMINHANDO PELAS DUNAS DO DESERTO DE MARANJAB-IRÃO


Acordei perto das oito horas.Tinha dormido bem.
Pouco a pouco começo a ouvir o tilintar dos talheres e as vozes de outros hóspedes que provavelmente já tomam o pequeno almoço.
Tenho de me despachar.Salto da cama,visto-me e num piscar de olhos estou cá fora.Antes de me dirigir ao pátio a fim de também eu tomar o pequeno almoço,passo na recepção e previno que fico mais uma noite.
Junto-me então ao Gregory e aos outros hóspedes que se encontram sentados atrás de uma mesa cumprida bem composta.Pão,queijo,geleia,fruta,chá e ovos mexidos.Excelente serviço.Não perdi tempo e lançei-me ao ataque!
Não há atrasos.Ás nove horas eu e o Gregory estamos no local combinado com o taxista, que chega pouco depois e parece trazer companhia.
Dentro do carro vem um cliente de última hora,que se juntará a nós.É o Damien,um Polaco que tal como eu também viaja pelo Irão durante duas semanas.

O taxista é um puto novo que fala perfeitamente inglês.
O objectivo de hoje é visitar as dunas do Deserto de Maranjab e o Lago de Sal.Este serviço custa 30 euros,valor que é dividido por nós os três.Enquanto avançamos por entre o caos das ruas de Kashan,pergunta-nos se queremos ir conhecer o Mausoléu do Mohammed Hilal Ibn Ali,situado na cidade vizinha de Aran.
A resposta positiva foi dada de forma unanime e minutos depois lá estávamos nós.
É debaixo de um céu azul,praticamente sem nuvens que eu e os meus companheiros de viagem nos dirigimos para o interior daquele santuário.À porta detivemos-nos em silêncio por alguns momentos.É neste local que se encontram sepultados várias dezenas de "mártires" que sucumbiram durante a guerra com o Iraque.



Ao penetrarmos naquele enorme pátio ladeado de edifícios bem conservados,todos eles decorados com lindíssimos painéis de azulejos de tons azul,é-nos impossível ficar indiferentes à beleza do que os nossos olhos vêem.
São vários os minaretes que se erguem e por mais que olhe ao redor não consigo deixar de reparar numa espécie de altar situado bem por debaixo da cúpula.É para lá que me dirijo.

Diante mim tenho duas portas.Ambas dão acesso ao interior da Mesquita.
Sei que uma é para as mulheres e a outra para os homens.Reparo nos poucos pares de sapatos que se encontram no exterior e percebo que os da esquerda são masculinos.É por aquela que tenho de entrar.
Tal como no exterior,também ali não vejo muita gente.Já descalço,percorro aquele espaço amplo onde abundam vidros coloridos por onde entra a luz do sol que é refletida no chão coberto de tapetes.
Sento-me e encosto-me a uma das muitas colunas que suportam os tectos abobadados sob os quais dois homens rezam,cada um no seu canto.






De volta à estrada,agora sim em direção ao deserto.Não foi preciso andarmos muito até a paisagem começar a mudar.As casas,os prédios e até as estradas alcatroadas  desapareceram,dando lugar a caminhos esburacados de terra batida onde abundam arbustos pouco viçosos.A certa altura até nos cruzamos com meia dúzia de camelos.



As dunas para onde nos dirigimos já se avistam no horizonte.Estão cada vez mais perto.
De repente somos obrigados a parar.A nossa viagem é subitamente interrompida por algo surreal.A estrada por onde seguimos,assim como os arbustos encontram-se cobertos de centenas,talvez milhares de gafanhotos.Saímos do carro e durante uns cinco minutos ficamos ali a apreciar aquele espetáculo único.




Finalmente chegámos.O deserto,tal e qual como o conhecemos está ali a meia dúzia de metros.As enormes dunas de areia dourada estendem-se por quilómetros.
Apesar do calor que se fazia sentir,subimos,descemos,saltámos e corremos.Em suma deixámos as nossas pegadas naquele chão que todos os dias muda de forma.
Antes de nos despedirmos deste local fantástico,sentámo-nos por alguns minutos no topo da duna mais alta a admirar toda aquela imensidão.Lá ao longe dá para distinguir claramente a área onde fica o Lago de Sal e onde estaremos daqui a nada.






Quando regressamos ao taxi,o nosso "driver" aguardava-nos pacientemente deitado no banco de trás com todas as portas abertas de modo a fazer circular a tênue brisa que por vezes sopra.
Voltámos à estrada já de olhos postos no próximo destino.Avançamos a uma velocidade bastante reduzida uma vez que o mau estado do caminho por onde seguimos não convida a grandes pressas.Quilómetro após quilómetro a paisagem não se altera.Não há nada nem ninguém por estas bandas,somos só nós e as dunas e o rasto de pó que o nosso carro vai deixando.Pouco a pouco vamos-nos aproximando do Lago de Sal.Aquela enorme massa branca que brilha no horizonte vai ficando cada vez maior.Estou curioso e ao mesmo tempo cheio de expectativas.Mesmo não conhecendo,não me saem da cabeça as imagens do Salar Uyuni na Bolivia que vi na internet.




O carro pára na margem e a primeira impressão não é muito abonatória.Apesar de impressionante,aquilo a que chamam Lago de Sal não corresponde em nada ao que imaginei,sentimento que é partilhado tanto com o Damien como com o Gregory.
Não ficamos muito tempo.Fazemos meia dúzia de fotos e vamos embora até porque estamos perto do meio dia e o sol está cada vez mais quente.





Antes de iniciarmos o caminho de volta a Kashan tempo ainda para uma cura paragem na cidade de Nooshabad onde tivemos a oportunidade de visitar as ruínas de uma antiga fortaleza.






Chegámos a Kashan por volta das três horas.Como no dia seguinte tinha a intenção de ir visitar a famosa cidade de Abyaneh,negociei com o taxista um preço que me pareceu justo.Vinte euros ida e volta.
Nessa tarde depois de almoçar dei mais umas voltas pela cidade.

.Aqui ficam todas as crónicas da nossa viagem pelo Irão
Primeiras horas de uma viagem memorável
Esfahan
Persépolis
Shiraz
Yazd
Naqsh-e Rostam
Kashan
Kharanaq,Chak Ckak e Meybod
Deserto de Maranjab


Abyaneh

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