sábado, 20 de junho de 2015

. AÇORES,SÃO MIGUEL-DIA 2


Durante a nossa estadia em S.Miguel optámos por ficar instalados em Ponta Delgada e uma vez que tínhamos um carro para nos deslocarmos, saíamos todos os dias ás primeiras horas da manhã e regressávamos já depois do sol se esconder.
A ilha, apesar de ser a maior do arquipélago percorre-se facilmente uma vez que as estradas, tanto as principais como as secundárias se encontram em ótimo estado.
Hoje, o segundo dia da nossa aventura Açoreana, acordámos bem cedo e cheios de vontade de regressar à estrada para desbravar mais um pouco deste paraíso perdido no meio do Oceano Atlântico.




Ainda não eram oito da manhã e já estávamos sentados a tomar um delicioso pequeno almoço preparado pelo simpático senhor José que nos recebeu na Guest House Marisol com tamanha simpatia que nos fez sentir em casa desde o momento que chegámos.
A "volta" prevista para hoje iria levar-nos a percorrer a zona central da ilha. Sendo assim e já de estômago cheio deixámos para trás Ponta Delgada e seguimos em direção á pequena vila de Rosto de Cão, onde tínhamos previsto fazer a primeira pausa do dia.
Este local plantado à beira mar deve o seu nome ao ilhéu (que na realidade é uma península) ali existente que os antepassados que outrora aqui habitaram comparavam a um cão deitado com a cabeça virada para o oceano. 



Ainda nesta pequena vila destacamos a praia de areia negra onde numa falésia se ergue uma bonita e típica igreja.



Abandonámos, passámos sem parar em Lagoa e a certa altura virámos à esquerda onde começámos a subir em direção ás nuvens.
O objectivo seguinte era visitar mais uma das grandes Lagoas da ilha: a Lagoa do Fogo.
Para lá chegarmos é necessário percorrer estradas que literalmente rasgam a montanha e que nos proporcionaram vistas recheadas de extrema beleza.
O tempo lá em cima não estava famoso, além das muitas nuvens que envolviam tudo ao nosso redor, também a temperatura baixara drasticamente nos últimos metros que havíamos percorrido.



Já estávamos a desmoralizar e foi nesse momento que assistimos ao fenômeno meteorológico mais inexplicável das nossas vidas. Por diversas vezes tínhamos ouvido falar nas mudanças de tempo bruscas que acontecem por aqui mas só naquele instante percebemos o que as pessoas nos haviam dito.
De repente todas aquelas nuvens se dissiparam e desvendaram a grandeza e a beleza daquela lagoa de águas azuis encravada numa antiga cratera vulcânica totalmente coberta por uma espessa camada de vegetação selvagem.



Fomos parando aqui e ali nos vários miradouros que existem ao redor da Lagoa, até que chegámos a um onde havia a possibilidade de descer através de um trilho até à margem do grande lago.
Bastou uma troca de olhares para percebermos que a vontade de ambos não era seguramente ficar ali a olhar e em menos de dois minutos já caminhávamos encosta abaixo. A descida foi fácil e demorou talvez uma meia hora a realizar visto que parámos diversas vezes ora para apreciar a paisagem ora para tirar fotos.



Quando finalmente chegámos à base da caldeira sentimo-nos pequeninos. A imponência do que nos rodeava revelou-se ainda mais avassaladora. Por momentos imaginámos os tempos em que aquele vulcão ainda estava ativo e como seria o aspecto surreal de toda aquela área que hoje se encontra coberta de água.



Ainda caminhámos durante dez ou quinze minutos pelas margens da lagoa até que percebemos que era impensável fazer toda a volta. Resolvemos então iniciar o caminho no sentido contrário que nos conduziu até ao ponto de partida.



Depois desta autêntica overdose de beleza natural, arrancámos em direção a outro dos principais cartões postais de S.Miguel. A Caldeira Velha era um dos locais que me lembrava claramente de ter visitado vinte anos antes, aquando da minha primeira passagem pela ilha.
Nessa altura o aceso ao espaço era gratuito e a estrada que nos conduzia à piscina natural era um simples e precário caminho de terra batida.
Em vinte anos muita coisa mudou. Na minha opinião para melhor.
Atualmente o acesso é pago (2 euros) e as condições existentes justificam claramente o valor cobrado.
Além de terem sido construídos balneários, os acessos e as infra-estruturas foram melhoradas para proporcionar aos visitantes uma experiência claramente mais agradável. Embora se tenha perdido a originalidade do local, ganharam-se excelentes instalações para receber as centenas de turistas que aqui chegam diariamente.



Vestimos o bikini e os calções de banho e lá fomos nós banhar o corpo naquele tanque alimentado por uma cascata de águas quentes.
Àquela hora, não sei se por sorte nossa ou se será sempre assim não havia muitas pessoas. Foi ótimo poder desfrutar daquele local sem grandes confusões.






Tivemos ainda oportunidade de subir até ao ponto onde se encontra a nascente que alimenta a caldeira velha. As visitas a este local são efectuadas na companhia de um guia, e acontecem a horas especificas, sempre com um número limitado de pessoas.
Para quem estiver interessado em realizar esta curta caminhada o melhor é informar-se previamente da disponibilidade.




Estava na altura de seguir viagem, continuámos para norte na direção da Ribeira Grande, mas antes de chegarmos à cidade enfiámo-nos por uma estrada secundária que nos conduziu ao lugar de Caldeiras (Caldeiras da Ribeira Grande).
Este pequeno casario situado no meio de um vale, onde reina a calma e o sossego foi em tempos um destino de eleição. Era aqui que as famílias abastadas da ilha passavam os meses de verão. Atualmente tudo o que resta dessa época são várias casas que ainda guardam o encanto dos tempos passados. Muitas delas estão fechadas ou mesmo abandonadas.
Num ponto mais elevado existe uma ermida datada de 1850 que também se encontrava encerrada aquando da nossa passagem, e que oferece a partir do adro uma vista geral de todo o lugar.




Na zona central destacamos a presença de vários tanques onde as águas de tons azul turquesa estão em constante ebulição, proporcionando um espetáculo digno de ser visto.



Foi também neste local que decidimos almoçar. Fizemos uma espécie de pic-nic que se viria a repetir nos dias seguintes.



A próxima paragem do dia foi na cidade vizinha da Ribeira Grande situada na costa norte da ilha. Depois de Ponta Delgada este era o segundo maior centro urbano que conhecíamos.
Esta bonita cidade é cortada ao meio por uma ribeira que desagua no mar (daí o seu nome). Deixámos o carro estacionado um pouco distante do centro uma vez que na zona mais central o estacionamento é maioritariamente pago e desta forma ainda aproveitávamos para conhecer alguns recantos que doutra forma nos passariam despercebidos.
Bebemos um café à beira mar e de seguida rumámos ao chamado centro histórico onde se encontram os edifícios mais emblemáticos da cidade.
Além da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Estrela,a Igreja do Espirito Santo,o Teatro e a Câmara Municipal vale a pena visitar também o bonito Jardim que se situa em ambos os lados da Ribeira e de onde temos uma vista privilegiada da Ponte dos Oitos Arcos. Este é provavelmente o local mais fotografado da cidade.







Foi já ao final da tarde que regressámos à nossa "base" em Ponta Delgada, mas antes ainda passámos por um hipermercado onde comprámos tudo o que precisávamos para o almoço do dia seguinte.
O que foi o almoço?
Na próxima crónica vão ficar a saber tudo e com toda a certeza que iremos deixar-vos com água na boca.Prometemos!

.TODAS AS CRÓNICAS SOBRE ESTA VIAGEM:

Podem acompanhar as nossas viagens e ver as fotos deste e de outros destinos na pagina do Diário das Viagens no Facebook.

2 comentários:

  1. Adorei... Espero pelo resto...
    Para a semana parto para S. Miguel e o vosso foto-report está a ajudar imenso! Obrigado!!!

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