sexta-feira, 12 de maio de 2017

.LUCCA-O DOÇE SABOR DA TOSCANA


Ainda não é noite quando chegamos a Lucca,mesmo assim os candeeiros que se alinham ao longo da avenida principal já se encontram iluminados,dando um ambiente um tanto ao quanto romântico àquele enquadramento agradável ao olhar.
Logo ali,ás portas da estação ferroviária compramos umas pizzas,que servirão para mais tarde reconfortar o estômago,neste final de dia que começou bem cedo em Florença.
Do lado de lá da rua,a imponente muralha que nos vem acompanhando,esconde certamente o verdadeiro encanto desta cidade e de forma vincada serve de fronteira entre a cidade nova e a cidade velha.
O alojamento que trazemos reservado não é longe,e se nada se alterou,a proprietária com quem trocámos diversos e-mails,já deve estar à nossa espera.
As indicações enviadas correspondem na perfeição e rapidamente chegamos ao apartamento que além de bem localizado é fantástico e onde o ckeck-in decorre rápido e sem novidades.
Lá fora,e mesmo depois da escuridão ter tomado conta da cidade,o tempo continua ótimo,com uma temperatura agradável que convida a um daqueles passeios noturnos que gosto de fazer nas noites de verão.A vontade acaba literalmente por se diluir depois de um reconfortante duche que teve o condão de relaxar os músculos cansados e ativar a preguiça que sem precisar de autorização tomou conta dos nossos corpos.
Afinal hoje já não saímos e o serão que não se prolonga por muito tempo,é passado na varanda do quarto a comer fatias de pizza,e ao som da música que sai de uma janela vizinha,relembramos alguns momentos desta primeira semana de viagem. 

Na manhã seguinte o acordar é tranquilo.
A expectativa de que o tempo que dispomos será mais que suficiente para visitar a cidade,faz-nos prolongar o sono até perto das dez da manhã.Os preparativos são como de costume,rápidos e em menos de meia hora já estamos prontos para o pequeno almoço que será servido na cozinha comum.
E que pequeno almoço!
Um autêntico banquete (daqueles qua mata a fome só de olhar) encontra-se distribuído de forma aprumada sobre a bancada.
Servimo-nos de tudo e mais alguma coisa e até aproveitamos para preparar um pequeno farnel que será com certeza comido nas próximas horas do dia. 
A jornada não podia começar melhor!



Na rua,apesar das nuvens que salpicam o céu,o sol já brilha e faz questão de nos acompanhar enquanto caminhamos aqueles cinco minutos que nos separam da entrada da cidade velha,situada para lá das altas muralhas que estamos prestes a atravessar.
Um enorme portal de pedra leva-nos para o interior daquele mundo onde tal como suspeitávamos e apesar da presença de alguns turistas,o tempo corre sem grandes agitações.
São poucos os carros que aqui circulam e são as bicicletas,que se podem alugar por toda a parte,o principal meio de locomoção tanto dos habitantes locais como dos vários estrangeiros que connosco se cruzam.É verdade que havíamos lido que esta seria uma ótima opção,mas preferimos percorrer a pé aquelas ruas estreitas de traça medieval. 
A estrada por onde avançamos que é cortada ao meio por um pequeno canal e ladeada por casas e antigos palácios todos eles bem cuidados,conduz-nos à Piazza di San Francesco onde nada de especial se passa.
Duas ou três esplanadas com bom aspecto,aguardam a chegada de clientes para o almoço e do lado oposto uma igreja que não fazemos questão de visitar,são os pontos marcantes daquela tela onde meia dúzia de passantes vão e vêm completamente alheios ao que os rodeia.
Apetece-nos um expresso,mas os dois euros exigidos por uma chávena que não traz mais de um dedo de café,faz-nos rapidamente mudar de ideias.





Continuamos,até porque segundo lemos,existem outras zonas da cidade bem mais interessantes para ver e a placa que cruzamos uns metros mais à frente indica-nos que estamos prestes a chegar a um desses locais.
De facto não foram necessários mais de dois minutos para chegarmos à Piazza dell'Anfiteatro que surpreende desde o primeiro momento.Depois de ultrapassarmos um dos quatro túneis que dão acesso aquele espaço de forma oval,entramos numa espécie de pátio interior onde em tempos se ergueu uma arena romana.
Da antiga estrutura já nada resta e este local que se tornou numa das imagens da cidade é hoje delimitado por bonitos prédios habitacionais que nos pisos térreos albergam restaurantes e lojas de souvenirs.
Damos uma volta,fazemos algumas fotos para registar o momento e com o tempo a convidar a uma bebida fresca,sentamo-nos numa esplanada e pedimos uma cerveja que degustamos enquanto literalmente vemos o tempo passar. 





Deixamos para trás aquele bonito espaço e voltamos a sentir as ruas que segundo o nosso mapa nos levarão rapidamente a outro ponto de interesse,daqueles que fazem parte do típico roteiro turístico de quem aqui vem.
Quem diria....É mais uma igreja,ou melhor uma Basílica.
Durante a nossa passagem por Roma tínhamos percebido que o país era  fértil em templos católicos e esta viagem veio realmente provar essa teoria.Grandes,pequenas,mais ou menos ricas,há-as por toda parte e dá ideia que fazem questão de aparecer ao virar de cada esquina.  
Por agora é a Basilica di San Frediano que temos diante nós e para falar verdade,não é uma obra chamativa ao olhar a não ser o magnifico painel de mosaicos que brilha sobre a porta principal que se encontra encerrada.Talvez seja melhor assim...
Os três euros que economizamos serão com certeza bastante úteis para visitar a catedral da cidade,por onde passaremos daqui a nada.
Por agora,e sentados num banco de jardim,aproveitamos o sol para petiscar alguns dos mantimentos que trouxemos e que servirão para aconchegar os estômago.
Matamos a fome e damos um pouco de descanso ás pernas.



Sabe-nos bem aquele momento,mas impõe-se que retomemos o caminho que mais uma vez nos leva a vaguear pelas entranhas de uma cidade que pouco a pouco ganha vida.
No que parece ser uma rua principal,caminhamos calmamente ladeados por lojas modernas que ocupam os pisos terrenos de antigos palazzos.Olho à volta,solto um sorriso silencioso e penso que é de certa forma irónico que este seja um dos locais mais cosmopolitas da cidade. 
Mais à frente passamos sem parar pela Torre Guinigi,famosa pelo verdejante jardim que preenche grande parte da plataforma existente no topo e à porta da qual se acumulam várias turmas de jovens que provavelmente visitam Lucca inseridos em alguma visita de estudo.





Exploramos cada recanto e cada rua parece dar origem a outra e mais outra como se fossem as ramificações de uma árvore gigante que se estende por vários quilómetros.
Ocasionalmente desembocamos numa das muitas praças que existem pela cidade e desta vez é a Piazza Napoleone que surge no nosso caminho.
A área é grande,talvez seja este o maior espaço público de Lucca.Ao redor sucedem-se edifícios de arquitectura e aspecto cuidado,de onde se destaca a câmara municipal para onde naquele momento são descarregados uma infinidade de adereços que provavelmente  serão usados na cimeira do G7,que aqui se realizará dentro de dias.
Acabamos por não gastar muito tempo neste local...e seguimos viagem!
Numa espécie de filme em câmara lenta,perdemo-nos,encontramo-nos e vamos saboreando de forma intensa aqueles momentos e aquela pequena cidade cheia de personalidade que acaba por nos dar mais do que esperávamos.



Seguimos para sul,cruzamos mais duas ou três igrejas e quando já nos preparamos para consultar o mapa,aparecem no nosso campo de visão meia dúzia de vendedores de rua que nos mostram que estamos no bom caminho e que a Catedral de Lucca é já ali.
Como seria de esperar o rebuliço é grande.A Piazza San Martino encontra-se cheia de vida com uma mão cheia de grupos de turistas que de forma mais ou menos atenta,ouvem os discursos dos guias que lhe explicam factos e curiosidades sobre um dos monumentos mais importantes da cidade.  
Quatro euros é o preço que pagamos para entrar.Não achamos justo que se cobre para entrar neste ou em qualquer outro espaço religioso,mas ao que parece a beleza deste local merece que por uma vez quebremos esta nossa regra de ouro...e na realidade o que vimos naquelas quase duas horas não desiludiu!



Uma após outra sucedem-se diversas ruas,onde não faltam as inevitáveis bicicletas encostadas ás paredes que aguardam pacientemente que os seus donos as levem a dar uma volta.Os nosso passos são acompanhados pelo chilrear dos pardais que ora esvoaçam ora se aconchegam nos beirais floridos dos edifícios que cruzamos e enchem de vida aquele final de tarde primaveril.
Mais uma travessa e já se avista a Torre di Ronzini que como um farol nos serve de ponto de referência e nos guia no meio daquele emaranhado citadino.Chegamos à Piazza del Salvatore,embelezada por mais uma igreja e onde no centro se ergue uma bonita fonte que acaba por servir para encher de água as nossas garrafas quase vazias.





No ar paira um burburinho que aumenta a cada passo que damos e que antevê a nossa chegada a um dos pontos de interesse da cidade,que identificamos imediatamente como sendo a extraordinária Piazza San Michele.
O sol já vai baixo e todo o espaço se encontra envolto num tom dourado que pinta as fachadas dos edifícios existentes e lhe confere uma atmosfera especial,principalmente a lindíssima Chiesa di San Michele In Foro,à frente da qual nos sentamos a observar o que por ali se passa.
Não se vêm muitos turistas.A maior parte das pessoas que por nós vão passando,são habitantes da cidade que provavelmente regressam do trabalho naquele final de tarde.
Nas esplanadas ao redor,pessoas com expressões de felicidade,usufruem do espaço,convivem e conversam ao som de uma banda de ocasião que espalha pelos quatro cantos da praça,acordes latinos que nos transportam para lá do oceano atlântico.
Sob o olhar dos pais,uma miúda montada na sua bicicleta pedala de forma pouco segura,revelando a falta de experiência naquelas andanças.




O tempo passa e rapidamente aquele delicioso momento se transforma numa hora.O sol vai-se escondendo por detrás dos edifícios que perdem brilho e vão desenhando sombras no chão da praça onde cada vez mais pessoas se passeiam.
Confirma-se!Este é sem dúvida o principal polo de descontração e convívio da cidade.

A noite vai chegando e o céu escurece a cada passo que damos envolvidos pelas mesmas  ruas que percorremos à pouco,mas agora ainda mais silenciosas.Avançamos sob as iluminações dos candeeiros que pendem das fachadas e pelos feixes de luz que se escapam das janelas dos lares onde as famílias locais se reúnem para jantar.



Está feito.Atingimos oficialmente a recta final da nossa passagem por Lucca e antes de nos despedirmos,fazemos questão de regressar à Piazza dell'Afiteatro para uma segunda vista de olhos.
Está na altura de seguir viagem.
Voltamos a atravessar a muralha,recuperamos as mochilas e damos início a um serão que será passado sobre carris em direção a Pisa.
Lucca é definitivamente uma cidade bonita e que merece ser visitada.

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