domingo, 21 de novembro de 2021

SEGOVIA - MUITO MAIS QUE UM AQUEDUTO MILENAR (ROTEIRO COMPLETO)

Segóvia o que visitar

Se nos momentos que antecederam a nossa chegada ainda trazíamos na cabeça as imagens da grandiosa muralha medieval de Ávila, a verdade é que mal demos os primeiros passos nas ruas de Segóvia, percebemos que o nosso baú de memórias iria precisar de mais espaço para acomodar outros locais que certamente se iriam cruzar connosco nesta curta passagem pela cidade. Logo ali, na Plaza del Azoguejo, somos recebidos pelo enorme Aqueduto Romano que com a sua monumentalidade não poderá, de forma alguma, ser ignorado por cada uma das pessoas que ali passam. São cerca de dois mil anos de história representados nos mais de 20.000 blocos de pedra, empilhados de uma forma tão engenhosa que ainda hoje se mantêm tão firmes como no dia em que ali foram colocados. Ainda que só tenhamos chegado à um punhado de minutos a nossa entrada na cidade não poderia ter sido mais triunfal e não temos qualquer dúvida em afirmar que o Acueducto de Segóvia é possivelmente a obra mais emblemática da cidade. 

Segóvia o que visitar

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Apesar do frio a manhã está melhor que as previsões meteorológicas dadas pelos nossos telemóveis. Por agora e sem a chuva anunciada na aplicação digital, aproveitamos a tranquilidade vespertina para subir ao Miradouro Postigo del Consuelo de onde conseguimos ter uma perspetiva mais aproximada da real dimensão do aqueduto. Galgámos então cada um dos degraus que nos conduziram ao último piso daquele ponto de observação e por momentos sentimo-nos grandes, capazes de olhar nos olhos do gigante de pedra que hoje tal como no passado continua a impor respeito. 
Com o devido cuidado sentamo-nos no estreito parapeito que delimita o miradouro e com a cidade aos nossos pés testemunhámos o instante em que os primeiros raios de sol surgiram para lá da cadeia montanhosa desenhada no horizonte. 

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Não nos apressamos a abandonar o local até porque não voltaremos a descer os três ou quatro lançes de escadas que ainda há pouco nos conduziram a este bonito ponto de observação. Aproveitamos a localização privilegiada e seguimos por entre o casario do centro histórico que aparentemente revela alguma dificuldade em acordar para mais um dia. São poucas as pessoas presentes nas ruas e as lojas não vão, para já, dando sinal de poder abrir em breve. 
Adentramo-nos ainda mais e um pouco ao acaso acabamos por descobrir charmosas ruas que apesar da presença dos inevitáveis toques de modernidade nos vão dando a conhecer verdadeiros tesouros de tempos idos. A certa altura esbarramos com a inusitada Casa de los Picos que com a sua fachada pejada de saliências pontiagudas poderá muito bem ter sido em tempos o principal bastião de uma qualquer família abastada. 

Uns metros mais adiante é no Mirador de la Canaleja que voltamos a abrandar o passo. Mais uma vez somos convidados a lançar o olhar sobre o extenso mar de telhados que se alonga até bem perto das montanhas que há pouco avistávamos claramente mas que agora se esconderam para lá da teimosa camada de nuvens que cobre a cidade e toda a região envolvente. Não nos demoramos uma vez que o espaço vai sendo rapidamente ocupado pela esplanada do café ali existente e não queremos, de modo algum, atrapalhar o trabalho do atarefado rapaz que completamente indiferente à nossa presença vai preparando o local para mais um dia de labora. Talvez este seja um sinal de que a cidade está finalmente a acordar.


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O caminho faz-se agora a descer. Por breves instantes avançamos no que aparenta ser o ponto onde a zona antiga e nova se tocam. De um lado a muralha que tantas vezes protegeu a cidade e do outro diversos edifícios que apesar de recentes não deixam de estar de certa forma negligenciados. A Puerta de la Luna é logo ali, no cimo de uma longa escadaria.
Transpomo-la e de imediato penetramos num emaranhado de estreitas vielas que assinalam a nossa chegada ao coração da antiga Judearía, local que não é assim tão distinto de outros do mesmo tipo que já visitámos mas que pelo seu peso histórico não poderia de forma alguma ficar de fora deste passeio pela cidade. Apesar da proximidade com a afamada Catedral o movimento de visitantes é quase nulo, factor do qual não nos queixamos e que para sermos honestos até se revela um ponto a nosso favor. Completamente envolvidos por um ambiente sereno e extremamente cativante, esforçamo-nos para que nada nos escape nesta visita ao bairro Judeu, mas contrariamente ao que inicialmente planeámos, o objetivo acaba por não ser completamente alcançado uma vez que nos deparamos com as portas da antiga Sinagoga encerradas. 

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Deixamos para trás as estreitas ruelas forradas de seixos gastos pelos sucessivos anos de utilização e em menos de nada já os nossos olhos se fixam na sumptuosa Catedral de Segóvia, que assim, encaixada por entre o denso casario, até aparenta estar um pouco fora do contexto. 
Com maior ou menor destaque, a verdade é que a Catedral é de facto uma obra extraordinária, na qual os detalhes arquitetónicos parecem ter sido executados com o propósito de impressionar não só quem a contempla a partir da Plaza Mayor, mas sobretudo todos os que aceitam conhecer o que se esconde para lá das enormes paredes de pedra. Até a Iglesia de San Miguel e o edifício do Ayuntamiento, situados em áreas distintas deste espaço público, se sentirão eventualmente descriminados devido à escassa atenção que lhes é atribuída.


Segóvia o que visitar

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Ainda que não achemos justo que se cobre dinheiro para entrar num qualquer espaço sagrado, este em particular merece que abramos uma exceção e nem sequer hesitamos no momento em que somos confrontados com o valor exigido para aceder ao seu interior. Bastaram um par de minutos para chegarmos à conclusão que demos o nosso dinheiro por bem empregue e logo aí, perante tamanha demonstração de perfeição estética, poucas palavras farão justiça ao banho de monumentalidade a que o visitante é sujeito.
Escolhemos então ao acaso um ponto para iniciar a visita e à medida que avançamos por entre as várias dezenas de colunas que sustentam os tetos abobadados é-nos impossível disfarçar o entusiasmo que (de forma justificada) se apoderou do nosso olhar. 

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Completamente contagiados por um incontrolável desejo de descoberta aplicamo-nos para que nada nem nenhum detalhe nos escape, mesmo que para isso sejamos "forçados" a passar mais do que uma vez pelo mesmo local. Se cada pequeno recanto daquela obra excepcional é para nós uma oportunidade de encantamento, então a visita aos múltiplos alteres, ao coro, à sala do tesouro e ao claustro, que à nossa chegada se encontra inundado de misteriosas sombras, acabam por se transformar em imagens singulares que dificilmente se apagarão da nossa memória. 

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Ainda meio atordoados pelo deslumbre, encerramos a nossa passagem pela Catedral com a subida à torre sineira de onde, segundo dizem, se avista para lá de muitas léguas. O que começou por ser encarado como um simples pretexto para ali permanecer um pouco mais, rapidamente se transformou numa experiência marcante, talvez porque a partir daquela varanda para o mundo o nosso olhar não encontra quaisquer barreiras à contemplação da paisagem. 

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Despedimo-nos da Catedral e voltamos a marcar encontro com a antiga muralha que ao longo da Ronda de Dom Juan II nos presenteia com bonitas perspectivas, não só sobre as áreas da cidade já percorridas como também para horizontes que se anunciam. De tudo o que avistamos é o magnífico edifício do Alcazar de Segovia que rouba a nossa atenção, e levados pela vontade de chegar mais perto daquela fortaleza medieval, os derradeiros metros sucumbem rapidamente ao ritmo mais elevado que impomos às nossas pernas.

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É então já por entre o arvoredo que povoa a Plaza la Reina Victoria Eugenia que nos deparamos com a primeira grande concentração de pessoas. São diversos os grupos de visitantes ali presentes que ouvem com maior ou menor entusiasmo as explicações de quem os acompanha nesta visita relâmpago a Segóvia. 
Quanto a nós e uma vez que o espaço é relativamente amplo, mantemo-nos numa área mais tranquila de forma a que possamos admirar com a devida atenção aquela espécie de castelo de conto de fadas. É sem dúvida uma construção interessante, bem conservada e com uma arquitetura que mereçe ser contemplada. O Interior, não o experimentámos. Preferimos utilizar a soma dos ingressos num almoço que se revelou tão improvisado quanto saboroso. Uma baguete, meia dúzia de fatias de salpicão e duas cervejas são os ingredientes presentes no menu que nos aconchega o estômago que já mostrava desassossego.

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Depois de um reconfortante café renova-se a possibilidade de novas descobertas. Afinal de contas, estamos mais uma vez nas labirínticas ruas do centro histórico onde pela primeira vez recorremos ao gps para encontrar o norte que nos escapou quando nos distraímos com os encantos de uma travessa que afinal não nos levou a sítio algum. 
Este contratempo teve o condão de atrapalhar os nossos planos e com a hora do autocarro que nos levará para outras paragens agora mais próxima, tentamos ser mais assertivos no caminho a seguir. 

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Mesmo assim ainda teremos a oportunidade de visitar a Iglesia de San Martin, assinalada nas nossas notas como um local de destaque, nem que seja por entre os edifícios de outras eras hoje ocupados por modernos estabelecimentos comerciais.
Sem razão aparente o templo encontra-se encerrado e não conseguimos satisfazer o desejo de conhecer o seu interior, obrigando-nos a focar atenções na bem arranjada praça que o rodeia. Damos uma volta completa ao espaço e constatamos que esta é visivelmente a área mais movimentada de Segóvia, por onde passa uma boa parte da vida da cidade velha. 

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É ali que gastamos os últimos cartuxos de um dia que certamente não terá muito mais para nos oferecer para além de um generoso gelado de morango degustado aos pés da estátua de um ilustre cidadão que desconhecemos. 

Antes de seguirmos para o terminal rodoviário regressamos à zona baixa da cidade e de sorriso no rosto não negamos uma selfie com o afamado diabrete que segundo a lenda foi o principal responsável pela construção do aqueduto. 

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INFORMAÇÕES ÚTEIS: 

.COMO CHEGAR A SEGÓVIA
Ainda que isso implique uma viagem relativamente longa, é perfeitamente possível chegar a Segóvia de carro tendo como ponto de partida um qualquer local de Portugal. Voar para Madrid é outra das opções. A partir da capital de Espanha poderá depois apanhar um autocarro que em pouco mais de uma hora realiza o trajeto entre os dois locais. Nós alcançámos Segóvia de bus vindos da cidade de Ávila. A viagem é rápida, confortável e relativamente barata. 

.QUAL A MELHOR ALTURA PARA VISITAR SEGÓVIA
Segóvia é uma cidade que se pode visitar em qualquer época do ano apesar de ser preferível planear a sua visita na altura da Primavera ou no Outono. Durante esses períodos não só as temperaturas são mais agradáveis como também existirá uma menor probabilidade de precipitação. 
No verão, em especial durante os meses de Julho e Agosto o forte calor que se faz sentir nesta região poderá eventualmente condicionar as visitas. No inverno para além do maior risco de ocorrência de chuva, as baixas temperaturas são presença praticamente garantida, exigindo assim um ou mais agasalhos extra.
Seja como for nenhum destes fatores deverá ser impeditivo para que possa ter uma excelente estadia na cidade de Segóvia.


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