quarta-feira, 11 de outubro de 2017

.AUSCHWITZ-BIRKENAU-A HISTÓRIA QUE NÃO DEVIA TER ACONTECIDO


Do lado de lá do vidro da carrinha que nos transportou desde Cracóvia,surge a placa que anuncia a nossa chegada aos campos de concentração de Auschwitz-Birkeanau.
De subito o ambiente descontraído que se vivia até então,dá lugar a um silêncio incomodativo,e as expressões faciais de quem nos acompanha naquela viagem alteram-se numa ação de auto defesa,como se antevissem as sensações que estão prestes a viver.


Centenas de pessoas amontoam-se no pequeno descampado que antecede a passagem sob o famoso letreiro adornado com a citação "Arbeit Macht Frei",que de forma irónica deu as boas vindas aos mais de um milhão de pessoas que tragicamente aqui chegaram para viver os derradeiros momentos das suas vidas.



Ao longo daquela curta avenida,cruzamo-nos com diversos edifícios de paredes revestidas de tijolo que certamente ainda escondem as mágoas daqueles que ali perderam os seus entes queridos.Lá dentro,espalhados pelo chão,ainda permanecem vários colchões que testemunham as condições desumanas experimentadas por quem ali chegou sem saber como nem porquê.
Nas paredes alinham-se retratos que eternizam as expressões de terror de homens e mulheres que naquelas salas e sem escolha possível,se subjugaram aos caprichos das mentes sujas dos soldados nazis.
O trajecto é feito em silêncio total,sempre sob o comando do audio-guide que trazemos nos ouvidos e nos vai debitando estórias,factos e explicações sobre os diversos locais que vamos visitando.

As vedações de arame farpado indicam-nos o caminho a seguir e as torres de vigia,embora vazias,parecem ainda seguir os movimentos de quem ali passa. 

Mais um edificio.Este visivelmente maior que os anteriores e no qual somos confrontados com mais uma visão macabra da crueldade exercida pelo regime nazi.Para lá das enormes paredes de vidro encontram-se expostos milhares de objectos pessoais apreendidos aos que na infelicidade de vida foram para aqui trazidos e não mais daqui saíram.






A nossa pele arrepia-se quando nos aproximamos das câmaras de gás agora abertas ao público e que na altura não passavam de meros balneários,para onde os "prisioneiros" menos capazes eram trazidos e praticamente sem se aperceberem,acabavam minutos depois por ser assassinados pelo tão falado banho da morte.



As palavras fogem-me da mente ao sofrer tamanho murro no estômago quando imagino a quantidade de vidas ceifadas nestes espaços mórbidos hoje ocupados por bandos de visitante,que de semblante carregado pisam o mesmo chão que em tempos foi calcado por um sem número de inocentes.
Os corpos das vítimas...provavelmente milhares deles,eram amontoados em diversas salas contíguas,aguardando um final inglório num dos fornos do crematório.
Auschwitz é isto e muito mais.É uma experiência dolorosa que nos põe à prova.
Sinto-me cansado...respiro fundo e tento olhar de forma racional para tudo o que vejo,mas é-me impossível compreender como é que alguém no seu prefeito juízo pôde alguma vez ter pactuado com tais actos.





Estamos em junho e mesmo no verão Auschwitz é um local frio,sem alma e onde paira uma atmosfera pesada,capaz de fazer sentir a quem ali vai um forte sentimento de vergonha e revolta.

Por agora faz-se uma pausa na visita,contudo aquela overdose de violência promete prolongar-se para lá dos limites de Auschwitz.

Um pequeno autocarro transporta-nos agora até Birkenau,onde desembarcamos a escassos metros da linha férrea na qual deslizavam as carruagens carregadas de "prisioneiros" vindos de toda a Europa.
Mais uma vez transpomos várias vedações de arame farpado que se perdem para lá do horizonte e limitam aquele que ainda hoje é chamado de campo da morte. 
Os vários barracões que se alinham ao longo da planície não são mais que uma pequena amostra da verdadeira dimensão do horror que um dia pairou sobre aqueles campos.Eram mais...muitos mais!






Percorremos cada uma daquelas estruturas fantasmagóricas.
Não são muitas as que resistiram ao passar dos anos,mas mesmo assim ainda é possível entrar em latrinas e edifícios de acolhimento de aspeto frágil e sombrio,iluminados somente pelos tenues feixes de luz que penetram pelos vidros sujos e estalados que rompem as paredes. 
É uma visão desoladora e os detalhes mórbidos daquele lugar arrepiante vergam-nos o moral de forma violenta. 

Mais à frente as diversas pilhas de escombros assinalam os locais outrora ocupados pelas câmaras de gaz e crematórios,que na altura da libertação dos campos pelas tropas aliadas foram destruídas pelos próprios nazis,numa tentativa desesperada de abafar a ideia de que este local era parte integrante do plano de extermínio em massa resultante dos ideais xenófobos de uma única pessoa. 






Obviamente a intensidade da experiência varia consoante a capacidade de encaixe e da massa de que cada um é feito.      
Contudo,estar frente a frente com as memórias de um lugar tão intenso,onde tantos inocentes morreram de forma atroz é algo que todos deveríamos "experimentar" pelo menos uma vez na vida,de forma a sensibilizar os comportamentos do presente para que os erros do passado não se voltem a repetir.

.COMO CHEGAR

Existem diversas opções para se deslocar desde Cracóvia até aos Campos de concentração de Auschwitz-Birkenau,existindo a possibilidade de realizar a visita de forma independente ou recorrendo a um tour organizado.

 -Comboio: Desde a estação central de Cracóvia partem vários comboios em direção da gare de Oswięcim situada a cerca de dois quilómetros dos campos.O trajeto final pode ser realizado a pé,de taxi ou de bus.
 -Bus: Quanto a nós esta é a opção mais fácil e rápida para quem quer fazer a viagem de forma independente,uma vez que nas imediações da estação central existem autocarros e minivan's que realizam o trajecto desde a cidade até mesmo á entrada dos campos.
É aconselhável comprar bilhete só de ida,uma vez que são várias as companhia a operar esta rota e todas elas com horários distintos de regresso ao ponto de partida.
 -Tour organizado: Para quem quer algo mais cómodo e prático nada melhor que contratar os serviços de uma das muitas agências de viagens espalhadas pela cidade.

-OUTRAS CRÓNICAS SOBRE A CROÁCIA:
Mina de Sal de Wieliczka
. Varsóvia

  Podem acompanhar as nossas viagens e ver as fotos deste e de outros destinos na pagina do Diario das Viagens no Facebook.

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