terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

VANG VIENG - O PARAÍSO IMPROVÁVEL


A viagem desde Luang Prabang foi tranquila. Os quase 200 quilómetros que separam as duas cidades foram preenchidos com alguns sonos esporádicos, interrompidos constantemente pelos buracos na estrada que me maltratam o pescoço.
As músicas que trago no meu ipod ajudam a realçar as paisagens que desfilam para lá da janela ao longo das quase quatro horas de trajecto, atenuando de certa forma o pouco conforto dos bancos da van que nos transporta.




Chegamos e assim à primeira vista Vang Vieng não convence. Apesar do sol brilhar e do céu azul, parece faltar-lhe cor, carisma... essência.
Talvez seja do pó que cobre as estradas e a maior parte dos carros que se alongam na rua principal. Estava à espera de algo diferente! 
Ao contrário do que seria expectável a viagem acaba bem no centro da cidade, à porta de um hostel de aspeto simples e que provavelmente paga ao motorista uma comissão por cada turista que decide ficar logo por ali. Nada de novo...

Como temos alojamento reservado noutro local, rapidamente nos fazemos à estrada. Ao que parece não é longe e dez minutos é talvez o tempo que levamos a chegar à Phoom Chai Guesthouse onde somos recebidos de forma exuberante pelo dono que tem uma forma engraçada de falar.

O local é fantástico, tem um ar acolhedor e bem tratado. São quase duas dezenas de bungalows abraçados por um luxuriante jardim no qual seguramente iremos passar bons momentos. Condições bastante aceitáveis para os 12 euros que pagámos.
Além disso temos direito a café, chá e bananas sempre que quisermos. 


Largamos as mochilas no quarto e apesar de não termos grandes planos para hoje voltamos à rua.
Por aqui o céu azul é uma constante e as temperaturas bastante mais agradáveis do que aquelas que apanhámos em Luang Prabang.
Fazemos o mesmo caminho de à pouco mas agora no sentido contrário e aproveitamos para comer umas sanduíches de frango num restaurante com bom ar. Gostámos do atendimento e dos preços. Haveremos de cá voltar!


Pouco a pouco a minha ideia sobre Vang Vieng vai mudando e assim que chegamos ás margens do rio Nam Song percebo que por vezes a primeira impressão não é a mais correctaDiante nós temos uma ponte de bamboo que atravessa um apetecível braço de água transparente onde num vai e vem constante vão circulando pequenos barcos típicos coloridos que transportam maioritariamente grupos de turistas. Na margem oposta, a uma curta distância, ergue-se uma muralha de montanhas cobertas de uma espessa vegetação verde onde me apetece chegar.



Cruzamos a ponte de aspecto periclitante e que vai rangendo a cada passo que damos. Além de pessoas, também motas e bicicletas estão autorizadas a realizar a travessia. E são muitos os que optam por cruzar o rio neste ponto, uma vez que a ponte de ferro situada uns metros mais adiante exige o pagamento de uma taxa a qualquer veículo que a quiser transpor.

O rio fica para trás e os nossos passos levam-nos agora por um corredor que divide o que parecem ser dois pequenos resorts onde imperam pequenas habitações de aspecto sofisticado.

Mais à frente e já completamente envolvidos por um cenário idílico, cruzamo-nos com um enorme grupo de vacas que pastam despreocupadas, completamente alheias à nossa presença. O céu azul, salpicado com algumas nuvens brancas, contrasta na perfeição com o intenso verde da vegetação que cobre não só as montanhas mas também o solo que ampara o nosso andar.





O caminho por onde seguimos não é mais do que um estreito trilho que atravessa vários campos de cultivo que por esta altura servem de pasto ao gado. Talvez na época das chuvas seja ocupado por infindáveis plantações de arroz, mas agora está seco e serve outros propósitos.
Um pouco mais à frente, no topo de uma pequena montanha, sabemos da existência de uma espécie de miradouro ao qual é possível subir. Para já e para lá chegar basta-nos seguir as bandeiras brancas estrategicamente colocadas ao longo do trilho.




Sem grandes dificuldades chegamos ao local pretendido. Uma placa de madeira anuncia o que procurávamos e um pouco mais à frente, sem que estivéssemos à espera, deparamo-nos com um homem em tronco nu sentado à porta de uma pequena cabana que nos adverte que se quiser-mos subir teremos de pagar 10.000 kip.
Um tipo aqui no meio do nada a cobrar bilhetes para subir a uma montanha?
Adiamos o nosso desejo e de forma a abrigar-nos do sol, sentamo-nos num tronco de uma velha árvore tombada. 
A cabeça diz-me que temos de subir, mas custa-me sustentar alguém que pouco faz a não ser explorar os poucos turistas que ali se deslocam. Além disso o corpo transpirado e ainda moído da viagem desta manhã parece puxar-me no sentido contrário. 
Decidimos que fica para a próxima. Talvez amanhã ou depois. Logo se vê!

O trilho continua agora pelo meio de uma pequena floresta que parece contornar a montanha. A vegetação é cada vez mais cerrada e aqui e ali vislumbramos enormes teias de aranha nas quais as suas inquilinas balançam ao sabor da leve brisa que sopra de vez em quando.

Por nós passa uma senhora que com o seu filho recolhe lenha, talvez para cozinhar a refeição desta noite. Cumprimento-a com um sabaidee e a resposta é-me dada com ligeiro abanar de cabeça. Enquanto avanço por entre aquele aglomerado de árvores e arbustos de proporções fora do normal, penso o quão difícil deve ser a vida daquela família.



E de repente, depois de atravessarmos um portão de madeira, todos os meus pensamentos acabam por se dissolver.
A beleza natural do Laos não pára de nos surpreender e por segundos sinto-me como se tivesse sido absorvido para o interior de uma espécie de mundo perdido, partilhado somente com algumas mulheres que trabalham nos campos agricultas adjacentes.





O sol já vai baixo e não precisamos de consultar o relógio para perceber que o dia se apressa a chegar ao fim. É hora de regressar à cidade.
Percorremos os mesmos caminhos, agora no sentido inverso, e já perto do rio reparamos em algo que horas antes escapara à nossa atenção. Um passadiço de madeira que se estende por alguns metros sobre um campo onde crescem centenas de girassóis. Ao longe, por cima das montanhas o sol vai-se escondendo lentamente.
Não resistimos e sentamo-nos ali a desfrutar daquele cenário como se de um valioso prémio se tratasse. Sinto o palpitar do coração nas pontas dos dedos e inconscientemente solto um sorriso de felicidade. Apetece-me congelar este momento para poder trazer para casa e mostrar a todos que o Laos é fantástico e que Vang Vieng é assim....
Uma espécie de paraíso improvável!






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