quinta-feira, 22 de agosto de 2019

ILHA DE SÃO VICENTE - A ENEGIA MAIS CONTAGIANTE DE CABO VERDE


Em São Vicente há uma energia especial. Um bem estar que se espalha pelo ar e contagia de forma intensa todos os que ali chegam. A simpatia da população amarra-nos desde o primeiro momento. Aqui tal como em todo o país irá conhecer um povo afável, de discurso fácil e ainda que simples estará sempre disposto a ajudar.  Dizem que é a isso que chamam Morabeza, a tal palavra que só parece fazer sentido em Cabo Verde.
As temperaturas quase sempre a rondar os 25°C ativam-nos os sentidos, fazendo com que os cheiros e os sabores além de exóticos, se tornem ainda mais intensos. É um verão quase permanente que obriga as pessoas a passarem grande parte do dia nas ruas.
Em qualquer lado se improvisam salas de estar, mercados, feiras e até restaurantes onde um simples grelhador faz as vezes de uma cozinha toda xpto. É uma realidade distinta, normal para quem ali vive e estranha para quem chega. Mas acredite que é uma questão de tempo e daqui a um par de horas tudo isto vai fazer sentido.





.DIA 1
O Mindelo ainda que desarranjado dá-nos as boas vindas ao som dos ritmos crioulos que embalam os sabores africanos e os sorrisos genuínos das suas gentes. A principal cidade da ilha é sinónimo de vida e a Praça Estrela é uma espécie de peça central de uma máquina em permanente movimento que bombeia toda essa energia positiva para os quatro cantos da ilha. 
É neste local quase frenético que damos início à nossa visita. O mercado de rua ali existente é o pretexto ideal para se misturar com a multidão. Percorra todo o espaço sem receios, sinta, cheire, fale com os locais e guarde na sua memória cada um dos retratos que os seus olhos vão fixando.
Edifícios coloniais bem cuidados que recordam a ocupação Portuguesa e Britânica parecem espalhar-se em quase todas as direções, convidando-nos a dar largas à nossa imaginação enquanto passeamos pelas ruas empedradas do centro histórico. De entre tantos, o Palácio do Povo e a sede da Câmara Municipal destacam-se como exemplos perfeitos das memórias de um glamour trazidos pelos povos da Europa. 






Na Praça Nova, homens e mulheres de vidas vividas, passam o tempo sob as copas das árvores que nestes dias de calor intenso aguardam pacientemente que uma qualquer brisa as faça dançar. Os bancos de jardim, o coreto e o antigo quiosque transportam-nos para momentos da nossa infância, quando os jardins eram o ponto de encontro de novos e velhos.
Siga o cheiro da maresia até chegar à marginal. Aí, entre num café e beba uma cerveja ou um refresco enquanto pelas janelas entreabertas observa os movimentos repetitivos dos muitos barcos ancorados sobre as águas da bonita baía. Ao longe, escondida para lá de uma ténue neblina, a silhueta da ilha de Santo Antão traz-nos à memória os dias de caminhadas que antecederam a nossa chegada a São Vicente.






Respire fundo e prepare-se para voltar a enfrentar o calor. Aproxime-se do mar, caminhe lentamente até perto da Torre de Belém onde certamente se cruzará com alguns pescadores que sob o olhar da Estátua de Diogo Afonso reparam as redes e amanham o pescado que mais tarde servirá de refeição a algumas famílias. 
No Mercado do Peixe situado a um par de metros, deparamo-nos com um frenesim mais ou menos organizado. Sobre as bancadas de betão alinha-se o resultado da faina da noite anterior.  A concorrência é grande e por entre a movimentação constante, são os apelos emotivos das vendedoras que marcam o compasso, ditando quem sabe, o sucesso ou insucesso de uma venda. 

O relógio não para e no ar já esvoaçam os cheiros dos temperos crioulos que pouco a pouco se vão esgueirando pelas janelas entreabertas dos vários restaurantes com que nos cruzamos. A esplanada do Restaurante Bom Gosto convence-nos, e mais uma vez forramos o estômago com uma refeição rica em sabores exóticos.

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Valeria talvez a pena prolongar a sua passagem pelo Mindelo muito para lá desta mão cheia de horas, contudo o tempo é escasso e a ilha de São Vicente terá certamente outros motivos de interesse.
Sugerimos-lhe então uma ida à praia de forma a atenuar o calor que se faz sentir neste início de tarde.
Para isso regresse à Praça Estrela e ainda que tenha de esperar um pouco, siga de aluguer até à Baía das Gatas que a não ser que seja Domingo estará praticamente deserta. 
Estenda a toalha e faça parte deste quadro de natureza pura, que nos convida a demorados e refrescantes mergulhos nas águas desta lindíssima piscina natural protegida por escarpas vulcânicas. 
Quando estamos perante tamanha beleza não há razão para ter pressas. Não se esqueça que em Cabo Verde o tempo corre devagar e vale a pena permanecer mais um pouco neste paraíso quase exclusivo. Assista à chegada do final da tarde que certamente trará consigo grupos de meninos e meninas que depois de um dia de escola transformam o areal num recreio improvisado. 






No regresso ao Mindelo faça uma visita à Praia da Laginha e testemunhe o ritual quase quotidiano das gentes locais que ali marcam presença a cada final de dia. Passe em frente do porto, volte a pisar a calçada da avenida marginal e em conjunto com com quem por ali anda, despeça-se do dia com os olhos postos no horizonte. O momento em que o sol se esconde e o mar se pinta de tons laranja é o sinal que os pescadores precisam para se lançarem em mais uma noite de faina.




.DIA 2
Acorde lentamente. Talvez na sua cabeça ainda bailem os ritmos das mornas que alegraram o serão da noite anterior e que provavelmente ainda o acompanharão durante boa parte da jornada que agora se inicia. 
Vista-se com roupas leves porque os raios de sol que já rasgam as cortinas das janelas fazem antever a chegada de mais um dia de calor intenso.
Saia à rua e com os planos bem traçados volte à já tão familiar Praça Estrela, para mais uma vez apanhar o meio de transporte mais carismático de São Vicente. O aluguer para o Calhau deverá demorar um pouco a ficar composto. Serão necessários dez... talvez quinze minutos no máximo para que com os assentos quase todos preenchidos se dê início à viagem que num ápice deixa para trás a cortina urbana do Mindelo. As estradas de alcatrão, dão lugar a caminhos empedrados que nos sacodem o corpo e nos obrigam a despertar definitivamente. Não existem pontos de paragem pré definidos. O homem por detrás do volante vai encostando sucessivamente na berma para recolher novos passageiros e o espaço que até à pouco havia no habitáculo da velhinha hiace acaba por atingir a sua capacidade máxima.

A paisagem já por si pobre converte-se a certa altura num cenário de aparente deserto onde o mar parece ser o único elemento estranho em toda aquela envolvência. Nesta terra onde o verão já dura para lá do compreensível não há espaço para florestas, hortas ou qualquer coisa que consiga gerar alimento suficiente para a população. Destas terras quase nada se consegue tirar. Importa-se tudo ou quase tudo daquilo que irá saciar os estômagos de habitantes locais e visitantes estrangeiros. 



Ao longe os vários cones que deformam o solo nesta área da ilha relembram-nos as origens vulcânicas do arquipélago. Aos seus pés e quase beijadas pelas águas do oceano, um punhado de habitações que de portas e janelas trancadas parecem ter sido esquecidas pelos seus donos.
O Calhau é assim, uma espécie de território lunar, onde quase ninguém parece querer viver e no qual o chão estéril não gera muito mais que os pequenos arbustos presentes nas áreas mais protegidas dos elementos.
Se a sua condição física o permitir lanço-lhe um desafio. Com o devido cuidado trepe até ao ponto mais alto de um destes gigantes adormecidos, caminhe na orla da cratera e lá bem no alto lance um olhar sobre as ilhas vizinhas de Santa Luzia e Santo Antão







O trajeto de regresso ao ponto de partida será em tudo idêntico àquele que o trouxe até aqui, ainda que com outras personagens e outras conversas. 
Na cidade grande almoce no restaurante da véspera ou uma vez que as ruas do Mindelo já não têm segredos para si, arrisque algo diferente.

Depois da merecida refeição, talvez seja boa ideia dar um agradável passeio pelos extensos areais das praias pouco congestionadas da costa ocidental da ilha. Para tal, e caso pretenda continuar a usar os alugueres, terá de regressar mais uma vez à Praça Estrela. De entre as várias carrinhas hiaces ali estacionadas encontre aquela que tem como destino a bonita Praia de São Pedro e onde chegará em pouco mais de trinta minutos.
Ainda que o calor continue a não dar tréguas, o mar revolto parece lançar-nos o permanente aviso de que hoje não está para brincadeiras e até os pescadores que com ele têm uma maior proximidade parecem pouco dispostos a desafiar as águas temperamentais do oceano.



Vagas de tamanho considerável embatem com estrondo no areal lançando para o ar uma ténue neblina que acaba por nos refrescar o corpo enquanto percorremos a estreita língua de areia que serve de fronteira entre o mar e uma agradável lagoa onde alguns habitantes locais se divertem neste final de tarde.
Pouco a pouco o sol foge em direção ao horizonte. As pessoas partem, as gaivotas regressam a terra e nós não podíamos ter escolhido outro local para vivermos os derradeiros momentos desta viagem a Cabo verde.






Agora que a noite pinta o céu de negro, o Mindelo volta a receber-nos de braços abertos e ainda que seja em jeito de despedida não há lugar para tristezas.
A energia contagiante de São Vicente mantêm-se hoje e certamente cá estará da próxima vez que aqui viermos.


.LEIA TAMBÉM: GUIA COMPLETO PARA VISITAR A ILHA DO SAL


.ONDE DORMIR 
Tendo em conta o tempo limitado que iríamos ficar em São Vicente era para nós importante escolher um alojamento com uma localização central, de onde nos conseguíssemos deslocar para qualquer ponto da ilha sem grandes dificuldades. Além disso e numa altura em que o corpo já se ressentia das caminhadas, dos dias de praia e das poucas horas de sono nos dias anteriores, queríamos um lugar acolhedor e confortável que nos proporcionasse o descanso necessário depois de um dia de visitas.
Após alguma pesquisa a nossa escolha recaiu sobre o Kira's Boutique Hotel que acabou por respeitar cada um dos nossos critérios, superando em muito as expectativas criadas antes da nossa chegada. 
O Kira's Hotel fica situado no coração da cidade do Mindelo, a dois passos da Praça Amilcar Cabral e cresceu a partir de uma antiga residência familiar que depois de trabalhos de recuperação e adaptação a uma outra realidade acabou por ganhar uma nova vida. 
O espaço onde os detalhes fazem toda a diferença, mantêm o charme de um passado glorioso e cada um dos quartos foi pensado e decorado de forma cuidada para serem muito mais que simples acomodações.
Em suma, foram duas noites em que nos sentimos em casa mesmo estando longe do nosso lar. 
.A CRÓNICA COMPLETA SOBRE A NOSSA ESTADIA NO KIRA'S HOTEL PODE SER LIDA AQUI.






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1 comentário:

  1. Cidades praianas são sempre boas para tirar o stress e limpar a alma... hahahhaha...

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