sábado, 29 de outubro de 2016

.BATU CAVES EM PLENO THAIPUSAN


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Estamos de novo em Kuala Lumpur e como habitualmente acontece,cada vez que visitamos a capital da Malásia gostamos de ficar alojados na zona de Little India.Esta última vez não foi exceção.
Contudo agora as coisas estão diferentes.Não é fim de semana mas a maior parte das lojas e restaurantes encontram-se encerrados e as muitas pessoas com que nos cruzamos na rua parecem festejar algo,só não sabemos o quê.
A curiosidade toma conta de nós!Temos de saber o que se passa....
Assim que chegamos ao hotel não resistimos e perguntamos à simpática menina que nos recebe,qual a razão de toda aquela agitação.
"Estamos a celebrar o Thaipusan!"-responde
Olhámos um para o outro e em silêncio voltámos a encarar a menina da receção.Era como se os nossos olhos perguntassem: Que raio é isso?
Ela sorri e responde com um certo orgulho:
"Trata-se de uma celebração da comunidade Hindu que acontece em janeiro ou fevereiro.É uma altura muito importante para nós.Se poderem passem amanhã nas Batu Caves,mas tentem ir cedo porque vai haver muita gente".
Completamente esclarecidos,percebemos naquele momento que já tínhamos planos para a manhã do dia seguinte:Batu Caves!
Como ainda não conheciamos este local que goza de tão grande popularidade,achámos que seria a oportunidade perfeita para o fazer.Desta forma matávamos dois coelhos de uma só vez!

Nesse dia acordámos cedo.Caminhámos até à estação de comboios e foi só quando lá chegámos que nos demos conta de que afinal aquela celebração deveria ser mesmo muito importante para a comunidade Hindu.Milhares de pessoas ocupavam aquele pequeno apeadeiro e todas com o mesmo objectivo:Chegar às Batu Caves.
O comboio para diante nós.As carruagens encontram-se a abarrotar pelas costuras.
Olhei à minha volta e pensei:
"Isto não vai ser fácil!"
Parecíamos dois doidos a meio de um ataque de raiva.Naqueles breves momentos fizemos uso de todas as nossas forças,mergulhamos de cabeça naquela enchente,fomos furando pelo meio da multidão e empurrando quem se cruzava no nosso caminho.Tínhamos de entrar!
E entrámos mesmo.
Olho ao redor e os poucos turistas com quem dividimos aquela carruagem,parecem incrédulos com toda aquela situação.Começo agora finalmente a pensar nas palavras sábias da menina da recepção do hotel que nos preveniu que ia-mos encontrar muita gente.Iria perceber momentos depois que aquilo não era nada e quando ela quiz dizer muita gente era mesmo MUITA GENTE!



Quando chegámos finalmente ao nosso destino,aquele mar de gente desaguou literalmente no oceano.Milhares de pessoas,talvez uma ou duas centenas de milhar entopem desde a estação de comboios,o estreito caminho que nos conduz àquele santuário situado ao que parece no interior de uma gruta.Apesar do congestionamento,os primeiros metros são feitos de forma mais ou menos rápida e em poucos minutos estamos aos pés de uma gigantesca estátua dourada que saúda quem aqui se desloca.
Só quando nos aproximamos da enorme escadaria que permite aceder ao interior da área mais sagrada,é que as coisas se começam a complicar.O calor e a humidade que se fazem sentir deixam-nos um pouco renitentes quanto à decisão a tomar.
Avançamos para o meio daquela multidão e uma vez lá dentro já não podemos voltar para trás ou ficamos por ali a observar quem passa?
Após uma breve conversa a decisão tomada é a mais óbvia.Siga!Para a frente é que é o caminho.




Pouco a pouco vamos avançando e o calor é somente atenuado pelas várias dezenas de ventoinhas de tamanho industrial espalhadas ao longo do percurso.
Passo a passo e a um ritmo muito lento vamos subindo a enorme escadaria.Aqui o ambiente é totalmente diferente daquele que testemunhámos no inicio.É mais espiritual,mais intenso.



À nossa volta temos homens,mulheres e até crianças.Algumas pessoas choram de forma compulsiva e outras rezam em voz alta.Quase todas elas transportam consigo recipientes prateados cheios,uns com comida outros com um líquido que se assemelha a leite.
Enormes andores são carregados por homens que acompanhados da família fazem a ascensão,talvez para cumprir uma promessa.
De repente vejo algo que me choca!
Vários homens passam por nós com pequenos potes presos ao corpo por uma espécie de anzóis que lhes perfuram a pele.  






Já lá vão quase duas horas desde que começámos a subir.Entramos agora na imponente gruta que até parece pequena com toda aquela multidão no seu interior.As pessoas começam a ficar visivelmente mais agitadas e os empurrões ganham outro impacto.De um momento para o outro torma-se mais difícil avançar sem que nos afastemos um do outro.Vamos tentando pelo menos manter o contacto visual.


         

Embora não o queira fazer é-me impossível não pensar nas consequências trágicas que poderia causar um ataque de pânico neste mar de gente.Na minha cabeça passam algumas imagens que frequentemente vemos na televisão e imagino como seria noticiado um desastre neste local:
"Milhares de pessoas morrem numa peregrinação hindu perto de Kuala Lumpur.Há dois Portugueses entre as vitimas" 






O caminho é agora a descer.Quase não conseguimos seguir a vontade dos nossos pés e somos arrastados para onde aquela multidão nos quer levar.
Degrau após degrau vamo-nos aproximando do pequeno altar situado mesmo no fundo da gruta,onde uma estátua cativa todas as atenções.Estamos quase lá.





A muito custo,consigo acercar-me do altar situado sob uma abertura no tecto da gruta,mas só por alguns segundos.É aqui que a devoção daqueles milhares de crentes atinge o ponto mais alto.Sinto algo indescritível por poder testemunhar algo tão intenso.
Estamos estafados e sentimos o suor escorrer pelas nossas costas.Encontramos um canto mais ou menos tranquilo e ficamos ali encostados a observar aquele espetáculo único.
Talvez nunca mais teremos oportunidade de assistir a algo assim.
Valeu a pena.Vale sempre a pena!  

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