sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

.BLUE LAGOON-VANG VIENG


No nosso terceiro dia em Vang Viang acordei cedo,muito antes daquilo que tínhamos previsto.
Tenho fome e sem mais alternativas petisco duas ou três bananas do cacho que comprámos ontem no mercado.
Aos poucos o sol vai nascendo e a claridade entrando pelas frestas das cortinas entreabertas que protegem as janelas no nosso bangalow.Prevejo mais um dia espetacular!
Depois de dar uma olhadela rápida no computador,fecho os olhos e adormeço,sendo acordado uma hora depois pelo despertador do telemóvel que toca ás sete em ponto.
Os preparativos são rápidos e em menos de nada já seguimos em direção ao restaurante do costume onde compramos,por 10.000 kip cada,umas sandes que iremos comer mais logo ao pequeno almoço,aproveitando o café gratuito que temos no hotel.

Entretanto e quando já terminávamos a primeira refeição do dia,chega o dono do hotel que com o seu ar engraçado nos dá os bons dias,pegando de imediato numa chávena de café que vai bebendo enquanto organiza a papelada que se encontra espalhada em cima do balcão da recepção.
De vez em quando vai falando connosco e aqui e ali deixa sair umas palavras em Português,que nos confessa ter aprendido com um amigo de Moçambique que conheceu durante um período que passou na Rússia.



Terminamos,e antes de nos despedirmos,ainda questionamos o simpático homem,se nos sugere algum local não muito caro onde possamos alugar duas bicicletas que serão indispensáveis para a realização dos nossos planos de hoje.
"-logo aqui à saída do hotel vão encontrar uma pequena loja onde se disserem que vêm daqui conseguirão alugar por 15.000 kip por dia".-responde-nos,sempre concentrado na sua papelada.

Pegamos nas mochilas e passamos pela tal loja,onde por 25.000 kip alugamos duas bikes que já viram melhores dias.Combinamos uma hora para a entrega e num piscar de olhos já pedalávamos pelas ruas de Vang Vieng que começam agora a ganhar vida.
O objectivo é visitar a famosa Blue Lagoon,que segundo o nosso mapa se situa a meia dúzia de quilómetros a norte da cidade.Parece tarefa fácil.
O dia está bonito e apesar de algumas nuvens salpicarem o céu,o sol já queima ainda que hoje o faça de forma mais moderada.



Mesmo sabendo que a decisão iria acrescentar umas centenas de metros ao nosso percurso,optamos por atravessar o rio Nam Song pela ponte de bamboo para evitar pagar os 2000 kip cobrados na ponte de ferro.
Nesta zona o dia inicia-se calmamente.Os bares ribeirinhos ainda recuperam da festa da noite anterior e somente os habitantes locais parecem atrever-se a cirandar por ali aquela hora matinal.
À medida que nos afastamos do centro a paisagem vai mudando e damos connosco no meio da verdadeira realidade do Laos,num mundo que poucas transformações deve ter sofrido nas últimas décadas.Pedalamos sem pressa.Avançamos por entre campos de cultivo a perder de vista,pintados de diversos tons de verde e onde aqui e acolá o gado pasta calmamente.Já as montanhas que se sucedem uma após outra vão-nos acompanhando ao longo da estrada pouco movimentada.Ocasionalmente cruzamo-nos com uma e outra pequena aldeia,onde as gentes ocupam o tempo com os seus afazeres quotidianos e as crianças,essas sempre sorridentes,cumprimentam-nos com o típico sabaidee.
A viagem acaba por demorar o dobro do que seria expectável,pois somos constantemente obrigados a parar para registar aquelas paisagens e momentos únicos.







Pequenos restaurantes e cabanas com souvenirs á beira da estrada anunciam a nossa chegada.Por nós vão passando agora diversas vans que provavelmente transportam turistas que optam por realizar a visita de forma mais prática e confortável.
De facto,já avistamos a entrada daquele que muito provavelmente será um dos locais mais visitados de Vang Vieng.O acesso é-nos autorizado depois de adquirirmos o ingresso que para nossa surpresa só custa 10.000 kip por pessoa.



As expectativas eram grandes e afinal o espaço não deslumbra.O nome Blue Lagoon sugeria algo paradisíaco e despertava no nosso imaginário um cenário completamente distinto.
Ainda assim,aquela piscina natural de águas turvas onde um grupo de chineses ruidosos se diverte,acaba por ser um bálsamo de frescura e que serve na perfeição para atenuar o calor que se intensifica a cada hora que passa.
Ficamos ali até que o corpo começa a ceder à baixa temperatura da água.Além disso já se vão fazendo horas de almoço.
Logo ali ao lado,um terreno relvado revela-se o sítio ideal para nos estendermos confortavelmente ao sol enquanto comemos as sanduíches que compramos esta manhã.







A um canto,no meio da vegetação,reparamos numa placa onde se pode ler:Tham Phu Kham Cave.
Havíamos lido algumas criticas positivas sobre este local e mesmo sabendo de antemão que teríamos de literalmente escalar uma montanha,este era um dos locais que tínhamos marcado como de visita obrigatória.O único problema que se apresentava naquele momento eram as havaianas que trazíamos nos pés.
Após alguma hesitação resolvemos avançar,e como viríamos a constatar não seriamos o únicos a realizar a subida com aquele tipo de calçado.
Com passos firmes vamos trepando aquela encosta escarpada e meio enlameada que nos vai maltratando os dedos dos pés.
Avançamos a bom ritmo mas sem correrias.Nas secções mais íngremes temos a ajuda de corrimões de bamboo que nos amparam e facilitam os movimentos e aqui e ali subimos pequenos escadotes de madeira de aspecto pouco seguro,mas que uma após outra vão aguentando o peso das centenas de pessoas que por ali passam diariamente.A vegetação quase cerrada faz aumentar a humidade do ar e consequentemente o calor que nos faz transpirar de forma mais intensa.



Por fim alcançamos o nosso objectivo.Na parede daquela encosta rochosa,uma pequena abertura não deixa antever o espetáculo que estamos prestes a testemunhar.
Lá dentro o ar é mais fresco e pouco a pouco os olhos vão-se adaptando à pouca luz existente.
Detanho-me por breves minutos num ponto estratégico de onde tenho uma visão privilegiada.Sinto-me pequeno,demasiado pequeno perante a imponência daquela galeria onde tudo tem proporções surreais e onde ecoam as vozes das pessoas que se encontram lá em baixo,perto do que parece ser um pequeno santuário.





O chão húmido e gasto pelos milhares de pessoas que percorrem o único caminho que nos leva até ao nível inferior prega-nos algumas partidas levando-nos a escorregar por várias vezes.Além disso a quase falta de luz que invade por momentos aquela espécie de mundo das trevas faz com que avancemos meio ás apalpadelas sem a mínima noção do que pisamos ou ao que nos agarramos.
Sem incidentes de maior chegamos.Estamos literalmente no coração da montanha e sob as nossas cabeças ergue-se aquele impressionante tecto rochoso de onde pendem dezenas de estalactites de formas bizarras.Um pouco mais à frente um pequeno e simples santuário budista composto por um Buda reclinado parece receber uma qualquer luz divina que entra por uma grande abertura situada numa das paredes laterais da gruta.Que lugar fantástico.




O caminho continua por um corredor onde mais uma vez impera uma escuridão total.Ponderamos avançar,nem que seja só por alguns metros,mas rapidamente desistimos da ideia.Não vale a pena arriscar.
Ficamo-nos por ali.

Quando abandonamos a gruta,como que por magia,o tempo mudou completamente.O calor esse continua,mas o céu encontra-se agora coberto de nuvens.
A descida é mais complicada,mas faz-se em pouco menos de quinze minutos.
A nossa passagem pela Blue Lagoon termina depois de mais uns quantos mergulhos que nos ajudam a refrescar o corpo.

Todas as crónicas sobre o Laos:
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Os Templos de Luang Prabang
Guia Prático de Luang Prabang
Vang Vieng,o paraíso improvável
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