segunda-feira, 20 de março de 2017

.AKUMAL-A PRAIA DAS TARTARUGAS


Num par de horas o tempo mudou drasticamente.Já não há chuviscos,nem nuvens negras,nem aquele vento desagradável trazido pelo mar.O sol brilha como nunca e sobre as nossas cabeças estende-se agora uma infindável tela azul que no horizonte se funde com as águas calmas do Caribe.
Um autêntico devaneio da natureza que com certeza decidiu compensar-nos pelo seu mau humor matinal,e que de certa forma acabou por condicionar a nossa visita a Tulum.
Tomamos aquele capricho meteorológico como um convite para uma tarde bem passada numa das muitas praias que connosco se vão cruzando ao longo da carretera.
Sem hesitações apontamos baterias para Akumal,que tantas vezes fez parte dos nossos planos em visitas anteriores,mas que por tantas outras razões nunca se concretizaram.
As indicações são claras e sem dificuldades encontramos o acesso.
Os muitos carros estacionados de forma desordeira na berma da estrada não auguram nada de bom.O trânsito na pequena e estreita rua mal tratada que nos conduz à praia,é infernal e quase nos faz dar meia volta.Não!Vamos ficar.Havemos de encontrar um sitio onde deixar o carro.
Avançamos devagar e logo depois passamos por um parque de estacionamento onde cobram 50 MXN mas não gostamos do que vemos.De forma negligente um tipo tenta arranjar vagas para os vários veículos que ali fazem fila.Há sempre lugar para mais um...
Entretanto somos abordados mais que uma vez por indivíduos que nos tentam vender um tour para poder ver as tartarugas que habitam nas águas daquela praia.Sorrimos e de forma simpática recusamos a oferta.Uma,duas,três vezes.
Não muito longe da praia encontramos finalmente um parque de estacionamento com condições aceitáveis e onde cobram os mesmo 50 MXN.
Está feito!Só temos de retirar o carro até ás 18:00,uma vez que o espaço encerra depois dessa hora.







Vê-se claramente que este é um local extremamente turístico.
Ao longo dos derradeiros metros antes de chegarmos à praia cruzam-nos com pequenos supermercados,tiendas de recuerdos e lojas onde poderíamos alugar material de snorkel caso não tivéssemos trazido o nosso.
Mais uma vez somos interpelado por um jovem que nos pergunta se queremos nadar com as tartarugas.Recusamos...de novo.
Um passadiço de madeira faz-nos passar ao lado de um hotel onde alguns turistas bebem cocktails sentados em pequenas mesas de plástico.Quanto a nós e já com os pés na areia temos o primeiro vislumbre da fantástica praia de Akumal,que se prolonga por umas centenas de metros para o nosso lado direito.É nessa direção que vamos.

Talvez por ser domingo,a praia tem mais pessoas do que seria expectável.Além dos turistas,várias famílias de mexicanos aproveitam aquele que será com certeza o único dia da semana que têm para se reunirem.
Caminhamos uns metros em busca de uma sombra e abancamos sob uma das muitas palmeiras que se erguem ao longo do areal.O mar de um azul vivo está ali a dois passos e chama por nós.Não resistimos!
Um pouco mais à frente,em águas mais profundas,várias dezenas de turistas equipados com coletes salva-vidas de cores garridas aglomeram-se em grandes grupos.As tartarugas andam certamente para aqueles lados.
Por agora ficam-nos por aqui e desfrutar das águas calmas e temperadas do Mar do Caribe.



Depois de um banho que acabou por se prolongar por quase meia hora,regressámos ás toalhas que entretanto já estavam ao sol.Reposisionamo-las,comprámos umas cervejas a uma simpática senhora que por ali passou e ficámos sentados a observar aquele enquadramento tropical,embalados pelo som do vai e vem da água que se mistura com a musica latina que paira no ar.



O tempo está fantástico,nem muito quente nem demasiado fresco e convida a um passeio.Deixamos as toalhas a marcar o nosso território,e de mochila ás costas caminhamos descalços algumas centenas de metros ao longo daquele mar que de forma repetida nos vem beijar os pés.
Chegamos a um grande resort de luxo,que nos trás à memória a primeira vez que visitámos o México.
Há espreguiçadeiras espalhadas pelo areal onde as palmeiras foram substituídas por chapéus de palha,sob os quais alguns hóspedes aproveitam aquela semana de dolce far niente.Damos um mergulho rápido e estamos prontos para voltar para trás.






As toalhas ainda estão no sitio mas de novo ao sol e ali ficarão.Sabe-nos bem aquele calorzinho no corpo e sentimo-nos como se o sol nos massajasse a pele.Quase me esqueço que viemos ali para tentar ver as tartarugas que nadam algures nas águas que banham aquela baía.
Após mais uns momentos de relax,lanço-me mais uma vez ao mar,desta feita devidamente equipado com o material de snorkel que viajou comigo na mochila.A temperatura da água está ótima e rapidamente alcanço as bóias que servem de limite aos banhistas.Atravesso-as e mantenho-me por ali,longe dos grupos barulhentos,numa área onde a profundidade não deverá ser superior a três metros e onde o chão se encontra coberto de uma espécie de relva que segundo parece,serve de alimento aos seres marinhos que espero encontrar,mas que tardam em aparecer.

Passa algum tempo e nada.Apesar da visibilidade ser ótima,começo a pensar que talvez não terei sorte nesta minha experiência sub aquática.Numa última tentativa resolvo afastar-me das bóias,para um local onde a verdura que cobre o leito marinho é mais uniforme e onde seguramente aumentarão as minhas chances.Enquanto dou algumas braçadas mais vigorosas vejo um vulto a um par de metros.Sim,é uma tartaruga!É maior que aquelas que vi um mês antes nas Maldivas.
A adrenalina aumenta e por breves momentos venho à superfície para controlar a respiração e limpar a máscara que entretanto começou a ficar embaciada.Não há mais ninguém naquela zona.
Quando volto a mergulhar aquele ser gracioso ainda ali está,e de repente,vinda não sei de onde aparece outra ainda maior.Faço algumas fotos enquanto aquele par de tartarugas pasta de forma tranquila,completamente alheias à minha presença.







Apesar da corrente,tento manter-me a uma certa distância,de forma a não incomodar aqueles dois animais que nadam de forma graciosa,numa espécie de bailado,tendo-me a mim como único espectador.
Infelizmente a atuação termina de forma precoce e os protagonistas retiram-se de cena,e eu completamente rendido ao encanto do que acabei de presenciar regresso ao areal,com uma ânsia quase incontrolável de partilhar com a Paula as imagens e o relato da experiência memorável que acabei de viver.

Seca-se o corpo sob um sol cada vez mais brando e bebe-se mais uma cerveja em jeito de comemoração.
Os ritmos tipicamente mexicanos que ainda pairam no ar e os tons alaranjados que vão aos poucos colorindo o horizonte,têm o condão de transformar aquele final de tarde num momento delicioso...perfeito,sem filtros nem efeitos especiais.



Costumamos muitas vezes ser traídos pelas expectativas demasiado elevadas que trazemos na bagagem,mas neste caso Akumal não desiludiu e bastou-nos uma tarde para perceber que este local é muito mais que uma simples praia.É a praia das tartarugas.

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