sexta-feira, 5 de setembro de 2014

VISITAR HALONG BAY - VIETNAME


Durante a organização desta viagem pelo Vietname optámos por guardar para o fim aquele que teoricamente seria o seu momento mais espetacular. Digo teoricamente porque numa viagem nem tudo acontece tal como planeamos, e no que à meteorologia diz respeito pouco ou nada podemos fazer para que ela se adapte aos nossos desejos, obrigando-nos na maioria dos casos a estar sujeitos aos seus caprichos e vontades. 
Hoje entrávamos oficialmente na recta final da nossa aventura e para culminar da melhor forma a nossa passagem pelo país, decidimos que as despedidas deveriam acontecer num dos mais famosos e turísticos locais  do Vietname.
Halong Bay era um sonho antigo e por mais que nos tentássemos abstrair do que víamos acontecer para lá da janela do nosso quarto, a chuva que teimava em alagar as ruas da capital deitava por terra as expetativas criadas ao longo dos últimos dias.

.DIA 1
Deixámos Hanoi por volta das oito da manhã, e em conjunto com meia dúzia de outros turistas, seguimos durante quase quatro horas numa van que nos transportou desde as ruas caóticas da capital até ao porto de Halong. Sem exceção, todos os que seguiam no interior daquele veículo pareciam ter sido tomados por um qualquer sentimento de tristeza que de forma irónica era verbalizado por um silêncio quase incomodativo.
Ainda que o nevoeiro teimasse em esconder a paisagem, nós e todos aqueles que connosco seguiam viagem, insistíamos em direccionar o olhar para o que acontecia para lá dos vidros molhados, quem sabe, em busca de um qualquer sinal de esperança.    
Em Hanoi e à semelhança de grande parte das cidades que fomos visitando durante as últimas duas semanas, deparámo-nos com inúmeras agências de viagens que para além de outros passeios, propõem também um cruzeiro de um, dois ou três dias àquele que muitos dizem ser um dos locais mais bonitos do planeta.
Com os nossos desejos perfeitamente claros quanto ás atividades que pretendíamos ver incluídas, escolhemos a A-Class Cruises que por 85 euros por pessoa, incluía transporte de ida e volta desde Hanoi, uma cabine de categoria deluxe, refeições durante os dois dias do cruzeiro, visita à gruta de Sung Sôt assim como algumas atividades náuticas (kayak e snorkling).
A baía de Halong faz parte dos locais protegidos pela UNESCO e em 2012 foi eleita uma das Sete Maravilhas Naturais do PlanetaEsta zona, situada a cerca de 200 quilómetros da capital, é famosa pela sua beleza paisagística, composta por milhares de pequenas ilhas e monólitos calcários que se estendem por uma área de aproximadamente mil e quinhentos quilómetros quadrados.



Chegámos ao porto por volta do meio dia e já na companhia de um guia seguimos num pequeno barco de madeira até à embarcação principal, na qual e já depois de um rápido check-in fomos apresentados aos nossos aposentos. 
Enquanto desfazíamos a mochila, e quase sem darmos por isso fomo-nos afastando da costa, penetrando subitamente num mundo onde sombras gigantescas se escondiam para lá do espesso nevoeiro. A chuva parece por agora disposta a dar-nos uns minutos de acalmia, levando-nos a correr para o deck superior de onde vemos desfilar os gigantescos penhascos calcários que caracterizam esta zona do país.


O chamamento para o almoço forçou-nos a abandonar aquele privilegiado posto de observação, substituindo-o por um apresentável espaço comum onde aconchegámos o estômago enquanto íamos travando conhecimento com um ou outro passageiro mais aberto a dois dedos de conversa. Se lá fora o tempo não dava mostras de ceder aos nossos desejos, ali, naquela sala com vista privilegiada para uma parede de nevoeiro, vive-se um ambiente cada vez mais familiar e as gargalhadas que se vão soltando demostram que afinal nem tudo é assim tão mau. As horas passam quase sem nos darmos conta, muito por culpa das desafinadas cantorias daqueles que arriscam uma traumática experiência no karaoke e por um hilariante curso de culinária vietnamita no qual foram confeccionados alguns dos pratos que iriam ser servidos ao jantar. 






A certa altura o barco cessa a navegação e somos desafiados a enfrentar a chuva de forma a pudermos ver um pouco mais de perto aquelas incríveis formações rochosas que se erguiam centenas de metros acima das nossas cabeças. Enquanto os mais contidos decidiram fazer o passeio nos pequenos barcos de madeira dos habitantes locais, a maioria revelou o seu espírito aventureiro e nos kayakes postos à disposição, lançou-se desta forma à descoberta daquele mundo sinistro repleto de monstros de pedra e cavernas que desembocavam em lagoas quase secretas.
Apesar do nevoeiro ter condicionado não só a observação mas sobretudo a opinião, deu para perceber que este local é sem dúvida de uma beleza extrema. Pena é que tivéssemos escolhido o dia errado!




Já com o corpo parcialmente molhado ainda houve tempo para uma curta e desinteressante visita a uma das várias aldeias flutuantes presentes nesta região. 
Ainda que em tempos tenha sido a pesca a principal fonte de sustento destas gentes, atualmente e devido à cada vez maior presença de visitantes, é o turismo que parece assegurar a sustentabilidade da comunidade. Aqui, tal como em muitos locais espalhados por esse mundo fora, esquecem-se as tradições em troca de um punhado de moedas. 






Regressamos ao barco, retoma-se a navegação e durante um par de horas vemos desfilar paisagens que agora, com a luz a extinguir-se rapidamente, parecem já não ter a capacidade de impressionar.  
Enquanto jantamos o dia recua e a escuridão acaba inevitavelmente por tomar conta de tudo o que nos rodeia. Ainda que o corpo maçado pelo passeio no kayake nos peça algum descanso, resistimos ao desejo de uma retirada precoce e em conjunto com um simpático casal de brasileiros acabámos por prolongar o serão até para lá do que seria expectável. 
O nosso primeiro dia em Halong Bay não foi exactamente o que tínhamos imaginado, mas haverá certamente males maiores...

Conta uma lenda que há muitos anos quando o povo do Vietname lutava com dificuldade contra alguns invasores, o Imperador resolveu enviar para esta zona dois dragões (mãe e filho) com o objectivo de ajudar a derrotar os inimigos. Esses animais mitológicos começaram a cuspir fogo, jóias e jade que se foram transformando em pequenas ilhas que conseguiram suster os invasores, permitindo dessa forma que o povo local mantivesse as suas terras. É por essa razão que Halong Bay significa a "baía onde desceu o dragão".


.DIA 2

O amanhecer trouxe com ele uma espécie de episódio que já conhecemos de cor. Para lá da janela molhada, as mesmas formas, as mesmas cores e o mesmo sentimento de impotência perante os desejos da mãe natureza.
Com o pequeno almoço marcado para as 7:30 da manhã, ainda há tempo para uma rápida passagem pelo deck superior onde acabamos por ser surpreendidos por uma brisa desagradável que nos obriga a vestir um casaco.
Não há atrasos e à hora marcada o grupo reuniu-se para a primeira refeição do dia que acontece envolta numa preguiça matinal que insiste em manter cada um de nós em modo híbrido. Segundo as informações transmitidas, uma boa parte da manhã será ocupada com diversas atividades exteriores que nos manterão entretidos até perto do meio dia, altura em que será servido o almoço que antecede o nosso regresso à capital.


Divididos em dois grupos subimos a bordo dos pequenos barcos de madeira e sobre as águas quase imóveis da Baía de Halong fomos rasgando a densa neblina que envolve tudo o que nos rodeia. Ainda que não o vejamos claramente, sentimo-nos observados por um gigantesco corpo de pedra que em silêncio nos convida a caminhar sobre si. Pouco depois desembarcamos e por entre a vegetação galgamos por uma longa escadaria até á Gruta de Sung Sût, famosa por albergar algumas das mais incríveis formações calcárias desta região. 



Uma vez chegados à entrada da gruta deparamo-nos com uma visão arrebatadora que rapidamente nos fez perceber o porquê de tantas vezes ao longo desta viagem nos terem dito que este era definitivamente um dos locais que deveríamos mesmo incluir no nosso roteiro. O espaço encontra-se dividido em três câmaras subterrâneas que se prolongam por uma área de cerca de quinhentos metros de comprimento e que em certos pontos o tecto chega a atingir uma altura de trinta metros.
As luzes que iluminam o espaço dão-lhe um ambiente de certa forma misterioso e não fossem as centenas de outros visitantes que connosco dividiam aquele local mágico, poderíamos muito bem fazer uso da nossa imaginação e vestir a pele de um explorador que acaba de descobrir um qualquer mundo perdido.

   

Ainda que a visita a este incrível local merecesse que lhe dedicássemos um pouco mais de tempo, acabámos por demorar mais ou menos uma hora a percorrer todo o interior.
Regressámos ao barco e navegámos até àquele que seria o último local que visitaríamos nesta nossa passagem por Halong Bay. A Ilha Titop era segundo havíamos lido o ponto sitio para podermos ter uma vista privilegiada sobre esta área da baia, mas a verdade é que se o tempo não dava mostras de colaborar, também não se previa uma qualquer alteração súbita capaz de nos fazer ganhar algum ânimo.

  

Mais uma vez desembarcamos sem saber muito bem onde, e tal como na paragem anterior também neste pequeno pedaço de terra tivemos de galgar várias centenas de degraus que progressivamente nos iam conduzindo a um patamar mais elevado.
Apesar dos impermeáveis nos cobrirem uma boa parte do corpo, a chuva não poupava os que não estava protegido, levando-nos a constatar o que teimosamente nos recusávamos a admitir. Não valia a pena avançar mais e ficámo-nos pelo primeiro ponto de observação. Por muito que nos fosse difícil de aceitar, seria desta forma quase inglória que nos despediríamos de Halong Bay. Estávamos prestes a regressar a Hanoi e dentro de algumas horas já estaríamos sentados num avião a caminho de casa, recordando estes e todos os outros momentos vividos durante as últimas duas semanas.



Já no conforto do lar e em jeito de retrospectiva podemos dizer que gostámos especialmente de Hanoi assim como das zonas do centro e sul do país. Quanto ás paisagens que connosco se cruzaram nos últimos dois dias, sentimos que nunca tivemos a oportunidade de tirar o máximo partido daquilo que estávamos a vivenciar.
Não queremos de forma alguma ser injustos nem muito menos dizer que não gostámos, mas a nossa opinião acabou por ser influenciada pelos caprichos da meteorologia.
Regressámos de certa forma desiludidos mas com a perfeita consciência de que Halong Bay merece que lhe seja dada uma segunda oportunidade. 
Haveremos de regressar... 


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2 comentários:

  1. Olá, só por curiosidade, quando menciona que o preço do cruzeiro na Halong Bay foi de 85€, esse preço foi para os 2 ou para cada um? Obrigado

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