quarta-feira, 13 de setembro de 2017

.RHODES OLD TOWN-A CIDADE DOS CAVELEIROS


O dia inicia-se cedo...muito cedo!
Ainda não são sete da manhã e já caminhamos junto à muralha exterior da zona antiga da cidade de Rhodes.
Os primeiros raios de sol surgem para lá das torres de pedra gastas pelo tempo e que anunciam a nossa chegada à imponente Porta de St.Athanasios por onde penetramos num mundo que outrora pertenceu a cavaleiros,cruzados e destemidos marinheiros.
As ruas empedradas que tantos passos testemunharam,encontram-se a esta hora desertas e envoltas numa penumbra silenciosa que lhe confere um ambiente um tanto ou quanto sinistro.






De súbito,um saboroso cheiro a pão fresco invade o ar e abre-nos o apetite que é saciado com umas empadas de queijo e fiambre compradas numa pastelaria acabada de abrir.
Continuamos o nosso caminho em silêncio,tentando manter o rumo naquela espécie de labirinto que só os seus habitantes e os muitos gatos vadios existentes conhecem de cor. 
No horizonte,sobre os telhados das casas já se avista a cúpula da Mesquita Mostafa que nos serve de ponto de referência e nos indica a direção a seguir.
Cruzamos pequenas praças ocupadas por esplanadas desertas que mais tarde se encontrarão repletas de turistas,e entramos em becos fotogénicos,decorados com flores coloridas que pendem dos vasos de barro alinhados cuidadosamente por quem ali vive.
Rhodes revela-se a cada passo que damos...



Ao lado da mesquita encontra-se o típico lava pés que no passado tantas vezes foi usado mas que por estes dias já não funciona.Uns metros mais à frente,estão situados os antigos Banhos Turcos,que embora ainda em uso parecem-nos um pouco deixados ao abandono.

As lojas vão abrindo portas e pouco a pouco as ruas ganham vida e vão acordando para mais um dia que se espera de muito movimento.As bancas são preparadas,os restaurantes aprumados e as esplanadas ficam prontas para receber os milhares de turistas que seguramente já vêm a caminho.
Por agora ainda são poucos.Só talvez os mais corajosos se aventuram a estas horas vespertinas para de forma tranquila sentirem o pulso da cidade.





Ao fundo num dos pontos altos da cidade,surge o minarete da bonita Mesquita Suleiman que pintada num vermelho pálido contrasta com o intenso azul que a esta hora já cobre todo o céu.Logo ao lado,num edifício bem cuidado visitamos a bonita Biblioteca Muçulmana e quando passamos pela Torre do Relógio os ponteiros aproximam-se das oito horas. 

Dalí até à mítica Rua dos Cavaleiros é um saltinho.Aquela que é considerada uma das mais bonitas artérias da cidade,ainda se encontra praticamente despida de gente e facilmente consigo fazer algumas fotos do local num estado raro de se ver.




À chegada ao Palácio do Grão Mestre é-nos impossível não ficar por momentos ali imóveis a desfrutar da beleza daquele imponente edifício.Lá dentro o espetáculo continua e mais uma vez damos connosco a viver estórias de cavaleiros,reis e rainhas que com toda a certeza se passearam por aqueles corredores e salas frias hoje ocupadas por uma rica coleção de peças que testemunham a sua presença na ilha.

Para nossa surpresa,quando regressamos ao exterior,o cenário alterou-se por completo.Muitas pessoas,uma autêntica multidão parece agora asfixiar as ruas daquela cidade onde até há pouco se respirava tranquilidade.A Rua dos Cavaleiros,outrora repleta de estalagens e mais tarde palco do centro do poder Otomano na ilha,assemelha-se agora a um mar de gente que sobe e desce a calçada de pedra ao longo da qual vários artistas de rua mostram as suas artes em busca de uma eventual moeda dada por um turista mais generoso.




Já perto da muralha e sem dificuldade damos com a Igreja Our Lady of the Castle,o Museu Arqueológico e o Museu de Artes Decorativas que visitamos com o bilhete combinado que havíamos comprado no Palácio do Grão Mestre.

O movimento intensifica-se a cada minuto que passa e de forma consensual resolvemos abandonar as ruas principais e rumamos a uma área mais interior em busca de alguma calma.Afastamo-nos não mais de trinta metros e subitamente tudo muda.De repente o silêncio volta a pairar no ar,quebrado aqui e ali pelo cantar dos canários prisioneiros das várias gaiolas penduradas nos alpendres.A calçada é agora mais grosseira e as lojas e restaurantes de aspecto imaculado que preenchem a zona turística,dão por aqui lugar a habitações modestas repletas de estórias e que seguramente já acolheram um sem número de gerações.
Passamos sob arcos de pedra que ligam as casas de ambos os lados da rua,por mercearias que abastecem quem por ali vive,por pequenas tascas pouco iluminadas onde meia dúzia de velhos cumprem um ritual quotidiano,e logo depois,sem que nada o fizesse prever,os nossos passos terminam numa bonita Sinagoga onde à entrada se presta homenagem aos judeus que daqui foram levados pelos nazis e nunca mais regressaram.



Como vem sendo hábito,o almoço acaba por chegar para lá da hora.Um acolhedor restaurante de onde se destaca a magnífica esplanada é o palco escolhido para a refeição,e mais uma vez nos deliciamos com os típicos Giros Pita,regados com uma cerveja local que tem o condão de nos refrescar os corpos maçados pelos vários quilómetros já percorridos.



Para lá das muralhas,numa minúscula praia,meia dúzia de veraneantes banham-se nas águas calmas daquele mar que parece extinguir-se nos dois enormes navios de cruzeiro que ali permanecem imóveis,esperando o regresso dos passageiros que a esta hora gastam os últimos cartuxos daquela breve passagem pela cidade. 




O tempo está excelente e a leve brisa que agora sopra seria seguramente suficiente para fazer girar as pás dos diversos moinhos de vento que se alinham ao longo do paredão que nos conduz até ao Forte de S.Nicolau,ocupado atualmente por um farol que quando a noite chegar guiará as embarcações até ás aguas calmas da marina.
O famoso Colosso de Rhodes foi-se,mas nunca foi esquecido e o local onde em tempos se ergueu uma gigantesca estátua de Hélios é agora assinalado por duas colunas de pedra que servem de ponto de encontro de pescadores que lançam as suas linhas enquanto ao longe os sinos de uma qualquer igreja anunciam a chegada das cinco da tarde.

Para nós este é o local que assinala o fim de mais um dia...

Todas as crónicas sobre a nossa viagem pelas ilhas gregas do Dodecaneso:
Rhodes Old Town
Vale das Borboletas,Rhodes
Lindos,Rhodes
Symi
O que comer na Grécia
As Melhores praias do Dodecaneso
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Outras crónicas sobre a Grécia:

Atenas dia #1
Atenas dia #2

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