domingo, 6 de maio de 2018

.TEMPLO DO CÉU-PEQUIM


Preces,rezas e orações. Todas estas foram em tempos ações praticadas no Templo do Céu. Este era um local sagrado, onde o Imperador numa cerimónia pautada pela intensidade, pedia a intervenção celestial para que as colheitas dessa estação fossem férteis.
Sem surpresas, todos esses rituais se diluíram com o passar dos séculos e hoje o espaço encontra-se incorporado num vasto jardim público onde as gerações mais antigas da capital se reúnem.
Perto da entrada e sobre um longo telheiro, um grupo de velhos entretêm-se com jogos típicos, enquanto os seus pássaros de estimação saltitam e soltam melodias dentro das pequenas gaiolas de madeira.

Mais à frente cruzo-me com meia dúzia de senhoras que dançam de forma sincronizada ao ritmo de acordes que se enquadram perfeitamente no cenário envolvente. Dá ideia que ao transpor os muros que circundam o complexo, se entra num refúgio de paz capaz de nos afastar da confusão absurda que se vive nas ruas de Pequim.
O tempo está ótimo. Aquele frio matinal que me acompanhou durante grande parte da visita à Cidade Proibida deu neste início de tarde lugar a uma temperatura agradável.




À medida que caminho esforço-me para me orientar pelo maltratado mapa que trago no bolso, tentando descortinar a forma mais rápida de alcançar o Hall das Orações pelas boas colheitas.
Já não está longe! Ao fundo já avisto o enorme telhado azul que se ergue para lá das copas das árvores, brilhando de forma intensa cada vez que o sol quebra a leve camada de nuvens que cobre parte do céu.

O acesso ao espaço sagrado é feito por uma porta lateral que conduz os visitantes a uma  área circular que se multiplica em diversos patamares concêntricos que sucessivamente vão envolvendo o templo.
Por breves momentos pareço ser o único visitante e aproveito aquela calma temporária para fazer algumas fotos. Aproximo-me e um após outro vou galgando e percorrendo todos os três terraços circulares que sustentam o enorme edifício.





No topo, o santuário ergue-se em todo o seu esplendor. À distância permitida, delicio-me com os infinitos detalhes coloridos capazes de me transportar para os tempos em que o Imperador se sentava no cadeirão ainda presente sobre os gigantescos pilares de madeira que sustentam o edifício.
Reza a história que o filho do céu abandonava a Cidade Proibida e numa espécie de procissão deslocava-se a este local com o objetivo de solicitar a influência divina para que as colheitas desse ano fossem abundantes.



Quanto a mim e sem poderes milagrosos para afastar a multidão que entretanto se juntou, desço as escadas principais e regresso ao nível inferior que percorro mais uma vez enquanto o meu olhar lança uma espécie de abraço de despedida antes de transpor o portal que me leva de volta à área pública do parque.

Diante mim tenho agora um longo corredor que em linha recta me levará sem enganos até ao Altar Circular, passado antes por um pequeno templo onde o principal ponto de interesse dos muitos turistas chineses que por ali se acumulam é o chamado Muro do EcoDiz-se que esta parede circular tem a capacidade de transportar qualquer som ao longo de toda a sua extensão, fazendo com que naquele momento um punhado de pessoas se divirtam a soltar ora mais alto ora de forma mais discreta palavras que não entendo mas que vão fazendo sorrir os destinatários daquele diálogo sem sentido.
No centro de toda aquela algazarra ergue-se um pequeno edifício que mais parece uma cópia em miniatura do  Hall das Orações pelas boas colheitas, que faço questão de visitar antes de seguir o meu caminho. 





Apesar da constante presença do sol a temperatura volta a baixar, muito por culpa do ventinho desagradável que vai soprando e fazendo tremer as árvores que povoam o espaço.Com a chegada ao Altar Circular alcanço o terceiro e derradeiro local incluído no ingresso que adquiri.
Para falar verdade esperava mais. A importância histórica e religiosa deste sítio é inegável, contudo depois de tantos monumentos imponentes e de certa forma exóticos vistos nas últimas horas, achei o espaço um tanto ao quanto despido de beleza. 
Talvez a responsabilidade desta súbita falta de sensibilidade sejam o cansaço e os vários quilómetros acumulados nas pernas que por esta altura já não me deixam ter o discernimento necessário para reconhecer a beleza que tantos dizem existir neste lugar. 






Está na hora de me despedir, até porque o sol já se esgueira para lá da linha do horizonte e as luzes que pouco a pouco vão iluminando o parque anunciam a rápida chegada do final de mais um dia.


-INFORMAÇÕES ÚTEIS:

.COMO CHEGAR

  • O Metro é na nossa opinião a forma mais prática de chegar ao complexo onde se encontra inserido o Templo do Céu,bastando para isso seguir na linha 5 e sair na estação Tiantan Dongmen (Exit A).


.QUANTO CUSTA O ACESSO AO TEMPLO DO CÉU

  • O bilhete combinado que dá acesso ao Parque onde se encontra o Templo do Céu assim como o Altar Circular e o Muro do Eco, tem um custo de 28 CNY quando comprado entre os meses de Novembro e Março e 34 CNY entre Abril e Outubro.

-OUTRAS CRÓNICAS SOBRE A CHINA:

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