Sabendo da existência de diversas zonas protegidas espalhadas pelo país esforçámo-nos para que no nosso roteiro conseguíssemos encaixar um desses locais onde a vida selvagem é salvaguardada de forma rigorosa e sustentável, garantindo assim a preservação dos habitats das espécies animais que ali vivem. Depois de uma breve pesquisa demo-nos conta que no trajeto que faríamos entre as Highlands e a costa sul do Sri Lanka nos cruzaríamos com uma dessas reservas naturais que segundo as informações recolhidas permitiria que contactássemos com uma faceta do Sri Lanka que ainda desconhecíamos. Yala é então o parque nacional que escolhemos visitar e o local onde depositávamos a secreta esperança de que este se viria a transformar num dos pontos altos desta nossa viagem pelo antigo reino de Ceilão.
Este pedaço de território com aproximadamente 1000 Km's² foi o primeiro parque nacional a ser criado no país e destaca-se atualmente por ser o mais visitado de todo o território, talvez por culpa da sua localização ou do facto de ser um dos principais pontos de observação dos sempre esquivos leopardos. Foi então com o desejo de avistar este incrível felino, que por duas vezes havia escapado ao nosso olhar nos safaris realizados anos antes no Quénia, que contactamos um agente da região para que assumisse as rédeas da organização de um passeio de meio dia no parque. Acertam-se as condições assim como um preço que achamos justo pelo serviço e na data fixada somos recolhidos no alojamento logo às primeiras horas da manhã.
Depois de uma breve conversa com o driver que faz igualmente o papel de guia, seguimos, ainda de noite, pelas estradas desertas e pouco iluminadas da região. A temperatura a esta hora acaba por ser mais baixa do que expectávamos e uma vez que o veículo não possui qualquer proteção lateral a viagem até ao destino revela-se bastante desconfortável. Dos seis assentos presentes na viatura só quatro estão ocupados, com um casal de dinamarqueses pouco comunicativos a seguir nos lugares traseiros.
Ainda que o frio não dê (por agora) tréguas, os primeiros raios de sol trazem com eles uma espécie de aconchego moral ao nosso corpo, o que acaba por nos permitir desfrutar um pouco mais das paisagens que pouco a pouco iam ganhando nitidez.
Finalmente alcançamos o ponto de acesso à zona protegida de Yala que à nossa chegada ainda se encontra encerrado. A espera não chega a ser longa e num estalar de dedos já deslizamos sobre os caminhos de terra do parque, de olhar atento, em busca de algum sinal de vida animal.
Se durante a primeira meia hora nada de significativo acontece a não ser o encontro esporádico com uma pequena mas colorida ave, a certa altura, quando já desesperávamos, a nossa sorte parece ter começado a mudar. A dois passos da estrada, o guia vislumbra uma movimentação nos arbustos que aparentemente não é normal. A viatura posiciona-se num ponto estratégico, refina-se a atenção e sem demoras é revelado o motivo da tal agitação. Por entre a vegetação surgem primeiro dois veados juvenis que de imediato se vêm cercados por um grupo maior da mesma espécie. No interior do jeep a excitação cresce de tal forma que até os dinamarqueses parecem ter-se libertado do mau-humor matinal e falam agora mais do que seria aconselhável, expressando-se de forma efusiva, num tom que ameaça afugentar a caça.
A manada de antílopes liderada por um vistoso macho não mostra grande desconforto perante a nossa presença e mantém-se focada em não interromper aquilo que imaginamos ser a primeira refeição do dia. Quanto a nós, movidos pelo desejo de novos avistamentos abandonamos o local, seguindo os passos de um outro veículo que entretanto também se havia posicionado para observar os veados.
Segue-se mais um período morto, sem grandes acontecimentos mas que acaba por ser quebrado pelo som estridente que o guia identifica como o chamamento de um pavão macho. Num pedaço de terreno em que o tapete verde não assume grande altura vislumbramos a tal criatura que continua a sua "performance" vocal ao mesmo tempo que exibe um vistoso leque de plumas, como se de alguma forma nos quisesse compensar pelos poucos motivos de interesse observados até então. A pausa é rápida, até porque o espetáculo é interrompido pelo ruído de um jeep que por ali passa sem parar, seguido de imediato por outro. Suspeitamos que algo se passa naquela direção e o nosso chaufeur parece não querer deixar passar a oportunidade de nos mostrar algo realmente especial. De facto foi avistado um leopardo mas aparentemente cansou-se do desassossego causado pelos visitantes e foi preguiçar para outras paragens. Vencidos pelo desanimo abandonamos a área sob o olhar atento de uma pequena águia que, no seu posto de controlo, merece ser fotografada.
Se as primeiras horas haviam resultado numa missão falhada no que toca ao tão desejado avistamento de um leopardo, seguimos agora para uma área distinta do parque na qual os elefantes são, em teoria, presença frequente, de tal forma que as nossas expectativas foram superadas logo nos quilómetros iniciais. Ao longe, numa área onde a paisagem se abre, surgem duas silhuetas inconfundíveis que desaparecem logo de seguida por entre a vegetação. Com o fugaz mas prometedor aparecimento daqueles dois elefantes ganhamos um animo adicional, até porque agora existe a certeza que andam por perto.
Num movimento brusco o driver remete-nos para um caminho em más condições, ladeado por uma vegetação tão alta que não permite que o nosso olhar se alongue mais do que um par de metros. Ainda que estranhemos aquele súbito desvio, mantemos a confiança no jovem atrás do volante e quem sabe se esta mudança de comportamento não será afinal o resultado de um qualquer ato instintivo que nos conduzirá até perto das duas criaturas que avistámos ainda há pouco.
A certa altura a estrada extingue-se nas margens de um lago no qual a vida animal se mostra tão vasta quanto o perímetro que o compõem. Afinal a atitude intempestiva do rapaz revelou-se uma aposta ganha, uma vez que aquele grande reservatório hídrico revela ser uma espécie de refúgio secreto que acaba por nos dar a oportunidade de contactar com um número considerável de animais e aves. À nossa volta vêem-se pequenos primatas, vários tipos de pássaros de aparência exótica, búfalos de água e até um crocodilo que apesar de imóvel estará certamente a observar-nos com atenção.
Se até então o uso da máquina fotográfica se manteve de certa forma contido, agora, perante uma tão ampla lista de motivos de interesse, os disparos sucedem-se na esperança que consigam captar em imagem cada um daqueles momentos.
Numa altura em que o jeep já se movimentava para retomarmos o caminho detetamos movimento para lá da cortina de vegetação que delimita o caminho, com os ramos a agitarem-se de tal forma que rapidamente constatamos o óbvio. Há claramente elefantes escondidos entre o arvoredo. O motor do veículo é desligado e a excitação entre os participantes cresce perante a iminência do tão desejado avistamento.
Quase de imediato o nosso olhar identifica o que parece ser um grande elefante. Sim, lá está ele dono e senhor deste território no qual somos nós os seres clandestinos. O bicho não se mostra incomodado com a nossa presença e avança na direção do jeep até um ponto em que poderia facilmente investir sobre nós. Quando pensávamos que estávamos perante aquele que seria o ponto alto do safari, damo-nos conta da presença de mais dois elefantes, ainda que de menores dimensões. Aquele grupo é afinal composto por uma fêmea e duas crias, a maior, do ano anterior e a mais pequena nascida há talvez um par de meses.
O quadro é realmente sublime, dominado por três criaturas majestosas que, fazendo pouco caso da nossa presença, se alimentam de forma despreocupada, ingerindo generosas porções de folhagem que são arrancados com movimentos firmes. Quanto a nós, num silêncio quase solene, fazemos questão de prolongar aquela pausa o quanto nos é possível e só abandonamos o local quando aquela pequena família volta a desaparecer por entre a vegetação.
Foi desta forma quase apoteótica que finalizámos a nossa passagem pelo Parque Nacional de Yala. O trajeto que nos conduziu ao ponto de partida foi realizado de sorriso no rosto, conscientes de que apesar do início pouco prometedor, estes haviam sido momentos únicos que, com toda a justiça, estariam destinados a ganhar um lugar de destaque na lista das experiência que faremos questão de recordar mesmo depois da nossa viagem pelo Sri Lanka.
INFORMAÇÕES ÚTEIS:
.COMO FIZEMOS PARA ORGANIZAR O SAFARI NO PARQUE NACIONAL DE YALA:
Conscientes de que um safari no Parque Nacional de Yala está entre as atividades deste género mais procuradas no Sri Lanka, fizemos questão de tratar de tudo com alguma antecedência. Sabendo da existência de inúmeras agências e alojamentos que anunciam as mais diversas atividades no interior da área protegida, acabámos por não encontrar grandes dificuldades em realizar a nossa escolha no que toca à seleção do pacote desejado. Por uma questão de comodidade decidimos contactar o hotel onde pernoitaríamos durante a nossa curta estadia em Thanamalwila que para além de nos apresentar um preço bastante em conta também mostrou disponibilidade para satisfazer os nossos desejos. Escolhemos a data que melhor nos convinha, agendou-se o pagamento e acertou-se o local onde seriamos recolhidos pela equipa. No final e depois de concluída a experiência constatámos que apesar de não ter sido perfeita, a decisão tomada acabou por se revelar satisfatória.
Conscientes de que um safari no Parque Nacional de Yala está entre as atividades deste género mais procuradas no Sri Lanka, fizemos questão de tratar de tudo com alguma antecedência. Sabendo da existência de inúmeras agências e alojamentos que anunciam as mais diversas atividades no interior da área protegida, acabámos por não encontrar grandes dificuldades em realizar a nossa escolha no que toca à seleção do pacote desejado. Por uma questão de comodidade decidimos contactar o hotel onde pernoitaríamos durante a nossa curta estadia em Thanamalwila que para além de nos apresentar um preço bastante em conta também mostrou disponibilidade para satisfazer os nossos desejos. Escolhemos a data que melhor nos convinha, agendou-se o pagamento e acertou-se o local onde seriamos recolhidos pela equipa. No final e depois de concluída a experiência constatámos que apesar de não ter sido perfeita, a decisão tomada acabou por se revelar satisfatória.
.COMO CHEGAR AO PARQUE NACIONAL DE YALA:
Devido à sua localização geográfica, o Parque Nacional de Yala é visitado sobretudo por pessoas que se deslocam a partir da costa sul do país. Locais como Matara, Mirissa e Dikwella são, por norma, os principais pontos de partida de grande parte dos tours que conduzem os turistas até esta zona. Se pretender deslocar-se destas áreas balneares até Yala de forma independente deverá numa primeira fase apanhar em Matara um autocarro local até Hambantota ou Tangalle, seguindo depois noutra carreia até à cidade de Tissamaharama. Aí há que arranjar um tour organizado para visitar o parque, até porque esta é a única forma de aceder ao interior deste vasto território protegido.
Se o ponto de partida for a cidade de Colombo poderá realizar o trajeto de autocarro. Neste caso deverá, antes de mais, dirigir-se ao Bastian Mawatha Bus Terminal (Pettah), seguindo depois numa das diversas carreiras que em cerca de 6 horas o levarão até à cidade de Thanamalwila. Aí há que arranjar um tour organizado para visitar o parque.
Caso o viajante não tenha grandes preocupações com o orçamento e procura um meio de transporte que privilegia o conforto e rapidez, então o táxi é a opção que mais lhe convém.
Nós, tendo em conta que alugámos um tuk tuk para percorrer o país, chegámos a Thanamalwila desta forma.
Como já foi referido, o Parque Nacional de Yala é o mais visitado do Sri Lanka, com uma grande fatia dos turistas a chegarem em daytrips a partir das estâncias balneares do sul do país. Ainda assim há uma pequena franja de visitantes que opta por conhecer esta região de forma mais profunda, pernoitando nas cidades ao redor do parque. Mesmo que as opções de alojamento nestas áreas não sejam vastas, existem contudo diversos hotéis e guesthouses que, apesar de básicos, se mostram capazes de acomodar todos aqueles que ali pretendem passar uma ou mais noites. No nosso caso ficámos alojados no único mas simples bungalow que compõe o hotel Thanamal-Villa, situado no centro desta pequena cidade. O quarto era limpo, espaçoso e com casa de banho. A propriedade dispõe também de estacionamento privativo, o que (para nós) se revelou uma mais-valia.
.COMO ACEDER À INTERNET NO SRI LANKA DE FORMA PRÁTICA E RÁPIDA:
Se for daquelas pessoas que não faz questão de estar ligado à internet em permanência, então a rede wifi do alojamento assim como dos bares, cafés e restaurantes que frequentar durante a sua estadia será certamente suficiente para as suas necessidades. No entanto, se fizer questão de se manter conectado ao mundo digital de forma frequente poderá fazer como nós e adquirir um prático e funcional eSim. Durante a nossa viagem pelo Sudeste Asiático usámos a Operadora Saily que mostrou estar sempre à altura das nossa exigências, mesmo em algumas regiões mais remotas. Se optar por esta solução utilize os nossos códigos (PAULAE8084 & JOAOEN5015) e consiga 5 USD de desconto na sua primeira compra.
.QUAL A MELHOR ALTURA DO ANO PARA VISITAR O PARQUE NACIONAL DE YALA:
A melhor altura do ano para visitar o Parque Nacional de Yala é entre fevereiro e maio, período em que o clima é mais seco e a vegetação é menos densa. Estes meses proporcionam condições bastante favoráveis para a observação da vida animal, especialmente ao redor dos reservatórios de água do parque. Os meses de outubro a dezembro tendem a ser os mais instáveis em termos meteorológicos, com largos períodos de chuva que limitam a circulação assim como os avistamentos. Normalmente o parque encerra por algumas semanas no mês de setembro de forma a que exista alguma regeneração das espécies animais assim como do seu habitat.
.VISTO E FORMALIDADES FRONTEIRIÇAS PARA O SRI LANKA:
Para entrar no Sri Lanka a maioria dos visitantes necessita de um visto turístico. O processo para a obtenção do ETA (Electronic Travel Authorization) é bastante simples e pode ser solicitado on-line através deste SITE antes do início da sua viagem. Depois do formulário devidamente preenchido e aprovado, o viajante receberá no seu e-mail a devida autorização de acesso ao território que deverá ser apresentada à chegada em conjunto com o passaporte (com pelo menos 6 meses de validade), bilhete de saída do Sri Lanka assim como um comprovativo de alojamento.
.CUIDADOS DE SAÚDE:
Esta região do Sri Lanka é, por norma, um destino que não exige grandes preocupações a nível de saúde, contudo sugerimos a realização da consulta do viajante antes do inicio a viagem.
Esta região do Sri Lanka é, por norma, um destino que não exige grandes preocupações a nível de saúde, contudo sugerimos a realização da consulta do viajante antes do inicio a viagem.
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