sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

.À DESCOBERTA DE VIENTIANE


Vientiane sabe a despedida,sabe a meta alcançada depois de uma semana a viajar pelo Laos.
Acordo cedo e é-me impossível não pensar que em pouco mais de vinte e quatro horas já estaremos a caminho de casa.Lá fora oiço os sons de uma cidade que também despertou cedo.
Sinto-me desconfortável,apetece-me sair de imediato daquele quarto abafado e lançar-me à conquista das ruas que nos receberam ontem à noite quando chegámos vindos de Vang Vieng.
A Paula ainda dorme.Aproveito aqueles momentos de calma matinal,sento-me num terraço comum e dou uma vista de olhos rápida pelo guia Lonely Planet onde assinalo meia dúzia de locais que me parecem interessantes e que tentaremos visitar durante o dia de hoje.

Depois do pequeno almoço comprado num supermercado situado mesmo ao lado da guesthouse,estamos finalmente prontos para mais uma jornada que se avizinha diferente do que vivemos nos últimos dias e recheada de quilómetros nas pernas.
A confusão que se vive nas ruas de Vientiane,recordam-nos tempos passados e transportam-nos com um misto de nostalgia e felicidade para cidades como Bangkok ou Hanoi.É esta Ásia que nos fascina e pela qual nos apaixonámos deste o momento que a conhecemos.



A manhã está agradável e os primeiros passos do dia levam-nos em direção ao mais antigo e um dos mais importantes santuários Budistas das cidade.
O Wat Si Saket é uma memória viva de uma cidade que já não existe,do tempo em que as carroças circulavam pelas ruas hoje entupidas de carros e motas.
Neste bonito templo respira-se tranquilidade e o misticismo que caracteriza este tipo de locais,é-nos transmitido pelas milhares de estátuas de Buda que se encontram espalhadas ao redor do edifício principal,que apesar de um pouco negligenciado muito por culpa da idade,impressiona pelos detalhes esculpidos nas portas e fachada principal.





Voltámos por breves momentos ao rebuliço das ruas da capital.A próxima paragem é no Haw Pha Kaew,logo ali,do outro lado da estrada.Mais um templo,entre tantos outros que existem em Vientiane e tal como havíamos feito no Wat Si Saket também aqui precisámos de pagar 5000 kip para aceder ao espaço onde temos a companhia de um enorme grupo de alemães mais barulhentos que uma turma de adolescentes numa qualquer visita de estudo.
Apesar do espaço ser pequeno,tentamos afastar-nos um pouco daquela algazarra,em busca de alguma calma.Em vez de entrar-mos logo no edifício principal,damos primeiro uma volta pelos jardins bem cuidados e de ar fresco,com alguns pontos de cor,dados pelas flores exóticas que crescem aqui e acolá.
Agora sim,já sem os turistas mal comportados o silêncio voltou.Deixamos os chinelos no meio de outros tantos que por ali se amontoam e acedemos ao santuário onde meia dúzia de devotos realizam as suas orações.
Está visto!




De regresso à rua e ao cotidiano das gentes do Laos,passamos pelo imponente Palácio Presidencial,guardado por militares trajados a rigor,que se mantêm imóveis debaixo daquele sol abrasador.Seguimos agora para oriente e os testemunhos da presença francesa de outros tempos ainda são visíveis nas muitas casas coloniais,que embora em estado de visível abandono,vão resistindo ao passar dos anos.



Fomos andando nas calmas,sempre seguindo as indicações da aplicação google maps offline que nos vai guiando desta feita por pequenas ruas secundárias onde o trânsito é quase inexistente.Dois miúdos brincam de forma descontraída enquanto a mãe prepara frutas que vende na sua banca improvisada.
-"quanto custa o ananás?"
-"5.000 kip"
-"ok,levamos um"
Durante uma meia hora caminhámos num mundo bem diferente daquele que se vive a não mais de duzentos metros.
Mais à frente cruzamo-nos com uma casa de câmbio onde aproveitamos para trocar algum dinheiro para os últimos gastos desta viagem.Vinte euros são suficientes.

O local que procuramos é já ali.Patuxai é assim que é conhecido o arco do triunfo que se ergue imponente no meio de uma movimentada rotunda,numa das zonas mais nobres da cidade.Embora nunca tenha sido terminado é um monumento cheio de significado para as gentes do Laos,uma vez que foi erguido em honra de todos os que lutaram pela independência do país.
Passamos por entre as arcadas decoradas com bonitos detalhes e sob as quais se encontram várias pessoas,sobretudo turistas,que aguardam a sua vez para aceder ao topo de onde se terá com certeza uma vista fantástica sobre a principal avenida da capital.
Quanto a nós,fica para a próxima.Preferimos ficar ali mesmo no belíssimo jardim,e relaxar à sombra de uma qualquer palmeira,enquanto enganamos o estômago com o ananás que compramos à pouco.





Espera-nos mais uma longa caminhada.Para lá do arco,aquela larga avenida prolonga-se para norte e é nessa direção que seguimos por mais uma centena de metros.
Sem hesitações nem falhas,viramos à direita no local correcto e avançamos agora na rua que nos levará direitinhos ao Pha That Luang,outro do grandes wat's da capital.
Mercearias,cafés,oficinas e lojas disto e daquilo ocupam os pisos terrenos daqueles edifícios que já viram melhores dias.As pessoas são simpáticas e sorriem-nos quando as encaramos.
Ao longe já avistamos a grande stupa dourada que brilha como um farol e nos indica a direção a seguir.
Depois de contornar o muro,acedemos por uma pequena porta,ao interior do complexo bem cuidado,onde além do vistoso santuário budista,alberga também um bonito palácio e um Buda reclinado que nos recebe assim que entramos.
Entretanto levanta-se uma brisa que ajuda a atenuar o calor.Andamos por ali talvez uma hora,tempo mais que suficiente para visitar todos os espaços religiosos do complexo que apesar da inegável beleza não nos conquista.Pareceu-nos de certa forma artificial,demasiado arranjado,com excesso de maquilhagem e depois de dez dias em que visitámos não sei quantos templos este acaba por ser mais um.





Está na altura de regressar ao centro.
O tempo avança mais rápido que as motas e carros que por nós passam a alta velocidade ao longo da estrada.
Numa altura em que o relógio marca duas e meia da tarde,o estômago volta a lembrar-nos que está na hora de comer algo mais  consistente que as bolachas que vamos trincando.
Pelo caminho vamos tirando a pinta aos poucos restaurantes com que nos cruzamos mas acabamos sempre por seguir viagem na esperança de que o seguinte seja mais barato.Além disso,horas antes quando passámos pela zona de Talat Sao,ficámos com a ideia de ter visto algumas bancas de comida no mercado que ali se realiza diariamente.
Tínhamos razão!Não só adorámos o ambiente como aconchegámos o estômago com uns deliciosos nacos de carne grelhada acompanhados de umas bagettes.O almoço fica-nos por 20.000 kip.
Era mesmo isto que estávamos a precisar.



Aproveitamos que ali estamos para confirmar se o bus para o Buda Park (que visitaremos amanhã de manhã) sai realmente daquela zona.Confirma-se a informação que temos.É o numero 14 e parte constantemente.

Por agora o dia corre como previsto e já só nos falta visitar um local da nossa lista.Não estamos muito longe e a caminhada faz-se em menos de dez minutos.
Sem dificuldades chegamos ao Cope,um centro de reabilitação criado por uma ONG com o objectivo de ajudar as vitimas das bombas e minas terrestres resultantes dos bombardeamentos ocorridos durante a guerra do Vietname.
O espaço está muito bem organizado,e permite a todos os visitante perceberem de forma clara o porquê do Laos ter sido vítima dos efeitos colaterais de um conflito do qual não fazia parte.
Ainda hoje e depois de mais de quarenta anos,um terço do país continua minado e constantemente pessoas morrem ou ficam mutiladas em consequência de engenhos explosivos que nunca foram detonados.
Vale a pena visitar este local para ficar a conhecer os factos desta guerra silenciosa.






Com a sensação de missão cumprida,a tarde avança e o dia encaminha-se rapidamente para o seu terminus.
Seguimos em direção da marginal que se alonga par a par com o rio Mekong que nesta altura do ano não é mais que um estreito fio de água,que serve de fronteira entre o Laos e a Tailândia.A zona é bastante agradável,locais e turistas misturam-se num vai e vem constante.Casais de namorados trocam mimos completamente abstraídos do mundo,crianças correm sem direção definida como se perseguissem a sua própria sombra e em vários pontos uma música alegre acompanha novos e velhos que exercitam o corpo.Ocasionalmente vão surgindo os primeiros negócios de circunstância que ali ficarão certamente para o mercado nocturno que começa aos poucos a ganhar forma.
Enfim...um final de dia igual a tantos outros para as gentes de Vientiane.

Quanto a nós,ali sentados observamos tudo isto à medida que o sol se vai escondendo no horizonte...sobre a Tailândia.




Todas as crónicas sobre o Laos:
Cascatas de Kuang Si
Os Templos de Luang Prabang
Guia Prático de Luang Prabang
Vang Vieng,o paraíso improvável
Blue Lagoon,Vang Vieng
Guia Prático de Vang Vieng
Vientiane
Buddha Park,Vientiane

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