domingo, 27 de maio de 2018

.EXÉRCITO DE TERRACOTA-XI'AN, CHINA


Caminho os últimos metros que me separam do objetivo do dia, consciente de que esta experiência não contará com o efeito surpresa que em tantas outras ocasiões me fez eriçar os pelos do corpo. Gosto de ser engolido pela imponência ou beleza de um local, mas hoje sei exatamente o que me espera para lá da porta dos pavilhões que protegem um dos mais valiosos tesouros da humanidade.
Em 2011 visitei o Exército de Terracota do Imperador Qin e aí sim, senti aquele arrepio de quem está perante algo que impressiona.
Ao contrário do que fiz nessa altura, hoje dou início ao passeio pelo mais modesto dos três edifícios do complexo de forma a aumentar gradualmente a intensidade da experiência.

Num ápice reavivam-se memórias passadas.Alguns metros abaixo do ponto onde me encontro, jazem imóveis testemunhos da ambição de um homem que de uma forma megalómana eternizou todo o seu exército.
Guerreiros e cavalos reproduzidos ao pormenor acompanhariam o imperador na sua derradeira viagem.






Não são mais de três ou quatro dezenas as figuras que hoje se alinham no pequeno "pit" número 3. Se infelizmente a algumas lhes faltam as cabeças a outras faltam-lhe literalmente quase tudo. Num dos extremos do poço e espalhados pelo solo, amontoam-se corpos esmagados pelo tempo que nunca conseguirão honrar a tarefa que lhes foi confiada.




No segundo edifício percebe-se claramente que as escavações se encontram num estado intermédio. As estátuas estão lá, escondidas do mundo de forma propositada, grande parte delas envoltas por sucessivas camadas de terra acumulada durante um longo período e que assegurará a conservação dos detalhes originais destes valiosos tesouros.
Ainda que oculto, o exército de terracota mantém-se estrategicamente alinhado e pronto a defender a derradeira morada do imperador Qin Shi Huang.  




Enquanto prestam atenção ás palavras lançadas pelo guia, um grupo de turistas chineses bloqueia inadvertidamente a porta que dá acesso ao maior dos pavilhões, atrasando por alguns segundos a minha entrada e prolongado a ansiedade que sem razão aparente se apoderou do meu corpo. 
Com meia dúzia de fintas ultrapasso aquela barreira de corpos humanos, aproximando-me lentamente do varandim que delimita o grande fosso onde um imenso número de figuras se alinham em posição de batalha. São milhares de guerreiros acompanhados por cavalos. Cada um deles com características distintas. Rostos, roupas, posições e até penteados.
É como se cada uma daquelas estátuas contassem a sua própria estória. Uma estória escrita à mais de dois milénios e da qual ainda faltarão certamente desvendar alguns capítulos.
Numa segunda linha, algumas daquelas personagens do passado sucumbiram mesmo antes de completarem a missão que lhe foi incumbida, esperando agora pacientemente que os serviços de restauro lhe dêem uma segunda vida. 












.INFORMAÇÕES ÚTEIS:  

.COMO CHEGAR?

  • É extremamente fácil chegar de forma independente a este local. No exterior da Estação de Comboios de Xi'an encontra-se o terminal rodoviário onde é possível apanhar o bus 306 que segue directamente até ao Exército de Terracota do Imperador Qin.


.O QUE VISITAR PARA ALÉM DO EXÉRCITO DE TERRACOTA?


  • Além dos três pavilhões onde decorrem os trabalhos arqueológicos nos quais é possível admirar as milhares de estátuas nos seus locais originais, existe também um pequeno mas interessante museu que apresenta aos visitantes documentos e objectos encontrados durante as escavações.  

-OUTRAS CRÓNICAS SOBRE A CHINA:


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