quarta-feira, 24 de junho de 2015

. AÇORES,SÃO MIGUEL-DIA 3



Podem acompanhar as nossas viagens e ver as fotos deste e de outros destinos na pagina do Diario das Viagens no Facebook.

Hoje iríamo-nos manter praticamente todo o dia na Lagoa das Furnas e zonas envolventes.Assim à primeira vista pode parecer que não fizemos grande coisa,mas como irão constatar ao ler esta crónica,este foi um dos dias mais espetaculares que tivemos durante a nossa estadia em S.Miguel.



Quem leu a nossa crónica anterior percebeu claramente que no dia de hoje tínhamos planeado fazer algo especial,tão especial que ás sete da manhã já nos encontrávamos nas margens da Lagoa das Furnas,que aquela hora se encontrava ainda envolta numa "misteriosa" neblina.



Estávamos aqui com uma missão e como tal não viemos de mãos a abanar.Connosco trouxemos uma panela (que nos emprestaram na Guest House Marisol) e dois sacos de plástico cheios de ingredientes que iriam servir para fazer o nosso almoço.
Como já devem ter percebido o objectivo de hoje era sermos nós mesmo a confeccionar o nosso próprio cozido.Um dos pratos mais típicos de S.Miguel.
Assim que chegámos,deparámos com um enorme problema de logística.Estávamos convencidos que no local haveria todas as condições necessárias para as pessoas poderem preparar as suas refeições,mas contra todas as expectativa nem um lavatório para poderemos lavar os legumes existia e nós naquele momento só tínhamos connosco uma pequena garrafa de agua que quanto muito serviria para lavar uma cenoura.
Já estávamos a desesperar quando apareceu um simpático senhor,que muito provavelmente ao ver as nossas expressões de desalento resolveu oferecer-se para nos ajudar.Claro que não desperdiçámos a oportunidade e depois de explicarmos a situação ele lá nos conduziu até à dona Luiza que prontamente resolveu este imbróglio que punha em causa praticamente tudo o que havíamos planeado para hoje.
A dona Luiza era a responsável pelos serviços sanitários da lagoa e foi precisamente nas casas de banho do parque que o nosso cozido começou a ganhar forma.
Sob o olhar atento e ajuda da nossa heroína que nos explicou que no passado tinha sido cozinheira lá fomos enfiando na panela pela ordem correcta (sim porque confeccionar o famoso cozido das furnas tem uma ciência) todos os ingredientes que havíamos comprado 
no dia anterior.



Depois de cheia,a panela foi atada com uma corda que segurava firmemente a tampa de modo a que permanecesse fechada durante todo o processo e também para reduzir a entrada do vapor de enxofre que brota do solo e que dá à comida um sabor pouco agradavel.Finalmente envolvemo-la numa toalha velha de forma a evitar que o nosso cozido fosse invadido pela terra que é usada para tapar os buracos.
De panela na mão,seguimos em direção das varias dezenas de buracos existentes,assistimos à colocação e depois foi-nos dada uma chapa que corresponde ao numero do buraco onde foi enterrado o nosso manjar.




Com este assunto tratado fomos pagar os três euros que são cobrados para a utilização dos serviços e visto que o processo de cozedura demora cinco a seis horas tínhamos tempo mais que suficiente para passear e conhecer toda a zona e arredores.
Uma vez que já estamos ali,aproveitámos o facto de sermos nós os únicos turistas que aquela hora se encontravam neste local e podémos ver com toda a calma do mundo as impressionantes Fumarolas tão características desta zona da ilha.



As fumarolas  são basicamente pequenas crateras de onde das entranhas da terra brota em alguns casos água a uma temperatura tremendamente elevada e noutras onde a quantidade de água é mínima existe uma espécie de lama que igualmente se encontra em ebulição.
De referir que para aqueles que têm um olfato mais sensível este é um local que provavelmente não irão gostar muito visto que paira no ar um cheiro intenso a enxofre.






Abandonámos a Lagoa das Furnas e seguimos em direção da Vila das Furnas situada num bonito vale a pouco mais de dois quilómetros de distância.
Aqui e tal como havíamos visto momentos antes as maiores "atrações" são as diversas Fumarolas espalhadas um pouco por poda a parte.Sendo que a grande maioria se encontra concentrada numa área bem cuidada com alguns jardins.
Depois de percorrermos toda a zona (que não é muito grande) aproveitámos,uma vez que não tínhamos tomado o pequeno almoço para,beber um café e comer qualquer coisa.





De seguida fomos visitar aquele que é o jardim mais bonito da ilha.Praticamente toda a gente que vem a S.Miguel guarda um tempinho para conhecer os incríveis jardins do Parque Terra Nostra e acreditem que vale cada cêntimo dos seis euros que pagámos para aceder ao local.
Logo no guichet à entrada podemos pedir um mapa do parque,que ajuda os visitantes a orientarem-se no interior deste autêntico labirinto onde abundam espaços verdes preenchidos pela maior coleção de espécies botânicas existentes no arquipélago.





Flores e plantas à parte a visita ao parque não pode ficar completa sem darmos um delicioso mergulho na enorme Piscina Termal de água férrea com uma temperatura constante de cerca de 35 graus centígrados.



Quando decidimos abandonar o parque já eram praticamente horas de regressarmos à Lagoa das Furnas para "desenterrar" o nosso cozido.
Quando chegámos entregámos a "chapinha" que nos haviam dado quando aqui estivemos bem cedo e que continha o número do buraco onde se encontrava o nosso almoço.
Como seria de esperar estávamos bastante expectantes em relação a qual seria o resultado desta nossa extravagância e a verdade é que não foi preciso esperarmos muito para obtermos a resposta que tanto aguardávamos.



Finalmente retiramos a panela e num apice estávamos numa das muitas mesas existentes prontos para nos deliciarmos com esta iguaria.
Só é pena que estas imagens não consigam transmitir o cheirinho delicioso que saiu daquela panela quando a abrimos.



Como não podia deixar de ser convidámos a dona Luisa para se juntar a nós,convite esse que foi prontamente aceite e ali ficámos os três na conversa enquanto devorávamos o cozido.



Após aquela magnifica refeição que sem dúvida foi a mais especial que comemos durante a nossa viagem aos Açores,achamos que seria boa ideia darmos um pequeno passeio para ajudar na digestão!
Decidimos que iríamos a pé até á margem oposta da lagoa onde se situa a bonita Capela de Nossa Senhora das Vitórias.O que inicialmente era para ser um passeio transformou-se numa caminhada de quase três horas,sempre pelas margens da lagoa.Foram cerca de nove quilómetros (ida e volta) de autêntico deleite sempre rodeados pela natureza no seu estado mais genuíno.Que dia espetacular estava a ser!





Hoje ainda fazíamos questão de visitar um local que de maneira nenhuma pode ficar de fora da lista de quem vem a S.Miguel.Foi já perto das cinco da tarde que voltámos ao "nosso" carro que nos conduziu aos espetaculares tanques da Poça da Dona Beija,situados na Vila das Furnas.O preço para aceder ao interior do espaço é de três euros por pessoa.



A "poça" é na realidade um conjunto da diversas pequenas piscinas alimentadas por uma nascente de água quente que vai escorrendo sucessivamente por vários tanques desde o primeiro (perto da nascente) onde a água está incrivelmente quente até ao último onde a temperatura já é mais aceitável.
Uma vez que este local se encontra aberto até as dez da noite,optámos por visitá-lo ao final do dia e assim poderíamos ficar o tempo que entendêssemos.Acabou por ser exactamente isso que aconteceu.Foi aqui que terminámos o nosso terceiro dia nos Açores.




De referir ainda que no final do dia,já em Ponta Delgada combinámos encontro com o José e a Helena que seguem o Diário das Viagens no facebook e que por acaso também se encontravam na ilha naquela altura.Um grande obrigado aos dois pela extrema simpatia e pelos agradáveis momentos que passamos juntos!

.Em baixo podem consultar todas as nossas crónicas sobre os Açores:
S.Miguel Dia 1
S.Miguel Dia 2
S.Miguel Dia 3
S.Miguel Dia 4
Ponta Delgada
Pico Dia 1
Pico Dia 2
Faial

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