sexta-feira, 26 de agosto de 2016

.BAGAN-A PEDALAR POR ENTRE MILHARES DE TEMPLOS E PAGODAS


Pouco passava das nove da noite quando deixámos a cidade de Mandalay.
A viagem até Bagan foi mais uma vez fértil em saltos, abanões e solavancos. Parecia que aquele comboio fazia questão de não nos deixar dormir nem por um minuto. O calor que se faz sentir também não ajuda e apesar de todas as janelas irem abertas o vento que vai entrando não é suficiente para conseguir arrefecer o ar que circula no interior da carruagem. 
As horas vão passando a um ritmo bastante mais lento que as paisagens que desfilam lá fora. A luz da lua permite-nos ver que de quando em quando nos vamos cruzando com pequenas aldeias que dormem tal como a maioria das pessoas que connosco fazem aquela viagem.

Como previsto, alcançámos o nosso destino perto das quatro da manhã. No cais da estação gera-se um enorme corrupio com várias dezenas de passageiros a sair e a entrar na velha composição que não tarda nada retomará o seu caminho. Parece que somos os únicos turistas a sair e sem saber muito bem o que fazer ficámos por ali alguns minutos de forma a a organizar as ideias. 
Tendo em conta a hora, a opção mais viável é apanharmos um táxi para o centro da cidade de Nyaung U, onde com um pouco de sorte contávamos arranjar um hotel que nos permitisse descansar o corpo maçado da viagem. 
Rapidamente se chegou a um acordo sobre o preço a pagar pelo transporte e depois de um curto trajecto chegámos à cidade onde as ruas deserta não nos deixam grandes esperanças de sucesso. Sentamo-nos por ali e após uma breve consulta no guia Lonely Planet, dirigimo-nos para o New Park Hotel onde fomos recebidos pelo recepcionista que meio a dormir nos explicou que tinha quartos livres mas nenhum deles estava limpo. Teríamos de esperar até ás sete horas. 
Tentámos argumentar com o nosso cansaço, mas o jovem revelou-se intransigente. Nada feito.
Estávamos estafados, a "morrer" de sono e sem vontade de andar aquela hora à procura de um local que nos pudesse acolher.
Ao ver as nossas caras de desalento o rapaz atira:
-"Se esperarem até ás sete podem ficar sem pagar esta noite e pagam só as duas seguintes"
-"Ok,feito. Nós esperamos."

.DIA 1
Acabámos por dormir para lá da hora inicialmente programada e foi só depois de almoço que iniciámos a visita aos famosos Templos de Bagan. Por 1,50 USD por dia, alugámos umas bicicletas no hotel e lá fomos nós estrada fora sob um calor abrasador, em direção ao maior e mais importante ícone turístico de Myanmar. 
Vamos pedalando e à nossa volta temos mais de dois mil Templos e Pagodas que datam de um período que vai do século XIII ao século XIX, altura em que Bagan foi a capital do Reino da Birmânia

Hoje ficaremos pela área de Old Bagan, que apesar de ter um perímetro relativamente pequeno tem uma enorme riqueza patrimonial. Alguns dos templos mais importantes da região estão situados nesta área.




O acesso é feito através da Tharabar Gate e o primeiro grande templo que surge no nosso caminho é a Paya Shwegugyi. A sua construção iniciou-se em 1131 e só foram precisos sete anos para ficar concluído. O interior é pequeno e logo à entrada somos recebidos por um enorme Buda de madeira totalmente coberto de folha dourada.
A melhor parte deste templo é o terraço existente num nível superior ao qual se chega  através de umas escadas. Lá do alto tivemos pela primeira vez a noção da extensão da planície de Bagan, com templos que se prolongam até onde a vista alcança e mesmo à nossa frente já se avista aquele que escolhemos visitar a seguir. 







Paya Thatbyinnyu com os seus 63 metros, é um dos mais importantes edifícios do complexo. Este templo, tal como aquele que visitámos momentos antes, chama a atenção pela sua arquitetura exterior, repleta de bonitos pormenores dourados.
Mais uma vez achámos o interior um pouco pobre e bastante escuro onde impera uma  decoração simples, com algumas pinturas e a inevitável estátua de Lorde Buda. 





Voltámos à estrada, pedalámos alguns minutos e um pouco mais adiante fizemos nova paragem, desta vez para visitar um templo que apesar de pequeno não deixa de ter uma grande importância na história da antiga capital.
Pagoda Bupaya foi originalmente erguida no século IX e ao que parece é o mais antigo santuário de Bagan. Muito do que hoje vemos foi reconstruído depois de em 1975 um sismo ter arrasado quase por completo o local. 



Na área que hoje planeámos visitar, todos os templos e pagodas encontram-se relativamente perto uns dos outros e não foram precisos mais de cinco minutos para que chegássemos a um dos gigantes de Bagan. 
Com um nome que se traduz como "o sítio onde se presta homenagem",Gawdawpalin é um enorme santuário que se enquadra no mesmo estilo arquitectónico dos demais, mas que impressiona pela sua grandeza. São nada mais nada menos que sessenta metros desde o chão até ao ponto mais alto.




O nosso primeiro dia em Bagan estava agora a chegar ao fim.
Por diversas vezes enquanto organizávamos esta viagem, tínhamos visto imagens e videos que mostravam o quão fantástico era assistir ao pôr-do-sol do alto de uma das muitas Pagodas existentes.
Esse era um dos objectivos para hoje e apesar do tempo estar um poucos nublado, resolvemos tentar a nossa sorte e ao acaso escolhemos aquele que seria o nosso posto de observação.
O silêncio e a paz que sentimos ali sentados, rodeados de milhares de templos, fez-nos desejar que aqueles minutos se prolongassem por horas. Lá ao longe, de forma envergonhada o sol ia-se escondendo no horizonte. Um momento mágico!





.DIA 2
Tínhamos inicialmente planeado acordar cedo para podermos aproveitar o ar mais fresco da manhã, contudo a preguiça tomou conta dos nossos corpos e só acordámos perto das dez. Aquelas horas extra de sono souberam mesmo bem e pela primeira vez nesta viagem sentíamos que tínhamos as baterias totalmente carregadas. 
Depois de um pequeno almoço reforçado, voltámos a pegar nas bicicletas e pedalámos os quase cinco quilómetros que nos separavam da primeira paragem do dia.



Paya Ananda é o mais famoso templo de Bagan, e como tal a presença de visitantes é bastante mais significativa do que em qualquer outro dos locais que havíamos visitado na véspera. 
Apesar de já terem passado mais de 900 anos desde a sua construção, a verdade é que todo o edifício ainda continua em ótimo estado, especialmente a impressionante Stupa Dourada em forma de espiga de milho que se ergue no topo. 
Entrámos pela única das quatro portas que está aberta ao público e uma vez no interior, voltámos a constatar que este não difere muito dos outros templos, mas com uma decoração bastante mais elaborada.





O que imediatamente nos chamou a atenção foi o enorme Buda dourado com cerca de sete metros de altura que parece saudar todos os visitantes com um sorriso enigmático.
Ainda no interior, existe um corredor que circunda todo o templo e que nos levou a descobrir que afinal haviam mais três grandes Estátuas de Buda, todas elas alinhadas com as portas existentes.  
Depois de já termos visitado talvez umas duas dezenas de templos, a Paya Ananda fez jus à sua fama e entrou directamente para o topo das nossas escolhas.






Hoje o tempo está diferente. O céu encontra-se coberto de nuvens e o calor parece disposto a dar-nos algumas tréguas. Desta forma fica mais fácil pedalar.
O pó é presença constante uma vez que todas as estradas são de terra batida, algumas delas ladeadas por campos agrícolas onde homens tratam das suas culturas sem se importar muito com quem vai passando. 





Estacionámos as bicicletas, e antes de chegarmos ao grandioso portal que dá acesso ao interior do Pahto Htilominlo caminhámos meia dúzia de metros por entre um número exagerado de bancas de souvenirs onde se vendem todo o tipo de lembranças. O templo é enorme, com as paredes exteriores decoradas com elaborados detalhes que fizemos questão de apreciar, levando-nos a permanecer neste local mais tempo do que seria expectável.
Segundo reza a história foi nestes terrenos que no século XIII o Rei Nandaungmya foi coroado e de forma a assinalar o acontecimento o monarca ordenou a construção deste imponente Templo Budista.





A próxima paragem do dia aconteceu na Paya Shwesandaw. Esta bem conservada Pagoda ficou famosa porque segundo reza uma lenda local, foi ali colocado durante a sua construção um cabelo de Buda, que muitos afirmam estar por entre os tijolos da Stupa situada no topo.
Convém referir que este é talvez o melhor local para poder ter uma vista panorâmica de toda a planície de Bagan. 
Mesmo em frente encontrámos quase por acaso um edifício que alberga uma bonita estátua de Buda com aproximadamente 18 metros de comprimento.





Numa altura em que mais um dia se aproxima do final, aproximamo-nos também nós do grande colosso da antiga capital.
O Pahto Dhammayangyi foi construído entre 1167 e 1170 por ordem do Rei Narathu e diferencia de todos os outros templos por se assemelhar a uma pirâmide. 




.INFORMAÇÕES E RECOMENDAÇÕES ÚTEIS
-Trazer um bom guia (livro) com explicações detalhadas de cada um dos locais existentes.
-Aconselhamos vir munido de um mapa, que se arranja facilmente em qualquer hotel.
-Água, muita água pois com o calor que se faz sentir facilmente podemos desidratar.
-É importante o uso de um chapéu para proteger a cabeça.
-Proteger igualmente o corpo com uma boa dose de protetor solar. 
-Para aqueles que tal como nós optam por alugar bicicletas, muita vontade de pedalar. 

Bagan é sem dúvida um local único, que atrai cada vez mais visitantes e já entrou definitivamente no roteiro de quem viaja pelo Sudeste Asiático. 
Desejamos do fundo do coração que o aumento do turismo não tenha o condão de mudar de forma negativa, tanto as gentes desta terra como a singularidade do local. Noutros países esse crescimento desmesurado, acabou de certa forma por arrasar por completo o lado mais genuíno de uma cultura. Terão esses exemplos servido de lição ao povo de Myanmar?

.TAXA DE ENTRADA
Todos os que chegam a Bagan têm que pagar uma taxa no valor de 15 USD que permite circular livremente em Old Bagan e áreas circundantes. Desta forma não é necessário adquirir separadamente ingressos de acesso aos templos.

.COMO CHEGAR
É possível chegar a Bagan de Comboio, Bus ou até de Avião, sendo esta ultima opção somente viável para viagens internas, com partida de Mandalay ou Yangon.
Nós utilizámos o comboio para chegar à antiga capital do reino de Bagan. O ponto de partida foi a cidade de Mandalay e a viagem teve uma duração de aproximadamente 8 horas. Apesar deste meio de transporte ser pouco confortável, esta é um das experiência que não pode ficar de fora do roteiro de quem visita Myanmar. O custo deste serviço varia entre 1,50 USD e 2,00 USD.
Existe igualmente a possibilidade de usar o Bus que é bastante mais cómoda e rápida, contudo a tarifa por ingresso pode variar entre 10 USD e 15 USD.

.QUANTOS DIAS FICAR
Nós optámos por ficar três dias, dois deles reservados a Bagan e no restante decidimos realizar uma day trip ao Mount Popa.


Podem acompanhar as nossas viagens e ver as fotos deste e de outros destinos na página do Diário das Viagens no Facebook. 

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