segunda-feira, 1 de agosto de 2016

.CAPADÓCIA - QUAL O MELHOR TOUR?


O dia promete ser longo, mas como quem corre por gosto não cansa não nos queixamos.
Depois de termos realizado um fantástico Passeio de Balão que literalmente nos obrigou a acordar de madrugada, estamos de novo prontos para a ação.
As últimas horas do nosso derradeiro dia na Capadócia vão ser ocupadas com a realização do que por aqui é chamado de Green Tour, que na nossa opinião foi a melhor e mais prática forma que conseguimos arranjar para visitar, no pouco tempo que dispúnhamos, todos os locais que faziam parte da nossa lista. Por 45 euros por pessoa temos direito a guia, transporte, almoço e ingressos dos locais a visitar. 

Passa um pouco das dez da manhã quando deixamos GöremeA primeira paragem do dia é logo ali, a um par de quilómetros. Saímos da van que nos transporta, mas a pausa no Göreme Panorama é rápida. Talvez cinco minutos. Fazemos umas fotos e voltamos à estrada. O tour começa oficialmente agora.


Seguimos para sul. Enquanto avançamos, a simpática guia explica-nos qual o programa do dia que tem como primeira paragem a cidade de Derinkuyu, local onde fica situada uma das maiores Cidades Subterrâneas existentes nesta região do país. 
A Capadócia é rica nestas cidades que se estendem por várias dezenas de metros de profundidade, embora só algumas estejam abertas ao público. Segundo percebemos muitas delas estão ligadas entre si por meio de túneis, que em alguns casos se estendem por em alguns casos por varias dezenas de quilómetros. 


Estes engenhosos complexos foram ocupados por povos cristãos durante um período em que esta zona da Capadócia foi invadida por "guerrilhas" Asiáticas. Entre os séculos VIII e X  chegaram a acolher cerca de 20.000 pessoas.



Tal como no passado também hoje a descida ao interior destes abrigos subterrâneos é feita a pé.
Lá em baixo foram criadas todas as condições necessárias para que fosse possível passar grandes temporadas. Cozinhas, adegas, igrejas, locais de armazenamento de comida, poços que forneciam água, canais de ventilação e até estábulos.



Depois de talvez uma hora a deambular pelas entranhas da Capadócia regressámos à superfície.  
Em pouco mais de três horas voámos de balão a centenas de metros de altura e agora acabávamos de percorrer vários túneis situados a mais de cinquenta metros de profundidade. Está definitivamente a ser um dia de altos e baixos.
Derinkuyu vai ficando para trás e a carrinha avança agora por entre paisagens que nos fazem lembrar a Mongólia.
Segundo a guia, o trajecto até ao próximo destino demora aproximadamente uma hora e com o corpo maçado devido aos sucessivos despertares prematuros, aproveitamos esse tempo para dormir um pouco.


Chegamos ao Vale de Ihlara perto do meio dia. Lá ao fundo aos pés daquele desfiladeiro conseguimos ouvir o som da água do rio que corre por entre a vegetação que cobre grande parte do vale. O acesso descendente é feito através de uma escadaria de madeira que serpenteia pela encosta abaixo até à base do desfiladeiro. 
Logo ali, nas margens do Rio Melindiz a guia reune todo o grupo e convida-nos a entrar numa antiga Igreja escavada na rocha onde as nossas atenções são imediatamente centradas nas fantásticas e bem conservadas pinturas que cobrem tectos e alguns pedaços das paredes.



A partir daqui estamos por nossa conta. O ponto de encontro fixado é uma ponte que atravessa o rio e que supostamente nos conduzirá ao local onde vamos almoçar.
"Basta seguirem o rio. Não tem nada que enganar. Encontramos-nos daqui a duas horas"-São estas as palavras da jovem que nos tem acompanhado.


Porque o tempo é escasso só teremos oportunidade de percorrer quatro dos quatorze quilómetros que compõem o vale. 
A beleza natural deste local conseguiu mais uma vez surpreender-nos. As escarpas rochosas,o rio ,a vegetação e as muitas igrejas escavadas directamente na encosta são os maiores atrativos do Vale de Ihlara.
Foram talvez estes os motivos que fizeram com que no passado muitas comunidades de monges bizantinos se estabelecessem aqui com o propósito de realizar retiros espirituais. O que explica a grande quantidade de Igrejas existentes.



Quando acabámos de almoçar o tempo havia mudado drasticamente. O sol desaparecera por completo e as nuvens escuras que agora cobriam o céu já largavam algumas pingas de chuva que acabaram por nos fazer correr em direção à carrinha.
O plano agora era rumar ao extremo norte do vale onde faríamos uma paragem para visitar a antiga cidade de Selime, que ficou famosa por ter servido de inspiração a alguns dos cenários do primeiro episódio do filme Star Wars.


As impressionantes ruínas de Selime são em tudo semelhantes aquelas que visitamos em Çavuşin, mas visivelmente mais bem conservadas. Esta enorme estrutura escavada na rocha foi inicialmente um mosteiro que albergou uma importante comunidade de monges bizantinos. Mais tarde e numa altura em que o complexo já se encontrava em declínio, serviu de abrigo às muitas caravanas comerciais que por aqui passavam. 


No pouco tempo que nos foi concedido para explorar o local acabámos por descobrir algumas salas, umas mais outras menos "secretas" e no final somos conduzidos até à grande Catedral, que segundo nos foi explicado é a maior deste género na Capadócia.
Assim que entrámos ficámos espantados com o tamanho e com o espaço deste incrível monumento. Vale a pena percorrer com calma este bonito local, de onde se destaca o antigo altar e as duas filas de colunas esculpidas directamente na rocha que suportam o peso que é exercido pela montanha. 



Antes de regressarmos a Göreme ainda fizemos uma curta paragem num ponto de observação de onde se avista o Pigeon Valley.





Agora que o nosso dia estava a acabar, ficámos ainda mais certos de que o Green Tour foi uma ótima opção para ficarmos a conhecer mais um pouco da Capadócia. Se o tivéssemos feito de forma independente, provavelmente nem dois dias tinham chegado para ver tudo o que vimos hoje. 

-OUTRAS CRÓNICAS SOBRE A TURQUIA:

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