quinta-feira, 21 de maio de 2015

.AYUTTHAYA


Sabiam que os Portugueses foram o primeiro povo ocidental a pisar estas terras?
É verdade!
Corria o ano de 1511, altura que Ayutthaya era a capital do reino de Sião, quando Duarte Fernandes aqui chegou numa missão diplomática.
Os laços tanto comercias como pessoais entre as duas partes foram-se cimentando ao longo dos tempos que se seguiram e como prova dessas boas relações o rei Ramathibodi II concedeu aos Portugueses algumas terras para que os lusos se estabelecessem.

Este foi o primeiro passo para a criação da aldeia de Ban Protukét que acolheu a comunidade portuguesa até 1767, altura em que foi abandonada depois da capital ser invadida pelas tropas da Birmânia.
Desde a nossa primeira passagem por Bangkok em 2010 que tínhamos ficado com vontade de conhecer as ruínas de Ayutthaya e desta vez não deixámos passar a oportunidade.

O dia começou bem cedo e por volta das sete da manhã já nos encontrávamos na estação de Hua Lamphong. Comprámos os bilhetes que custaram a módica quantia de 20 Bahts (cerca de 0.50 €) e lá fomos nós durante aproximadamente duas horas e meia, enquanto os primeiros raios de sol pintavam de dourado as bonitas paisagens que desfilavam para lá da janela.



A viagem passou a correr muito devido ao facto de termos passado todo o tempo na conversa com algumas das pessoas que connosco dividiam aquela carruagem.
É por isto que adoramos andar de comboio. Considerado-lo o meio de transporte mais autêntico, onde facilmente fazemos "amigos" que de uma ou outra forma acabam por fazer parte das nossas viagens. 



Uma vez chegados ao nosso destino e como trazíamos connosco as mochilas grandes, resolvemos pagar 40 Baht para as deixar guardadas na estação e assim aliviar o peso que teríamos de transportar durante todo o dia.




Já no exterior da gare ferroviária tivemos de decidir como iríamos fazer para nos deslocarmos uma vez que o complexo arqueológico se prolonga por uma área relativamente grande.
A primeira opção equacionada foi recordar aos serviços de um dos típicos tuk tuk's ali presentes e que nesta região têm um aspecto deveras aerodinâmico. Percebemos que por cerca de 1000 Baht o sorridente driver estaria disposto a dar uma volta completa de todo o parque. O valor pareceu-nos demasiado elevado. Agradecemos mas declinamos a oferta.
Outra das opções foi alugar uma bicicleta o preço médio é de 50 Baht por dia, uma soma já bem dentro do nosso orçamento mas que achámos que poderia ser poupada se andássemos a pé.
Estudámos o mapa assim como as distância e decidimos que como estávamos sem pressa e com um dia inteiro pela frente, seria perfeitamente possível visitar grande parte do complexo desta forma.


Como já referimos o parque arqueológico engloba uma área bastante extensa, como tal convém decidir antecipadamente quais os locais que pretendem visitar de maneira a organizar minimamente o tempo que dispõem.
O circuito que fizemos permitiu-nos conhecer os principais templos de forma tranquila.

Grande parte dos pontos de interesse de Ayutthaya ficam situados numa ilha, resultante da confluência de três rios: o Chao Phraya, o Pa Sak e o Lopburi e uma vez que a estação de comboios fica no exterior da dita ilha tivemos de apanhar um barquito para realizar a curta travessia.
O preço é de 5 Baht por pessoa (2015).





Foi sem demoras que chegámos ao Wat Phra Mahathat onde, e à semelhança de muitos dos templos existentes foi necessário pagar a 50 Baht para aceder ao interior espaço.
Este antigo mosteiro chegou em tempos a ser um dos mais importantes da capital e apesar do estado de ruína em que se encontra hoje em dia, não é difícil imaginar a beleza deste local nos seus anos de glória.






Esta área é uma das mais visitadas de Ayutthaya e acolhe uma das imagens mais conhecidas da Tailândia. O Wat Phra Mahathat tornou-se mundialmente famoso devido à árvore que nasceu e envolveu uma cabeça de Buda e que aparece em muitos dos cartões postais do país. 




Terminada que estava a primeira visita do dia, demos corda aos sapatos e andámos um bom bocado pelo caminho que percorre o parque, sempre rodeados de lagos e aqui e ali íamo-nos cruzando com pequenos templos e stupas. Não foi preciso muito para avistarmos o Wat Phra Ram, outro dos pontos de interesse assinalados na nossa lista.



Como a entrada ficava do lado oposto de onde nos encontrávamos e como reparámos que o muro que protege o templo não tinha mais de dois palmos de altura e até era fácil passar por cima, achámos que não havia problema em cometer este pequeno "ilícito". Só percebemos que afinal era preciso pagar os tais 50 Baht quando saímos pela saída/entrada "oficial".
Sem querer acabámos por poupar 100 Baht e no final ainda nos rimos da situação.




A próxima paragem estava ali,do outro lado da estrada. O Wihan Phramongkhon Bophit distingue-se facilmente de todos os outros templos porque é o único edifício do parque que foi totalmente restaurado e que alberga no seu interior um dos maiores Budas de bronze da Tailândia.





Na altura em que Ayutthaya era a capital do reino de Sião este local era usado para a realização de cerimónias de cremação da família real.
A entrada é gratuita e além dos muitos turistas, o espaço é dividido com um número bastante elevado de fiéis que aqui vem realizar as suas orações.



Mesmo ao lado enconrtra-se o Wat Phra Si Sanphet, outro dos grandes santuários budistas que compunham a antiga cidade real. Este em particular encontra-se nos terrenos que outrora pertenceram ao Palácio Real de Ayutthaya. Pensa-se que serviu de inspiração ao Wat Phra Kaew que visitámos dias antes em Bangkok.



Por se tratar de um dos maiores complexos existentes, a visita torna-se um pouco mais demorada uma vez que é composto por bastantes estruturas, das quais destacamos as bem conservadas três Stupas que aparentemente são a peça central deste templo e que segundo lemos é onde se encontram guardadas as cinzas de alguns dos reis do antigo reino.
Na nossa opinião este é sem dúvida o mais bonito templo do parque (interior da ilha) e no qual vale bem a pena pagar os 50 Baht exigidos.




Numa altura em que o calor já massacrava o corpo, chegámos ao Wat Lokayasutharam, local onde um enorme Buda deitado parece receber os visitantes com um sorriso enigmático.




A nossa passagem por Ayutthaya estava a aproximar-se do fim, mas antes de nos despedirmos queríamos obviamente ir conhecer a área onde os nossos antepassados se estabeleceram aquando da sua passagem pela região.
Por muito que quiséssemos prosseguir a pé sabíamos que no fundo era uma ideia quase inconcebível, uma vez que o chamado Portuguese Settlement já se encontra situado fora da ilha, a mais de oito quilómetros do ponto onde nos encontrávamos. A única solução era tentar apanhar um tuk tuk que tivesse disposto a realizar a viagem. 



A situação foi rapidamente resolvida. Após uma curta negociação e de expor-mos os nossos desejos, aquele senhor de tenra idade lá concordou em nos levaria ao local combinado, fazendo também uma pausa no imponente e imperdível Wat Chaiwatthanaram.



Dez minutos foi o tempo que demoramos até chegar ao mais fotografado templo de Ayutthaya.
Inevitavelmente tivemos de pagar os 50 Baht para aceder ao interior do santuário e o que 
vimos não nos desiludiu.




Situado na margem do rio Chao Phraya, o Wat Chaiwatthanaram foi erguido 1630 e 1650, sendo a primeira grande construção do rei Prasat Thong. 
Se momentos antes tínhamos ficado encantados com o Wat Phra Si Sanphet, o monumento que tínhamos agora diante nós deixou-nos sem palavras, especialmente quando ficámos frente-a-frente  a incrível stupa central com 35 metros de altura e que ao que parece é a peça mais importante daquela espécie de obra prima.




Daqui seguimos finalmente rumo ao sitio onde se situava a antiga aldeia portuguesa (Ban Protukét) onde chegámos sem grandes demoras.
Apesar de ser um local onde que recebe poucos visitantes, ficámos contentes por testemunhar que o pouco que resta da presença lusa em Ayutthaya se encontra num aceitável estado de conservação.





É possível visitar uma igreja que segundo percebemos foi erguida num período posterior e que no interior não possui qualquer altar, nem santos nem nada do que habitualmente estamos habituados a ver num sitio sagrado.
Da Igreja original (que na altura foi batizada de Igreja Dominicana de S.Pedro) só resta a fachada. Neste mesma área ainda é possível visitar um antigo cemitério que segundo as indicações ali presentes, contêm diversas as ossadas de alguns dos "nossos" antepassados".





O dia de hoje correu tal e qual como tínhamos planeado e não podia ter terminado da melhor maneira. Encontrávamo-nos do outro lado do mundo mas com o sentimento de ter diante nós um pedaço importante da nossa historia.

Mais uma aventura que chega ao fim...

.Outras crónicas sobre a Tailândia:
- Bangkok
Mercado flutuante de Damnoensaduak


  Podem acompanhar as nossas viagens e ver as fotos deste e de outros destinos na pagina do Diario das Viagens no Facebook.
 

 ****Os preços e horários apresentados são referentes ao período da nossa passagem (janeiro de 2015) e obviamente estão sujeitos a alterações.

1 comentário:

  1. Adorei ver essas fotos. Cheguei aqui pq hoje simplesmente to ouvindo bon jovi sem parar por umas 4 horas. hehe.

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