quarta-feira, 25 de maio de 2016

.KHARANAQ,CHAK CHAK E MEYBOD-IRÃO


Na noite anterior quando fui jantar ao Silk Road Hotel,conheci o Olivier e o Adrian um francês e um dinamarquês super boa onda com quem bebi umas cervejas sem álcool e fiquei à conversa durante um par de horas.Ao que parece no dia seguinte iriam ambos fazer uma day-trip a umas aldeias históricas situadas ao redor de Yazd.
Convidaram-me para me juntar a eles.
Por acaso até já tinha ouvido falar desse "passeio" mas não tinha dado grande importância.
Fui à recepção saber o preço e como não tinha grandes planos acabei por reservar por 600.000 IR.

Horas depois aqui vou eu numa carrinha que avança deserto adentro.O grupo é porreiro.
Além de mim e dos "amigos" que conheci na véspera vai também uma Polaca,uma Holandesa,um casal de velhotes Alemães que se sentem visivelmente deslocados e três Chinesas que neste momento e apesar de praticamente não falarem Inglês são o principal foco de animação.Fizeram questão de partilhar com todos algumas guloseimas que trazem com elas.Sacos com Pistaches,Tâmaras e uma espeçie de carne seca da qual não fiquei fan mas que comi para não fazer a desfeita.O segundo pequeno almoço do dia é por conta da comunidade chinesa.



A primeira paragem do dia é em Kharanaq uma cidade que foi abandonada pelos seus habitantes e que aos poucos se foi transformando numa atração turística,visitada sobretudo por viajantes que se encontam em Yazd
Os sucessivos anos de abandono e o desgaste provocado pelos elementos foram aos poucos deixando as suas marcas.
Ao andar pelas ruas estreitas,despidas de gente onde impera o silêncio,sinto-me a viajar no tempo.As casa existentes todas elas com as portas abertas permitem o acesso ao interior de um mundo onde outrora viveu uma família.O que será feito dessas pessoas?Provavelmente rumaram em direção das grandes cidades.



Desde que aqui cheguei apercebi-me da presença de um minarete que pela altura e bom estado de conservação se destaca de todos os outros edifícios.Quero ir até lá.Talvez dê para entrar na mesquita.
Tento orientar-me tendo como ponto de referência aquela torre coberta de tijolos.Estou cada vez mais perto.
Pelo caminho quase sem querer dou com um antigo Hammam,que como seria de esperar já viu melhores dias.Entro e por momentos imagino o local nos seus dias de glória.Ando por ali um bocado mas não gosto do que vejo.Além disso cheira bastante mal.

Chego finalmente ao Minarete que dá para ver que foi restaurado há relativamente pouco tempo.Talvez o tenham feito por questões de segurança mas a verdade é que assim perde um pouco a originalidade.
Dou umas voltas e não encontro nenhuma entrada,nem sequer algo que se assemelhe a uma mesquita.Seja como for a "viagem" não foi em vão.De onde estou tenho uma vista brutal sobre todo o vale onde em tempos existiu um rio,mas do qual já nada resta.Secou e no seu lugar nasceram alguns campos de cultivo.
Lá em baixo,no vale consigo avistar uma mesquita e um aqueduto que atualmente já não deve ter qualquer utilidade,mas em tempos transportou a água que alimentou esta antiga aldeia. 





Sempre a descer vou percorrendo as ruelas estreitas e parando de vez em quando.Um pouco a medo entro numa das casas.Quero ver o que tem lá dentro,o que ainda resta.
Sei que devido ao elevado estado de degradação é algo pouco aconselhável,mas não resisto e a casa até parece estar em condições.
Lá dentro está bem mais fresco.O espaço encontra-se completamente vazio,só restam as paredes.Depois de explorar o piso térreo,arrisco a subida ao andar superior.Com cuidado subo as escadas que me conduzem a um grande espaço aberto onde sobressai tecto abobadado e uma grande varanda.Fico por aqui,não vale a pena arriscar mais.





Está quase na hora de regressar ao local onde o guia marcou encontro com todo o grupo.
O Oliver e o Adrian já lá estão,andam todos entretidos com as duas raparigas,a polaca e a holandesa.
Enquanto esperamos pelos outros,aproveito para dar dois dedos de conversa com o guia que fico a saber se chamar Hammed.Falamos sobre o crescimento do turismo no Irão e  confessa-me que na verdade não é um guia turístico oficial,só faz aquilo para ganhar uns trocos extras e para praticar o inglês.




Com todo o grupo reunido,seguimos em direção daquela que será a segunda paragem do dia.Continuamos a avançar com o deserto como pano de fundo,onde escarpas rochosas preenchem toda a paisagem.
Chak Chak,é para lá que vamos.O guia explica que se trata do mais importante local de culto do Zoroastrismo,uma das mais antigas religiões do mundo e ainda bem presente por estas bandas.Todos os anos no mês de junho,milhares de fervorosos peregrinos rumam a este local para celebrarem o festival anual.
Chegámos,a carrinha que nos transporta estaciona e a primeira visão do que vou visitar é impressionante.Lá no alto uma pequena aldeia que se parece equilibrar na encosta de uma montanha.
Vou subindo os degraus que conduzem ao topo.Centenas deles.Cruzo-me ocasionalmente com alguns peregrinos mas não há muita gente.
Lá no alto,no santuário situado no interior de uma pequena gruta estão alguns crentes que vêem prestar homenagem.Nada de especial,não fico impressionado com o que vejo!



Tenho meia hora de tempo livre.Vejo várias pessoas no topo de uma outra montanha de onde seguramente terei uma vista fantástica sobre o vale.Apesar do calor,quero ir até lá e tenho a companhia do Adrian que entretanto se juntou a mim.Não há escadas,a subida é feita por um trilho que serpenteia encosta acima.




Numa altura em que a fome já apertava regressamos à carrinha onde o guia já nos aguardava com uma pequena surpresa.Tâmaras e melancia para toda a gente.Soube mesmo bem!



Meybod é o próximo e último destino deste tour.Nesta cidade com mais de 1800 anos situada a aproximadamente 50 km's de Yazd,onde o principal ponto de interesse é uma fortaleza que segundo rezam as crónicas é a mais antiga deste gênero existente no país.
Vamos até lá mas como estamos atrasados o guia previne que quem quiser visitar o local tem no máximo quinze minutos para o fazer.
Optei por pôr de lado a ideia.Para mim não faz qualquer sentido pagar 150.000 IR e não ter tempo para desfrutar de um local tão importante.Fiquei à porta,conversei um pouco com o guarda que de forma simpática me deixou tirar umas fotos.
É por isto que não gosto de tour's organizados e mais uma vez se provou que estamos sempre dependentes de outras vontades. 





A uma curta distância fica a chamada Casa do Gelo,construída com o propósito de armazenar este bem tão precioso.
"-Gelo? mas de onde vem o gelo se estamos praticamente no meio do deserto?"
Esta é a questão que quase todos colocam e á qual o guia responde com o sorriso maroto como se tivesse a revelar um valioso segredo.
No exterior do edificio principal encontram-se dois tanques que seriam cheios de água e devido á grande diferença de temperatura que se regista durante a noite a água acabava por congelar.O gelo era então levado e armazenado dentro do edifício concebido de forma a conseguir mantê-lo neste estado por largos períodos de tempo. 






A despedida de Meybod e deste tour coincide com a visita a um antigo Caravançarai que durante a mítica rota da seda acolhia as caravanas de camelos.Hoje já totalmente renovado,o espaço encontra-se ocupado por lojas e recebe maioritariamente turistas.



Não vou dizer que este tour tenha sido uma perda de tempo,até porque visitei locais bastante interessantes,que de outra forma não teria hipóteses de conhecer.Mas como já referi não gosto de pressas.
Apesar de tudo,não posso deixar de dar uma palavra de agradecimento ao guia,que se limitou a fazer o seu trabalho de uma forma extremamente profissional.

.Aqui ficam todas as crónicas da nossa viagem pelo Irão
Primeiras horas de uma viagem memorável
Esfahan
Persépolis
Shiraz
Yazd
Naqsh-e Rostam
Kashan
Kharanaq,Chak Ckak e Meybod
Deserto de Maranjab


Abyaneh

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