segunda-feira, 11 de setembro de 2017

.SYMI-RETRATOS DE UM LUGAR COM ALMA


Debruçado sobre um varandim daquele grande ferry boat que navega há mais de três horas pelas águas azuis turquesa do Mar Egeu,vejo surgir ao longe o Porto de Gialos,onde atracaremos não tarda nada.
A aproximação é lenta e o panorama faz-me seguir em silêncio.De ambos os lados surgem casas pintadas de tons vivos que de forma quase irracional se equilibram nas vertentes íngremes daquela lindíssima garganta natural.


Com mestria e num ritual tantas vezes repetido,o capitão atraca aquele gigante de aço numa pequena plataforma e sem demoras é dada a ordem de desembarque.Além das pessoas,carros e motas são também descarregados um número anormal de mantimentos que certamente abastecerão nos próximos dias grande parte do comércio local.
Entretanto,há quem faça a viagem no sentido inverso e a pequena multidão que aguardava no porto,toma agora os lugares vazios do convés.
Em menos de dez minutos o grande navio volta a zarpar,desaparecendo no horizonte quase de seguida. 





Não temos pressa e sentados à sombra da Torre do Relógio assistimos ao rebuliço gerado por aquele acontecimento diário,que de forma surpreendente termina tão rápido como começou.
As pessoas seguiram o seu caminho,os taxis levaram os seus passageiros e as carrinhas carregadas com viveres apressam-se a distribui-los para que nada falte a quem por ali vive.

Sem dificuldade localizamos o hotel escolhido para as duas noites que aqui permaneceremos.
Como o check in é só daqui a um par de horas,deixamos as mochilas,pegamos nas máquinas fotográficas,numa garrafa de água e voltamos ao porto onde vários barcos de recreio,que seguramente ali passaram a noite,soltam as amarras e prosseguem a sua viagem em direção ao próximo destino.




Está calor e sabe-nos bem a caminhada ao longo da doca que como seria expectável é banhada por águas tão cristalinas que os barcos de pesca ali ancorados parecem flutuar no ar.
Apesar dos poucos turistas existentes,a primeira linha de construções da baía é essencialmente ocupada por restaurantes,cafés e lojas que por esta altura se encontram praticamente vazias.
Mais à frente cruzamo-nos com várias bancas de rua onde dois ou três indivíduos de discurso fácil tentam angariar passageiros para passeios de barco ao redor da ilha,assim como viagens até a algumas cidades turcas situadas a menos de uma hora de distância.




Deixamos para trás a zona costeira e aventuramo-nos agora por algumas ruas mais interiores,onde sem surpresa nos deparamos com um autêntico mundo de cor,pautado por uma atmosfera mais relaxada.Uma escadaria trepa a encosta e conduz-nos ao longo da Kali Strata,onde caminhamos por entre habitações bem cuidadas,com fachadas pintadas de variados tons pastel,que ali foram deixadas pelos italianos que no passado ocuparam esta área do país durante mais de um século.
Mas nem tudo são rosas.Há também alguns edifícios que foram esquecidos pelos seus proprietários e que num estado de ruína parcial esperam que alguma alma caridosa lhes dê uma segunda oportunidade.






Uma senhora sentada nos degraus,tenta em vão vender saquinhos de especiarias a quem por ali passa.Os gatos abordam-nos em busca de atenção e vão-nos fazendo companhia enquanto paramos para recarregar baterias e beber uns goles de água.
De forma ocasional vão surgindo no nosso caminho pequenos cafés onde nas esplanadas,alguns velhotes conversam sem darem importância à fantástica paisagem que dali se avista.





Já no alto ergue-se sobre as ruinas de um antigo castelo uma bonita igreja,de onde temos uma visão fabulosa sobre toda a cidade.Ficamos por ali,comemos umas bolachas enquanto observamos o vai e vem das embarcações que lá em baixo vão chegando e partindo do porto.
Em frente,numa colina próxima,destacam-se meia dúzia de antigos moinhos de vento que certamente já viram menores dias.




A viagem no sentido descendente é feita por caminhos distintos.Outras ruas,outras casas e outras vistas vão surgindo nos nossos olhares que sem pressa de avançar se perdem na tranquilidade desta típica atmosfera grega.



Já perto da hora do lanche,almoçamos uns tradicionais Giros Pita num pequeno restaurante e regressamos ao hotel para,agora sim,realizar o check-in.Depois de um refrescante duche regressamos ao porto onde o movimento se voltou a intensificar.O final da tarde tem o condão de trazer vida à zona ribeirinha.As embarcações de recreio voltam a povoar a marina ao mesmo tempo que as esplanadas dos cafés se vão enchendo de pessoas que aproveitam a temperatura agradável,para um momento de relaxe embalado pelo som do mar. 



Á medida que o sol vai desaparecendo para lá das montanhas a cidade ilumina-se com centenas de pequenos pontos de luz que aparecem e anunciam o final de mais um dia. 

Symi é sem sombra de dúvidas especial.
É daqueles locais que sem vergonha nos rouba um pedaço do coração e que mesmo antes de partir já nos faz ter vontade de voltar.
Voltaremos...um dia!

Todas as crónicas sobre a nossa viagem pelas ilhas gregas do Dodecaneso:
Rhodes Old Town
Vale das Borboletas,Rhodes
Lindos,Rhodes
Symi
O que comer na Grécia
As Melhores praias do Dodecaneso
. Leros

Outras crónicas sobre a Grécia:

Atenas dia #1
Atenas dia #2

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