quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

.STONE TOWN-A VERDADEIRA ALMA DE ZANZIBAR


A semana passou mais rápido do que estávamos à espera e o regresso a Stone Town fez-nos cair na triste realidade de que seria aqui que queimaríamos os últimos cartuxos desta viagem.
O tempo é escasso!Temos pouco mais de um dia para desbravar um pouco desta cidade repleta de vida,onde as ruas estreitas e labirínticas da zona velha nos revelam a verdadeira alma das gentes de Zanzibar.
É um mundo à parte,onde tudo se passa com naturalidade.Um mundo que nos transporta para uma era onde os turistas não passam de meros figurantes,completamente desfasados da realidade que por ali se vive.

No ar pairam ritmos africanos que se misturam e perdem naquele emaranhado,onde é impossível manter um rumo certo e no qual nos cruzamos com velhas carroças puxadas por burros de ar triste,por grupos de homens e mulheres que aproveitam as valiosas sombras para conversar ou jogar uma partida de dominó e por meninos que se entretêm nas suas brincadeiras.





Stone Town sente-se e entranha-se em nós a cada passo que damos pelas vielas empedradas,ao longo das quais se erguem antigos palácios que apesar do aspecto negligenciado ainda nos contam episódios de um passado longínquo,gravado nas lindíssimas portas de madeira existentes .
E as pessoas simples que cruzam o nosso caminho poderiam muito bem ser as mesmas de há duzentos anos.




No que parece ser a rua principal,o movimento adensa-se e perde-se um pouco aquele ambiente recatado que havíamos sentido até então.Ainda assim parece haver um equilíbrio sustentável entre o antigo e o moderno,e isso vê-se enquanto caminhamos por entre lojas e restaurantes que coabitam lado a lado com oficinas mal amanhadas,onde dois ou três homens trabalham peças de metal.






Mais á frente já se avista uma das muralhas do Antigo Forte,que no seu glorioso passado foi uma peça fundamental na defesa da cidade aquando dos ataques das armadas Portuguesas que por várias vezes tentaram recuperar o domínio destas terras. 
Este espaço que outrora presenciou disputas entre povos,acolhe agora meia dúzia de bancas de souvenirs que certamente serão o único meio de subsistência de algumas famílias locais.





A visita acaba por ser rápida e inevitavelmente voltamos a penetrar naquelas ruas cheias de vida,que injetam em nós mais uma generosa dose de cultura local.
Desta vez o caminho é feito praticamente sem falhas e para lá dos telhados das casas surge a torre da Igreja Anglicana que nos vai servindo de ponto de referência e nos ajuda a alcançar o local desejado.



Como previsto,acabamos por desembocar numa zona onde a calçada de pedra dá lugar a uma ampla estrada asfaltada,onde uma pequena placa de madeira indica a nossa chegada ao antigo Mercado dos Escravos.
Transpomos o portão e de imediato cruzamo-nos com vários homens que sem grande insistência vão oferecendo os seus serviços de guia aos poucos turistas que por ali passam.Sorrimos,recusamos e seguimos directamente para a bilheteira onde pagamos 5USD cada um,pelo ingresso que nos permite aceder a um bem estruturado museu assim como a algumas celas onde eram armazenados os escravos enquanto aguardavam a incerteza do destino.

Naquela breve descida ao sub-solo,somos confrontados com a assustadora realidade de um dos períodos mais sombrios da história do continente africano.Várias dezenas de homens e mulheres permaneciam acorrentados e amontoados naqueles espaços minúsculos,onde a luz não chegava e em condições de higiene inimagináveis.




O dia já vai longo e aproveitando a agradável temperatura que se faz sentir neste final de tarde,rumamos à zona ribeirinha onde o azul do céu e as muitas palmeiras alinhadas ao longo da calçada acentuam ainda mais o cariz exótico do local.
Por breves momentos ficamos ali a observar o imponente Beit el Ajaib,que nos dá uma ideia de como seriam os tempos dourados em Stone Town.A magia foi dando lugar à decadência e aquele antigo palácio cerimonial assemelha-se hoje a um corpo moribundo abandonado à sua própria sorte.





Sente-se uma reconfortante brisa que com ela carrega um delicioso odor a maresia,trazido daquele mar imenso que de forma tranquila vem lamber aquele pedaço de costa.
Ao longe conseguimos avistar diversas pequenas ilhas,entre as quais a famosa Prison Island que gostaríamos de visitar....
Talvez consigamos lá ir amanhã.
Por hoje já chega!


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