quinta-feira, 10 de maio de 2018

.GRANDE MURALHA DA CHINA, JINSHANLING


Hoje o dia tinha de ser perfeito.
Deixei Pequim ás primeiras horas do dia com meia dúzia de informações escritas no meu bloco, esperando que fossem suficientes para me fazerem chegar à secção da Grande Muralha da China que queria visitar.
O trajeto foi longo, mas os meus receios acabaram por ser injustificados, uma vez que a viagem até Jinshanling se revelou relativamente fácil de realizar. O autocarro que me trouxe desde os arredores da capital deixou-me numa velha estação de serviço e os derradeiros quilómetros que me separam do grande monumento são realizados num táxi improvisado, arranjado ali mesmo. Supostamente deveria haver por ali uma van que transporta os turistas de forma gratuita até ao centro de visitantes, mas ninguém me soube informar sobre tal.
A complexidade da comunicação atrasa por momentos a nossa partida. Ainda assim o entendimento quanto ao preço a pagar pelo curto trajeto é alcançado através de um hilariante dialogo em linguagem gestual.

O céu resplandece num azul que poucas vezes vi durante a minha estadia em Pequim e que augura uma jornada tal como desejei. 
Enquanto avançamos, o meu olhar vai vasculhando a paisagem em busca de um vislumbre da muralha, que apesar das indicações plantadas ao longo da estrada, teima em não aparecer para lá do vidro empoeirado daquele modesto veículo.
O bem amanhado centro de visitantes marca o ponto de partida da tão aguardada incursão pedonal, que me levará a percorrer um pouco daquela que é considerada a maior estrutura do planeta construída pelo homem.




Compro o devido bilhete, recolho um mapa, e por entre uma pequena floresta galgo encosta acima até aos pés da fortaleza impenetrável.Naquele momento tudo o que me separa de um sonho é uma escadaria que subo sem me importar muito com uma família de chineses que numa tradicional algazarra, por ali vai tomando o pequeno almoço.

Nunca esquecerei o primeiro olhar sobre aquela passadeira de pedra que de forma quase infinita serpenteia, sobe e desce montanhas. É puro entusiasmo, é uma imagem soberba que depois de contemplada me esforço para eternizar em fotografias.





Tenho que avançar, até porque os visitantes começam a chegar e apesar de ser pouco provável, não me apetece nada repetir a experiência de 2011, quando me desloquei à secção de Badaling e por ali andei aos empurrões com milhares de pessoas.
Hoje será certamente diferente, mas ainda assim não quero facilitar.
Sigo para Oriente, a meta do dia encontra-se a cerca de sete quilómetros, na zona de Simatai onde conto chegar dentro de três horas.

Se ao inicio o caminho é feito em conjunto com alguns habitantes locais, a verdade é que à medida que me afasto do ponto de partida, a companhia vai sendo cada vez mais escassa, até que a certa altura sou só eu e a Grande Muralha.
Estou como gosto!
A bem arranjada estrutura que me recebeu no primeiro par de quilómetros transformou-se de súbito num corredor de lajes soltas, no qual muitas vezes me deparo com a inexistência de muros laterais e onde as antigas torres de vigia parecem desafiar a gravidade. 




Em silêncio e quase em êxtase com o cenário que tenho diante dos olhos sinto um arrepio que me faz cócegas no corpo. 
Tudo isto tem para mim uma magnitude que nunca imaginei ser possível. De uma forma quase poética vejo beleza até nas pedra cinzentas da passadeira que traça o caminho, na vegetação envolvente que desabrocha lentamente, e no azul do céu que delimita aquele quadro e lhe serve de moldura.
Tento guardar em mim cada um daqueles milhares de anos de história que ora num ritmo mais lento ora mais apressado, vão desfilando sob os meus pés.






Uma derradeira subida e estou ao que parece no ponto mais elevado deste trecho do qual consigo avistar um lago formado por uma qualquer barragem que assinala o ponto final da minha caminhada.
Antes de percorrer os últimos metros faço uma pausa, aconchego o estômago com  meia dúzia de bolachas e mato a sede com a água que resta na garrafa que viajou comigo desde a capital.
Estou bem, sinto-me grato por poder viver momentos como este.
A China não para de me surpreender! 



-INFORMAÇÕES ÚTEIS:

.COMO CHEGAR A JINSHANLING DESDE PEQUIM?

  • É bastante fácil visitar a secção da Grande Muralha da China situada em Jinshanling, apesar desta se encontrar a cerca de 150 Km's da capital.
  • O primeiro passo é apanhar o metro na linha 13 ou 15 até à estação Wangjing West.
  • No exterior da estação de Wangjing West (exit D) procurar a gare rodoviária de onde parte de forma regular (entre as 07:00 e 16:30) um autocarro verde (32CNY)  que o levará até à Estação de Serviço de Jinshanling em cerca de duas horas.
  • Na estação de serviço de Jinshanling é possível apanhar de forma gratuita uma van que o levará até ao centro de visitantes (informação confirmada).
  • Caso não seja possível seguir viagem de van aconselhamos fazer-lo de táxi nunca por um preço superior a 20CNY.



.QUANTO CUSTA O ACESSO À GRANDE MURALHA DA CHINA (JINSHANLING)?

  • O Acesso à secção da Grande muralha da China em Jinshanling tem um custo de 55CNY entre Novembro e Março e de 65CNY no período que vai de Abril a Outubro.
  • Para os que pretendem deslocar-se de teleférico desde o centro de visitantes até ao topo da muralha deverá acrescentar 40CNY (ida) ou 60CNY (ida e volta).



.QUANDO VISITAR?

  • Os melhores períodos para visitar e caminhar ao longo da Grande Muralha da China são entre os meses de Abril e Maio assim como entre Setembro e Outubro,uma vez que nestas alturas as temperaturas são mais amenas,evitando desta forma o frio dos meses de inverno e o calor abrasador dos meses de verão.

-OUTRAS CRÓNICAS SOBRE A CHINA:



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