domingo, 12 de março de 2017

.TULUM - A ANTIGA GUARDIÃ DO MAR DO CARIBE


O acordar foi fácil.
Esta noite dormimos um pouco mais que as anteriores e isso fez toda a diferença.
Já devia haver mais luz lá fora e quando vou até à varanda do nosso quarto constato que o tempo mudou drasticamente. Um manto de nuvens cinzentas cobrem o céu que até ontem se mantinha azul. Não é justo! Logo hoje que vamos estar frente a frente pela primeira vez nesta viagem com mar do caribe.
Embora com pouca fé, tento convencer-me que entretanto a situação vai melhorar.
Temos cerca uma hora para nos arranjarmos, levar a bagagem para o carro e tomar o pequeno almoço que já deve estar a ser servido na zona da piscina.

Tudo corre como previsto e não há atrasos. Como a recepção ainda se encontra encerrada deixamos as chaves do quarto com uma das senhoras que se ocupa das limpezas. Agradecemos a simpatia e seguimos viagem rumo à nossa primeira paragem do dia, onde com certeza chegaremos em menos de dez minutos.
A Posada Yum Kin fica para trás. Um excelente local que vai deixar saudades.

De repente e por breves momentos somos brindados com as primeiras gotas de chuva, que  acabam por se dispersar tão rápido como apareceram. O clima tropical tem destas coisas e hoje parece ser o dia perfeito para estes desequilíbrios meteorológicos.

Já passa das oito quando chegamos à zona arqueológica de Tulum. Estacionamos o carro no parque que a esta hora ainda se encontra com uma ocupação bastante reduzida. Menos mal. Parece que ainda há pouca gente! 
Um puto com 14 ou 15 anos indica-nos o local onde deverá ficar o nosso veiculo, que por uma qualquer coincidência se encontra estrategicamente situado ao lado de uma barraca de onde sai um tipo todo "ginga" que depois de nos facultar um mapa nos oferece mil e um serviços. Guia, transporte até à entrada do parque e descontos em várias lojas e atividades.
"-Estamos bem assim, obrigado".
O homem não oferece resistência e deseja-nos boa visita.

Os cerca de mil metros que nos separam do principal acesso à zona arqueológica é feito em conjunto com outros turistas, e à chegada ás bilheteiras o ambiente é de certa forma tranquilo, com uma a fila significativa mas que avança a bom ritmo.

Entretanto pouco ou nada mudou em relação ao tempo que continua encoberto e a ameaçar chuva. A única diferença é o calor dos dias anteriores que voltou em força, fazendo com que o suor nos escorra pelas costas abaixo.




O primeiro contacto com a chamada área arqueológica é quase como um deja vú, um reviver de memórias passadas que hoje recordo com felicidade.
Vinha de certa forma mentalizado para me deparar com um mar de gente, tal como em Chinchem Itza, nas ruínas de Cobá ou até durante a nossa primeira visita e este local. Mas não, para meu espanto àquela hora vespertina a presença de outros visitantes é de certa forma escassa. Todas aquelas pessoas que comigo caminharam ate á entrada das ruínas, acabam por não incomodar, dispersando-se pouco a pouco pela enorme área do complexo.
Sendo assim, a primeira volta ao local é de reconhecimento. O objectivo é tentar fazer umas fotos sem um número exagerado de figurinos, missão que é executada com sucesso e sem grandes dificuldades.

Há muito verde, aliás todo o que resta daquelas construções está assente sobre bonitos  tapetes de relva bem tratada.
São tantos os locais para explorar. Cantos e recantos mais ou menos secretos que refletem histórias de aventuras e desventuras dos tempos em que esta região era bem diferente do que hoje conhecemos.





Caminhamos até ao ponto mais alto onde se ergue um edifício a que todos chamam El Castillo e que de forma perigosa parece equilibrar-se ao sobre as águas azuis do Mar do Caribe.
Aquelas paredes de pedra, hoje de aspecto frágil, são um testemunho vivo de um tempo em que o povo Maia fez desta fortaleza uma importante guardiã. 
Lá em baixo o mar, esse mar incrível que para nossa tristeza hoje não brilha como seria de esperar. Sem sol e com o céu coberto de nuvens cinzentas, o azul turquesa que caracteriza aquelas águas, é nesta manhã de Dezembro uma sombra da realidade, como se de certa forma estivesse triste por se ver privado de mostrar a sua beleza.





Uma escadaria de madeira leva-nos ao pequeno areal ladeado por alguns rochedos e onde meia dúzia de visitantes aproveitam para se refrescar. Queremos muito fazer parte daquela ilustração e num impulso lançamo-nos ás águas temperadas do Mar das Caraíbas para aquele, que para nós, será o primeiro mergulho de 2017.


Apesar do bonito cenário regressamos ás ruínas onde o ambiente é agora bastante diferente daquele que presenciamos à pouco mais de meia hora. Os tour's organizados que entretanto foram chegando de Cancun e Playa del Carmen invadiram o espaço e agora todos aqueles os grupos de turistas se transformam em inquilinos temporários da antiga cidade Maia. 

Já passa das dez da manhã quando deixamos para trás as ruínas de Tulum.
Chegar cedo deu-nos a oportunidade de visitar este local carregado de história de forma tranquila.
A viagem segue em direção de Akumal.

-OUTRAS CRÓNICAS SOBRE O MÉXICO:


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