domingo, 20 de setembro de 2015

VISITAR PULA (CROÁCIA)


Como nos tínhamos deitado cedo na noite anterior, foi com relativa facilidade que despertámos por volta das cinco da manhã para aquele que seria o nosso segundo dia na Croácia.
Tinha chovido durante toda a noite e a nossa primeira preocupação depois de tirar os pés da cama foi espreitar pela janela do quarto, esperançados que o S.Pedro tivesse decidido fazer as pazes connosco.
"-Assim à primeira vista parece estar mais calmo...vamos ver!"
Sem pressas arrumámos os nossos "pertences", realizámos o check out, metemos as mochilas no carro e iniciámos a viagem em direção da cidade de Pula.


Àquela hora fomos percorrendo (sempre bem orientados pelo nosso GPS) as ruas quase desertas de ZagrebMomentos depois e sem grandes dificuldades entrámos na Autoestrada A1 que se alonga por uma boa parte dos cerca de 260 Km's que nos separavam do nosso objectivo.
As nuvens escuras do dia anterior teimavam em permanecer sob as nossas cabeças, ainda que hoje aparentassem ter um ar menos ameaçador.
Aproximadamente uma hora depois de termos abandonado Zagreb fizemos um pequeno desvio, saímos da autoestrada em Karlovac para visitar um local sobre o qual tínhamos ouvido falar e que despertou de tal forma a nossa curiosidade que resolvemos "perder" um par de horas para conhecer. 
O Museu das Memórias de Guerrafica situado na pequena cidade de Turanj e no qual estão expostas diversas máquinas de guerra usadas durante o conflito civil que se viveu no país entre 1991-1995. No mesmo local os visitantes podem igualmente ver vários edifícios em ruínas, propositadamente deixados nestas condições de forma a que quem aqui se desloca tenha a verdadeira noção do estado em que grande parte da cidade ficou após os anos de hostilidades.


Este é um local que vale a pena visitar.
Para os visitantes jovens como nós que poucas ou nenhumas lembranças têm desse período negro, é de certa forma difícil de acreditar que há pouco mais de vinte anos a Croácia (que atualmente faz parte da comunidade europeia) se encontrava-se envolta num ambiente de guerra. Foi incrível andar por aqui e perceber que diante nós tínhamos um pedaço da história do país. Resta acrescentar que este é um Museu a céu aberto e pelo que percebemos o acesso é gratuito.


Regressámos à autoestrada que atravessa agora uma enorme área montanhosa fazendo-nos passar por uma infinidade de túneis e viadutos. Além disso, aqui e ali somos presenteados com magnificas paisagens que infelizmente não tivemos a oportunidade de fotografar mas que ficarão para sempre na nossa memória.
Com tantas paisagens bonitas foi fácil percorrer aqueles 220 Km's que nos separavam de Pula. Para nossa alegria o sol começou finalmente a dar um ar da sua graça e quanto mais avançávamos em direção à costa da Península de Ístria mais a temperatura aumentava.

Chegámos a Pula por volta das nove da manhã e o primeiro objectivo foi tentar arranjar um sítio para estacionar o nosso Opel Corsa. Felizmente tinha na véspera pesquisado um pouco no google maps e segundo me pareceu iríamos conseguir deixar o carro numa área residencial a dois passos do centro... e melhor que tudo sem ter de pagar. 
O GPS levou-nos direitinho ao dito local e voilá, estacionamento gratuito a menos de cinco minutos do Anfiteatro.

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Por uma questão de localização, o primeiro local que visitámos foi o Anfiteatro Romano que sem dúvida é a principal atração da cidade. Este é uma das seis maiores estruturas deste género que ainda perduram, sendo o grandioso coliseu de Roma o mais conhecido. Contudo podemos garantir que este não fica muito atrás.



Pula é uma pequena cidade situada nas margens do Mar Adriático e os principais pontos de interesse encontram-se concentrados numa área relativamente reduzida.
Assim que saímos do Anfiteatro só precisámos de andar alguns metros para chegarmos à Catedral  da cidade.
O nome completo é Catedral da Assunção da Virgem Maria e a construção original remonta ao século V, sendo este um exemplo típico dos edifícios episcopais desta região. Existem muitas igreja deste estilo espalhadas ao longo de Península de Ístria.

Pouco depois e sem precisar de andar muito já estávamos na Praça Central de Pula onde se encontra outro dos vestígios aqui deixados pelos romanos. O Templo de Augusto é tudo o que resta do antigo fórum erguido nesta zona aquando da ocupação romana. 
Atualmente toda esta área continua a ser ponto de encontro e de convívio para muitos dos habitantes locais e turistas que se reúnem e descontraem nas muitas esplanadas espalhadas por toda a praça. 
Mesmo ao lado do templo fica situado o bonito edifício da Câmara Municipal.

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O pequeno mas bem conservado Painel de Mosaicos Romano, fica logo ali ao lado. O local não é muito fácil de encontrar uma vez que se situa no meio de uma área habitacional. Vê-se claramente que o dito painel foi descoberto aquando da realização das fundações dos edifícios presentes naquela zona o que nos leva a crer que muitos outros tesouros deste gênero foram encontrados e provavelmente destruídos. Seja como for, este é um excelente exemplo da arte romana do século III que foi conservado e (ainda que de forma rápida) merece ser apreciado. 


A nossa próxima paragem foi no Arco do Triunfo de Sergius, construído entre os anos 29 e 27 a.C. tendo funcionado durante um largo período como uma das entradas da cidade. Este monumento é também apelidado de Arco de Ouro pelo facto de na altura se encontrar adornado com diversos elementos dourados. Com o passar dos anos toda essa rica decoração acabou por desaparecer, ainda que resistam alguns bonitos detalhes talhados na pedra.
Arco do Triunfo de Sergius fica situado numa zona bastante movimentada repleta de lojas e cafés. 


Pouco a pouco e sem pressas, Pula ía-se revelando uma agradável surpresas. Passámos pelo Mercado da Cidade na esperança de ali encontrar algo para almoçar, mas àquela hora as bancas estavam todas a fechar. Resta-nos comprar um cacho de bananas para aconchegar o estômago! 


Numa altura em que o sol já queimava, começámos a subir em direção á cidadela. Á medida que nos afastávamos da zona baixa da cidade íamos-nos cruzando com cada vez menos turistas e nos breves momentos que durou a "ascensão" percorremos aquelas pequenas ruas quase desertas. Parecia que estávamos noutra cidade e na verdade só nos tínhamos afastado talvez uns meros trezentos metros do centro histórico. 

Chegámos então à Cidadela, local onde está instalado o Museu Naval que optámos por não visitar, mas em compensação acabámos por percorrer todo o perímetro das muralhas. Ali do alto tivemos perspectivas únicas da cidade e de alguns dos locais onde havíamos estado momentos antes.

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Decidimos descer pelo lado oposto, uma vez que é nessa direção que se encontram as ruínas de um pequeno Teatro Romano. Apesar de serem visíveis alguns indícios de que em algum momento houve vontade de restaurar o local, ficámos com a ideia de que atualmente o monumento se encontra um pouco abandonado. Permanecemos por ali sentados um bom bocado, aproveitando aquela pausa para descansar as pernas. Ao que parece pouca gente se dá ao trabalho de vir visitar este local. Sorte a nossa! 


A nossa visita à cidade de Pula estava praticamente no fim e quando nos preparávamos para regressar ao carro passámos quase por acaso, pela Porta de Hercules e uns metros mais à frente pela Porta Dupla. À semelhança do Arco do Triunfo de Sergius também estes dois locais foram em tempos algumas das principais entradas da cidade antiga. 

Terminámos a visita sentados num jardim enquanto devorávamos umas deliciosas fatias de pizza compradas numa roulote ali presente.   
Na nossa opinião, Pula é uma cidade que merece ser visitada pela sua história. Gostámos do que vimos mas para falar verdade não vamos embora deslumbrados. 


Nesse início de tarde ainda fizemos mais 170 Km's. Tentámos avançar o máximo para que ficássemos o mais perto possível do Parque Nacional dos Lagos Plitvice que iríamos conhecer no dia seguinte.
Nessa noite optámos por pernoitar na cidade de Senj. O alojamento escolhido foi
Guest-House Julia onde pagámos 25 euros por um quarto duplo com casa de banho privativa. Este hotel também "oferece" estacionamento.



Durante o dia de hoje fizemos perto de 450 Km's e para tentar ganhar algum tempo circulámos sempre em auto-estradas. A verdade é que acabou por nos facilitar a vida mas deixou a nossa carteira um pouco mais leve. O custo total deste conforto foi de 128Kn (16 euros).


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2 comentários:

  1. Parabéns pelo blogue. Costumo lê-lo e já tirei partido de algumas das vossas informações e sugestões. De vez em quando alugam carro, como nesta viagem. Como costumam fazer? Entregam sempre o carro onde o levantaram? Já cruzaram fronteiras com um carro alugado?

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    1. Olá Georgina,já há bastante tempo que não alugávamos carro.Este ano já o fizemos duas vezes (Açores e Croácia) e em ambas as ocasiões foi tranquilo.Neste ultima viagem à Croácia alugamos em Zagreb e entregámos em Dubrovnik.O aluguer foi feito através do site Rentalcars.com e tivemos a sorte de haver uma promo e não pagarmos a taxa de entrega num destino diferente.Esta também foi a primeira vez que cruzamos fronteiras (Croácia/Bosnia) e tudo correu sem stress.

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